Mercado Central de Pelotas recebe nova “certidão de nascimento” no dia do aniversário

Centro comercial mais antigo do Estado completou 176 anos nesta sexta-feira (3).(Foto: Gustavo Mansur)

Uma escritura localizada no acervo da Secretaria de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana lançou uma nova luz sobre a história do Mercado Central de Pelotas, que a partir da descoberta do documento passa a ser, oficialmente, o mais antigo em funcionamento no Brasil, com 176 anos, completados nesta sexta-feira (3).

O documento de 2 de janeiro de 1849, registra a venda de uma quadra de terrenos, que no sistema de medidas do usado na época do Império mediam 37×40 braças – o equivalente a 81,4×88 metros – localizada em frente a então praça da Regeneração, atual praça Coronel Pedro Osório, fundos para a rua Martins Coelho, hoje Tiradentes e laterais nas ruas São Miguel (15 de Novembro) e Flores (Andrade Neves). A área pertencia a Heliodoro Azevedo Souza, José de Azevedo Souza e José Ignácio da Cunha e foi comprada pela Câmara de Vereadores por 13:550 mil réis (treze contos e 500 mil réis). (Veja a escritura no final da matéria)

A descoberta acaba com as dúvidas sobre a data exata da aquisição da área e, consequentemente, a inauguração do Mercado Central, que conforme os registros feitos pela imprensa da época aconteceu três anos após a compra dos terrenos, ou seja, em 1851. Isso faz do Mercado Central de Pelotas, o mais antigo do país, ainda em funcionamento. O título, até então, era reivindicado pelo Mercado Público de Porto Alegre, inaugurado em 1869, quase duas décadas depois.

“A gente descobrir que o nosso mercado é o mais antigo em funcionamento do país, é um motivo de muito orgulho para nós, que há 12 anos estamos trabalhando para se ter um mercado melhor, mais plural e para construir, junto com os órgãos públicos, estratégias para atrair mais turistas e consolidar um novo mix de atividades para que os pelotenses também possam usufruir deste espaço público”, disse Jordana de Lima, presidente da Associação dos Permissionários.

Jordana de Lima é a atual presidente da Associação dos Permissionários. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

Atualmente, o Mercado Central não é apenas o cartão postal mais visitado de Pelotas, mas o prédio histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é também um dos principais pontos de cultura da cidade e um centro comercial que abriga 42 empresas divididas em 83 bancas e que são responsáveis por gerar 250 empregos diretos.

Olhares para o futuro

Entre os permissionários mais do que a certidão de nascimento definitiva e inquestionável do Mercado Central, a escritura surge como um marco de um novo momento, no qual a associação estende o olhar para o futuro em busca de criar alternativas para consolidar, de vez, o local como um dos principais pontos comerciais de Pelotas.

“Celebrar os 176 anos do Mercado é muito importante para a gente, pois mostra a importância do Mercado como prédio histórico e relevante na história da cidade e também marca um novo tempo, com uma associação muito mais madura, com uma visão muito grande de futuro, de ocupar sempre o Mercado Central, de fazer parte do cotidiano dos pelotenses, e mais que isso, receber bem os turistas”, comentou David Jeske, da Imperatriz Doces Finos.

Para Guilherme Fiss, que nas próximas semanas assumirá a presidência da Associação dos Permissionários, a ideia é que em 2025 a associação passe a desempenhar um papel ainda mais proativo para fortalecer o Mercado e os negócios instalados ali. “Temos as melhores expectativas para este ano e esperamos contribuir para que a gente tenha um Mercado cada vez mais forte e sólido”, disse.

Guilherme Fiss assumirá nas próximas semanas a presidência da Associação dos Permissionários. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

Conforme os permissionários, ao longo da campanha eleitoral foram feitas reuniões com todos os candidatos para construir uma proposta conjunta de administração e resolução dos problemas do Mercado, como a necessidade de investimentos na estrutura do prédio. Essas conversas ajudaram a pavimentar o caminho a ser percorrido este ano com o novo prefeito. “A gente passou nossos anseios, nossos problemas, as dificuldades do dia a dia, a avaliação dos turistas, tudo aquilo que a gente acha necessário fazer para consertar a casa. E depois da eleição também retomamos a conversa e sentimos haver uma aproximação muito grande com a nova gestão da prefeitura e queremos trabalhar para fazer um mercado de todos, para que em 2049 a gente possa completar 200 anos com o Mercado Central funcionando em sua plenitude”, comentou Jordana.

Veja a escritura:

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