O Samba: Renascer e resistir!

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

Por Giulia Viapiana Corrêa

O samba, filho da pátria brasileira, é um patrimônio cultural imaterial que bem representa o renascer. Genuinamente brasileiro, foi trazido do berço da humanidade e veio ao mundo pelas mãos calejadas e já libertas de amarras dos africanos no século XX.

Desde cedo, o samba conquistou seu espaço e no imaginário internacional representa muito da nossa cultura. Mas não pense que sempre foi assim! Quando jovem, o samba sofreu muito com o preconceito, renegado pela própria pátria mãe, foi perseguido e proibido, mas resistiu e venceu.

Depois de sobreviver inclusive a períodos não democráticos, o samba hoje é muito mais que uma manifestação cultural: é um bastião da democracia, da liberdade de expressão e da liberdade religiosa. É um brado contra a intolerância e a discriminação de todos os tipos e expõe as mazelas da sociedade por meio da arte, mesmo diante de um crescente elitismo cultural que hierarquiza as manifestações artísticas e traz novamente o questionamento acerca do que é belo na arte.

Independente do que digam, o samba é belo e é do povo! Como diz um enredo da Mangueira, “resistir é lei, arte é rebeldia!”.

RENASCER É RESISTIR – 10 ANOS DO RENASCENÇA

Por Giulia Viapiana Corrêa

Em Pelotas, cidade construída sobre fundações das matrizes africanas, não poderia ser diferente. Há 10 anos, no dia 21 de fevereiro de 2014, era fundado o Renascença!
O que talvez fosse ser apenas um carnaval, tornou-se uma das rodas de samba mais tradicionais do sul do Brasil e, quem sabe, de todo o país. Dos singelos encontros às multidões, aos sábados o Mercado Central de Pelotas foi e continua sendo o palco de um espetáculo feito pelas mãos de amigos.

Amigos que, sob a proteção de São Jorge e do manto azul e branco, encontraram no samba a união e um meio de democratizar a cultura – um direito previsto na Constituição Federal – levando o samba aos corações dos pelotenses que como o santo guerreiro vão à luta diariamente enfrentar os dragões.

O Renascença é muito mais que uma roda de samba, é um acalento para a alma! É a exaltação do povo pelo povo, um louvor aos que vieram antes de nós e um farol que ilumina o caminho para uma sociedade melhor, mais justa, igualitária e feliz.
Dizem os grandes artistas: o samba não pode parar e o show tem que continuar. Vida longa ao Rena!

RENASCENÇA: UM PATRIMÔNIO IMATERIAL DE PELOTAS

Por Sérgio Corrêa

Pelotas, assim como muitas outras cidades brasileiras, é fortemente permeada pela cultura do colonialismo. Construída inicialmente pela mão de obra escravizada, a cidade consagra em suas estátuas, monumentos e nomes de ruas, figuras da elite desde o período colonial.
Esse comportamento, mais cultural do que econômico, reproduz a história de um Brasil colonizado – contada sob a perspectiva da classe dominante, que exclui a contribuição e as lutas dos negros e outros grupos marginalizados para a formação do país e enaltece heróis que representam uma visão conservadora e elitista da sociedade.

O espaço ocupado pelo Renascença na vida e na memória das pessoas, representando a cultura da música na rua (gratuita!) e as manifestações populares, rompe com o elitismo cultural e com a lógica do capital.

O Rena é fundamental para uma reconstrução histórica mais inclusiva e verdadeira do passado, bem como para um presente mais leve e feliz! É o monumento imaterial em homenagem ao povo que Pelotas não reconheceu

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome