
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) celebrou um marco na inclusão e no ensino superior, Eduardo Moraes, de 26 anos, se tornou o primeiro estudante com Síndrome de Down a se formar no curso de Artes Visuais. Apaixonado por desenho desde a infância, Dudu, como é conhecido, enfrentou desafios acadêmicos, mas com o suporte da família, dos professores e do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), transformou sua vocação artística em profissão.
“Quando ingressei na universidade, achei que só iria desenhar, mas aprendi muito mais do que isso. Tive dificuldades em algumas disciplinas, precisei de apoio para compreender as avaliações, mas superei cada obstáculo”, conta Eduardo.
Desde pequeno, Eduardo teve contato com a arte por influência do irmão Gabriel, conhecido artisticamente como Gabriel Veiz. “Para mim ele é o melhor artista do mundo, além de ser muito conhecido e conceituado internacionalmente. Ele que me ensinou a colorir, descobrindo o mundo das cores”, comenta. Aos oito anos, participou de oficinas no grupo circense Tholl e, anos depois, foi inspirado pelo grafite a seguir a carreira artística. Durante a faculdade, aprimorou suas técnicas e encontrou na pintura uma forma de expressar seu imaginário e suas emoções.
Arte, inclusão e representatividade
Eduardo também se destacou além das salas de aula. Em 2022, tornou-se aluno do projeto Graffitidown, criado pelo Irmão Gabriel, que ensina técnicas de grafite a pessoas com Síndrome de Down. Além disso, ele é o idealizador da Xavadown, primeira torcida organizada do mundo formada por pessoas com Down, criada em parceria com a Associação de Pais e Amigos de Down de Pelotas (Apadpel) e o Grêmio Esportivo Brasil.
“Gostaria de incentivar outras pessoas com Síndrome de Down a chegarem à faculdade. A arte está no meu DNA, e a Síndrome de Down não me define”, reforça Eduardo.

Paixão pelo esporte e futuro na arte
Atleta do Apadpel FutsalDown, primeiro time de futsal do Rio Grande do Sul voltado para pessoas com Down, Eduardo concilia o esporte com a arte e outras atividades culturais. Ele participa há mais de dez anos do grupo de dança Down Dança e também integra a oficina de teatro da Apadpel.
Para o futuro, Eduardo pretende continuar explorando o universo das artes e levando sua mensagem de inclusão e representatividade. “Sou muito grato pelo apoio que recebi da minha família e dos professores. Esse diploma não é só meu, é de todos que acreditaram em mim”, finaliza.
Dia Internacional da Síndrome de Down
A Síndrome de Down é uma condição genética causada pela trissomia do cromossomo 21. Isso significa que, em vez de dois cromossomos 21, a pessoa nasce com três. Essa alteração pode causar diferenças no desenvolvimento intelectual, motor e físico, mas não impede que indivíduos com a síndrome levem uma vida ativa e realizem seus sonhos.
O Dia Internacional da Síndrome de Down é comemorado anualmente em 21 de março e foi estabelecido oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011. A data simboliza a trissomia do cromossomo 21 (21/3) e tem como objetivo promover a conscientização, combater o preconceito e garantir mais inclusão para as pessoas com Down na sociedade.



