“Me sinto mais segura”, diz moradora após implantação de sistema de previsão hidrológica em Pedro Osório

Moradora da rua Princesa Isabel, Clarice da Silva Farias vive há mais de dez anos a poucos metros do rio. (Foto: Júnior Ebersol)

Por Júnior Ebersol

As comunidades de Pedro Osório e Cerrito receberam, no início de setembro, o Sistema Integrado de Previsão Hidrológica em Tempo Real e Alerta Antecipado, desenvolvido pelo Núcleo Integrado de Previsão (NIP) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com as prefeituras. Inédito no Estado, o sistema promete oferecer às autoridades um mapeamento de alta precisão que permite antecipar enchentes e outros desastres naturais, como o que atingiu a região em 2023.

Naquele 7 de setembro, o rio Piratini subiu mais de 14 metros acima do leito e invadiu cerca de 200 casas em Pedro Osório. Entre as vítimas estava Clarice da Silva Farias, moradora da rua Princesa Isabel, que vive há mais de dez anos a poucos metros do rio. “Não sai da minha mente ver aquela água entrando na minha casa. A água chegou até a maçaneta da porta”, relembra.

As cheias do rio Piratini marcaram a história das duas cidades, que já enfrentaram ao menos três grandes desastres nos últimos anos. “Eu não acreditava que a água ia entrar dentro de casa. Chorei quando perdi minha cozinha e o sofá que eu tinha acabado de comprar”, conta Clarice.

Com o novo sistema, isso tende a mudar. A tecnologia usa mapeamento LiDAR, capaz de gerar informações com precisão centimétrica e escala 1:500, permitindo atualizar mapas de risco, planejar infraestrutura e orientar ações preventivas. “O que muda daqui pra frente é a nossa capacidade de antecipar o risco. Hoje, ciência e tecnologia estão a serviço dos municípios, permitindo alertar com antecedência e proteger vidas humanas, animais e bens materiais”, explica Tamara Beskow, coordenadora do NIP.

Para o prefeito Ricardo Alves (MDB), o investimento em ciência é uma ferramenta fundamental. “Esse sistema vai nos permitir agir com antecedência e tomar decisões assertivas quando o nível do rio começar a subir. É um investimento na segurança da população e na ciência, que devolve resultados concretos para o nosso município”, destacou.

Para quem vive à beira do rio, a novidade representa um alívio. “Me sinto mais segura. O sistema traz muita tranquilidade. Não precisamos acompanhar porque eles fazem isso por nós”, completa Clarice