
Referência para a exibição de filmes do circuito alternativo, o Cine UFPel completa dez anos de funcionamento, consolidado como um espaço de promoção da diversidade cultural e aproximação da universidade com a comunidade.
O local nasceu do desejo de tornar o cinema uma experiência acessível, diversa e contínua para a população pelotense. A iniciativa foi encabeçada por professores do curso de Cinema e Audiovisual da universidade, com destaque para a professora Cíntia Langie. Desde o início, a proposta foi oferecer uma alternativa ao circuito comercial, promovendo filmes de difícil acesso, muitas vezes ausentes das grandes salas de cinema.
A estrutura foi construída no auditório Luís Simões Lopes da Agência da Lagoa Mirim, no centro da cidade, que foi adaptado para se tornar uma sala de cinema equipada e acolhedora. A primeira sessão ocorreu em 11 de dezembro de 2015, com a exibição do filme brasileiro Quase Samba, com Mariene de Castro e João Baldasserini no elenco e direção de Ricardo Targino.
Desde então, o espaço se consolidou como um importante ponto de encontro cultural, contribuindo para a formação de repertório cinematográfico da comunidade.
Segundo o coordenador Roberto Cotta, entre os principais objetivos do Cine estão a democratização do acesso ao cinema, a valorização da produção brasileira e latino-americana e a promoção da diversidade cultural e identitária. A programação, elaborada por uma equipe de bolsistas e voluntários, busca contemplar diferentes estilos, gêneros e vozes, dando visibilidade a cineastas negros, mulheres, pessoas trans e narrativas LGBTQIA+.
“E é legal a gente pensar que, a partir do momento em que se tem uma periodicidade, uma frequência de exibição, as pessoas passam a retornar, a criar um vínculo com o espaço”, ressaltou o coordenador.
Ciclos de cinema e interação
Os ciclos de cinema são organizados com critérios curatoriais bem definidos. Atualmente, o foco está em produções brasileiras recentes, exibidas às sextas-feiras a partir das 19h, em parceria com a Embaúba Filmes, Vila Belmiro e Vitrine Filmes. Além disso, cineclubes como Transviada, Repulsa, Antiquário, Cassiopeia e 04 enriquecem a programação com suas próprias sessões e debates, muitos deles criados e geridos por alunos.
A interação com o público é outro pilar essencial do Cine UFPel. A realização de debates pós-sessão e a oferta de atividades voltadas a públicos diversos — como crianças, idosos e escolas públicas — contribuem para consolidar o espaço como um ponto de encontro entre universidade e sociedade.
“Nós temos uma programação gratuita, então, qualquer pessoa pode entrar. Muitas vezes, as pessoas acham que o espaço universitário é privado. Aqui, a gente pensa que as pessoas merecem ter acesso cada vez maior ao nosso espaço e nesse sentido a programação serve para que as pessoas possam ter uma variedade de estilos, formatos e tipos de filme”, afirmou Cotta.
Entretanto, manter o espaço em funcionamento é um desafio constante. A falta de um financiamento estável exige esforços contínuos para garantir a qualidade das exibições, manutenção dos equipamentos e divulgação. Mesmo assim, o local celebra neste ano uma década de resistência cultural, com planos ambiciosos: sessões noturnas fixas às quartas, quintas e sextas; melhorias técnicas na sala; e o fortalecimento das parcerias com distribuidoras e projetos comunitários.
Além das demandas diárias de curadoria, articulação e exibição, o grupo atua ativamente na integração com outros departamentos da UFPel, como Educação, Psicologia e Antropologia, viabilizando eventos e mostras temáticas.



