Expedição Seival conta com a participação de pedro-osorienses

O historiador Marcelo Coelho e o jornalista Marcelo Gil acompanharam a expedição no trecho entre Pelotas e Santa Isabel, em Arroio Grande. (Foto: Rodrigo Netto/JTR)

Durante a Revolução Farroupilha, de 1835-1845, o italiano Giuseppe Garibaldi construiu os barcos da frota dos farroupilhas num estaleiro no Rio Camaquã. Ele pretendia descer o rio com os barcos e sair na Lagoa dos Patos para navegar até Laguna, em Santa Catarina. Como a frota imperial trancou a saída, Garibaldi realizou uma das maiores façanhas da história das guerras no mundo: transportou os barcos por terra, sobre carretas, puxadas por dezenas de juntas de bois. Saiu com eles no mar, rumou para Laguna e tomou a cidade de assalto.

Agora, quase 200 anos depois, um dos barcos construídos por Garibaldi, o Seival, foi reconstruído e está fazendo a viagem entre Porto Alegre e São Miguel no Uruguai, através da Lagoa dos Patos, Canal São Gonçalo e Lagoa Mirim.

A Expedição Seival, organizada pela Associação Socioambiental Amigos do Seival como está sendo chamada a aventura, tem como objetivo integrar a região, promovendo o projeto da Hidrovia Brasil – Uruguai. Este antigo projeto de viabilização de uma hidrovia economicamente sustentável através das lagoas Mirim e dos Patos, passando pelo Canal São Gonçalo, está sendo retomado pelos governos dos dois países. Portanto, o objetivo da Expedição Seival é chamar a atenção das autoridades e da sociedade sobre a viabilidade do projeto, que tem objetivos sociais e culturais, além dos econômicos.

O Seival, que partiu de Porto Alegre no dia 10 de dezembro, chegou a Pelotas na noite da segunda-feira (11). No dia seguinte, partiu pela manhã do porto de Pelotas em direção a Santa Isabel, vila de pescadores do município de Arroio Grande, que fica às margens do Canal São Gonçalo.

O historiador Marcelo Gil e o jornalista Marcelo Coelho foram convidados a percorrer o trecho entre Pelotas e Santa Isabel a bordo do Seival. Os dois embarcaram no porto de Pelotas na terça pela manhã, juntamente com o embaixador do Uruguai no Brasil, senhor Guillermo Valles, que veio de Brasília especialmente para se juntar à expedição.

O convite ocorreu para que o historiador e o jornalista pudessem registrar a passagem do Seival pela foz do Rio Piratini, que deságua no Canal São Gonçalo. Isso se deve ao fato de que Gil vem há anos pesquisando o processo de ocupação das margens do Piratini. A ideia é produzir um documentário sobre esse processo, que se iniciou na década de 1750, quando os portugueses construíram o Forte São Gonçalo na margem sul do Rio Piratini, nas proximidades de sua foz no Canal São Gonçalo. Em 2022 o Gil encontrou o local em que este forte existiu há cerca de 270 anos.

O Seival chegou em Santa Isabel às 19h30 de terça-feira, após mais de 8 horas de viagem pelo Canal São Gonçalo, com a força do vento, já que o barco é um veleiro e possui motor somente para a realização de pequenas manobras. Na manhã de quarta-feira (13), o Seival seguiu viagem em direção ao Uruguai.