
O Centro de Educação Ambiental da Mata Atlântica (CEAMA), localizado na comunidade de Sesmaria, no interior de São Lourenço do Sul, desenvolve há quase duas décadas ações voltadas à preservação ambiental, recuperação de áreas degradadas e conscientização da população sobre a importância da sustentabilidade. A iniciativa é coordenada por Günter Timm Beskow e conta com o apoio da organização alemã Verein Waldorf.
Além das atividades de reflorestamento e conservação da biodiversidade, o CEAMA mantém um museu com artefatos indígenas, ossos de animais, insetos, sementes da Mata Atlântica e outros materiais educativos. Um dos principais focos do projeto é o trabalho com estudantes da rede de ensino, promovendo o contato com práticas sustentáveis desde a infância.
O espaço também recebe visitantes de diferentes regiões do Rio Grande do Sul interessados em conhecer as ações desenvolvidas e vivenciar uma experiência de aproximação com a natureza.
Paralelamente ao trabalho ambiental, Beskow administra a agroindústria Vale da Sesmaria, dedicada à produção de alimentos orgânicos, cultivados em conformidade com princípios sustentáveis. Os produtos são comercializados na região.

Recuperação ambiental e educação
As atividades do CEAMA tiveram início em 2007, com o plantio de árvores nativas para recuperação da mata ciliar do Arroio Sesmaria. Desde então, alunos da Escola Municipal Francisco Frömming e de outras instituições de ensino do município participam das ações de reflorestamento e educação ambiental.
Ao longo dos anos, mais de duas mil mudas de árvores nativas foram plantadas na propriedade da família Beskow, representando cerca de 110 espécies diferentes. Destas, aproximadamente 750 são árvores frutíferas típicas da Mata Atlântica. A área também já recebeu animais silvestres reabilitados pelo Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre (NURFS) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Entre 2007 e 2026, mais de três mil mudas foram plantadas em diferentes propriedades rurais, enquanto cerca de 1.500 mudas foram distribuídas à comunidade escolar e aos estudantes da Escola Francisco Frömming.
Uma das iniciativas de incentivo à preservação foi o Concurso da Maior Árvore. Na ocasião, os alunos receberam mudas de cedro, aroeira e angico e participaram de uma competição que premiava as árvores que apresentassem maior crescimento após um ano do plantio.
O CEAMA também desenvolveu projetos como trilhas ecológicas, recuperação de áreas degradadas e o projeto Abraçando Árvores, realizado em 2016. A ação identificou exemplares de grande porte na região, entre eles uma figueira com 9,5 metros de circunferência, uma canjerana com 4,5 metros e um butiazeiro com cerca de 10 metros de altura.

Atualmente, o projeto mantém parceria com a rede pública de ensino por meio de palestras, visitas guiadas e atividades práticas voltadas à conscientização ambiental e à preservação da Mata Atlântica.
Segundo Beskow, a trajetória do CEAMA é marcada por desafios e conquistas. “Foram muitas conquistas e dificuldades. As mudas plantadas estão em pleno desenvolvimento e muitas já produzem frutos. Porém, a recuperação das matas ciliares é difícil devido aos constantes alagamentos que essas áreas sofrem. Além disso, são necessárias políticas públicas para a proteção e recuperação dessas áreas”, afirma.
Programação especial na Semana do Meio Ambiente
Durante a Semana do Meio Ambiente, celebrada na primeira semana de junho, o CEAMA promoveu uma série de atividades educativas. Na segunda-feira (1º), Günter Beskow ministrou palestras para estudantes do quinto ao nono ano da Escola Francisco Frömming.
Já na quarta-feira (3), cerca de 155 alunos, do pré-escolar ao quinto ano, visitaram a sede do projeto para conhecer as ações desenvolvidas. Durante a programação também ocorreu o lançamento do livro infantil Sara, a Saracura, da escritora e professora aposentada Nair Lüdtke.
A obra utiliza os idiomas português e pomerano, contribuindo para a valorização da cultura local e da identidade das comunidades da região.



