Burlescos levam irreverência e alegria à primeira noite na passarela do samba de Pelotas

Desfiles tiveram início no sábado (14) e terminaram por volta das 6h de domingo (15). (Foto: Tobias Bernardo e Volmer Perez/Secom)

A irreverência reconhecida dos tradicionais blocos burlescos do Carnaval de Pelotas voltou à passarela na primeira noite de programação oficial da folia em 2026. Cinco agremiações puseram o público em estado de folia. Os desfiles começaram na noite de sábado (14) e só foram terminar no amanhecer deste domingo (15), pouco depois das 6h. Vaca Louca da Várzea, Candinhas da Cerquinha, Bruxa da Várzea, Bafo da Onça e Mafa do Colono entregaram a animação esperada.

O destaque foi o Candinhas da Cerquinha, que levantou as arquibancadas com uma apresentação marcada pela crítica social e pela homenagem ao seu fundador, o carnavalesco e líder comunitário Ademir Oliveira da Silva, o Ademir Operário, falecido há pouco mais de um ano. Também passaram pela passarela a título de participação a banda Xavabanda e o bloco Bonde dos Boloduchos.

Criada há 26 anos no loteamento Navegantes, a Vaca Louca da Várzea levou 2,5 mil componentes à passarela, com uma bateria com 60 componentes e apenas três carros alegóricos. Não importa. Sem grandes pretensões, condição reconhecida pelo próprio presidente do bloco, o carnavalesco Alexsander Maleiro, a Vaca fez um desfile pé no chão que evoluiu sem percalços da concentração à dispersão – “muvucado”, como se diz lá onde o bloco nasceu, na “várzea”, loteamento Navegantes. Em um dos carros do desfile, a entidade pediu vacina e prevenção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

O segundo burlesco da noite fez um desfile à altura da memória do homenageado, o carnavalesco Ademir Operário, fundador do bloco que recentemente criou um espaço cultural que leva o seu nome, na região conhecida como Cerquinha, divisa da área central com o bairro Fragata. As Candinhas da Cerquinha atravessaram a passarela sem grandes problemas aparentes e levantaram a arquibancada em vários momentos. Com a memória de Ademir marcada em praticamente todas as alas, o bloco fez um desfile que eternizou o fundador, com direito à crítica social, como pedidos pelo fim da escala de trabalho 6×1.

Depois das Candinhas, “a maior chegou”, como a Bruxa da Várzea se reconhece – aliás, com todo o direito. Burlesco mais popular e com o maior número de títulos da categoria do carnaval pelotense, a Bruxa arrastou uma multidão de mais de quatro mil foliões, lotando a passarela com um desfile que parecia reunir todos os elementos para assegurar o hexacampeonato seguido. Apesar da alegria contagiante e do poderoso apelo popular, o bloco teve problemas que podem ameaçar a hegemonia. Em vários momentos se viu espaçamentos entre as alas, comprometendo a animação, um dos quesitos avaliados pelos jurados, e a evolução na passarela. Limitações que se refletiram na duração do desfile, ultrapassado em uma hora – tempo máximo permitido.

Principal rival da Bruxa, o não menos tradicional Bafo da Onça, entrou na passarela logo depois, com uma multidão entre quatro a cinco mil foliões, uma bateria com 80 componentes e 12 carros alegóricos, concentrados em fila no início do desfile. Uma opção que pareceu ter levado um certo tempo para conectar o bloco com o público, algo que nunca representou dificuldade para a entidade do Simões Lopes, reconhecida em 2017 como patrimônio cultural imaterial de Pelotas.

Eram mais de 5h deste domingo, as arquibancadas já estavam quase vazias, o público que permanecia já sentia o cansaço e os foliões também (afora o atraso de mais de uma hora provocado por uma das entidades que desfilou no início da programação a título de participação). Condições adversas que não passaram despercebidas pelo presidente do burlesco. “Sei de tudo isso, mas vamos fazer a nossa parte”, disse o carnavalesco Fabrício Ramos da Silva. Fato: com quatro carros alegóricos, a Mafa do Colono desfilou com dignidade, procurando cumprir critérios técnicos e obrigatórios com animação e humor para celebrar 60 anos de história no carnaval pelotense, cumpridos agora em 2026.