Administração de Pedro Osório convida para Expofesta Regional da Melancia e aborda ações do mandato

O prefeito Moacir Alves (MDB), o Chola, e o vice Cal Oliveira (PDT) comemoram o retorno da festa e destacam a expectativa do público pela realização do evento. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Dois anos após a fase aguda da pandemia, mais uma retomada está marcada na Zona Sul. Um dos principais eventos do calendário festivo da região está de volta neste fim de semana, 11 e 12 de fevereiro, no Parque de Exposições do Sindicato Rural de Pedro Osório, com a 20ª edição da Expofesta Regional da Melancia.

Como de praxe, não falta agricultura familiar. O setor estará presente com artesanato e agroindústrias. Segundo a chefe do escritório municipal da Emater, Carine Harter, serão 25 expositores, que vão oferecer queijos, panificados, embutidos, ovos de aves livres de gaiolas, produtos in natura, sucos, entre outros produtos.

Mas não apenas, a programação prevê praça da alimentação, etapa do campeonato de veloterra, parque de diversões, área de acampamento, intensa grade de shows, com nomes como Serginho Moah, no sábado, e Nenhum de Nós, no domingo, e ela, a dona da festa: fatias de melancia gelada e totalmente de graça para o público, estimado em 30 mil pessoas.

“O retorno da nossa festa é importante para a economia do município, nas outras edições a gente teve afluência expressiva de público. A festa gera empregos e renda às pessoas que põem seu estande, que vendem seu artesanato, sua bebida, seu alimento, é a principal festividade de Pedro Osório e tem uma influência muito grande do ponto de vista econômico, são 700, 800 pessoas que se beneficiam diretamente”, celebra o prefeito Moacir Otílio Alves, o Chola (MDB), em seu quarto mandato (duas reeleições) à frente do Executivo local.

O vice, Cal Oliveira (PDT), reforça esse apelo: “Gera renda, traz ganhos ao comércio, é preciso contratar gente para montar a estrutura. A Festa da Melancia só perde para a Fenadoce na região, estamos confiantes de que teremos uma das melhores edições, estão todos convidados a prestigiar nosso município e a desenvolver o turismo da nossa região”, disse.

Segundo Chola, o parque onde a Festa é realizada está pronto para receber o público, e com melhorias. Parte do acesso ao local recebeu calçamento. O investimento com recursos do poder público oferece retorno garantido com venda de ingressos, de estandes e com a captação de patrocínios para viabilizar o evento. Toda a prefeitura se envolve. “Temos que estar preparados, vem muita gente”, diz. A se confirmar a estimativa de público, o número de pessoas em circulação na cidade mais que triplica. “Vem [gente] de toda a região”, reforça.

O fluxo esperado já movimenta o governo municipal a pleitear uma mudança de status, tornando o evento não mais regional, mas estadual. No fim de janeiro o tema foi pauta dos encontros da comitiva pedro-osoriense em Porto Alegre, onde a Expofesta foi divulgada no Palácio Piratini, na Assembleia Legislativa, na Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul), entre outras instituições.

O prefeito garante que o município está de braços abertos para receber os turistas que no verão, com ou sem Festa, já lotam o camping junto ao rio Piratini nos fins de semana.

Presença muito bem-vinda. Chola reconhece que Pedro Osório foi muito atingida pela pandemia, com a necessidade de impor lockdowns, além da perda de pessoas queridas pela comunidade. “As pessoas sentiram falta de Pedro Osório”, afirma. Pelas redes sociais, eram frequentes a partir de dezembro e janeiro de 2021 e 2022 os questionamentos sobre a realização da Festa da Melancia e se o camping estaria aberto. “É hora de curar as feridas que o Covid deixou na cidade”, conclama.

Administração

Festividade à parte, administrar Pedro Osório é tarefa para o ano inteiro. Chola não nega que os efeitos da estiagem terão impactos “pesados” na arrecadação. No início de janeiro, dia 10, quando foi decretado estado de emergência, os prejuízos estavam estimados em R$ 10 milhões. Ainda assim, o prefeito não deixa dúvidas: o município está com todas as suas obrigações em dia, o que inclui funcionalismo e fornecedores. “Não devemos nada pra ninguém”, relata. No entanto, não nega a preocupação com o futuro.

“O governo federal [gestão anterior] nos deu dinheiro, mas nos impôs obrigações difíceis de cumprir, como o aumento dos professores, sem nos dar a fonte”, reclama, em referência ao Piso Nacional do Magistério, que a prefeitura cumpriu com três meses de pagamento retroativo. O próximo é o da Enfermagem, o que faz o prefeito pôr em dúvida a capacidade das prefeituras em um cenário de queda de receita.

Iniciativa disponibiliza transporte gratuito para as zonas urbana e rural do município. (Foto: Divulgação)

Até agora, porém, a gestão segura as pontas. Serviços importantes, como as 320 refeições servidas de segunda a sexta-feira nos três restaurantes comunitários da cidade, seguem em execução. O transporte coletivo, no qual Pedro Osório é destaque por prestá-lo gratuitamente, também. Aliás, cabe o registro: apenas dois municípios em todo o estado oferecem o serviço sem ônus à população. O outro é Parobé, na Região Metropolitana.

Detalhe: Pedro Osório foi o primeiro, a partir de novembro de 2018. “Importante destacar que a gente transformou em lei [a gratuidade do serviço]”, observa Chola. “É uma política do município, não de governo”. Em novembro de 2022, a iniciativa ganhou o segundo lugar no 4° prêmio Boas Práticas, da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), na categoria Mobilidade Urbana.

São seis viagens diárias no perímetro urbano, duas mensais para o interior, contemplando mais de 200 passageiros. “É um gasto a menos para o cidadão, que fatalmente vai usar em outra coisa, fazendo o dinheiro circular no município”, diz Chola.

Outro serviço de transporte subsidiado pela prefeitura é o que desloca em ônibus rodoviários dotados de ar condicionado uma média de 250 estudantes para o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e para as universidades em Pelotas – de segunda a sexta-feira, a um valor de R$ 2,04. São três linhas, manhã, tarde e noite, em três ônibus seminovos.

Educação

Administração busca fomentar a Educação no município, por meio de entrega de materiais escolares e outras iniciativas. (Foto: Divulgação)

Pedro Osório conta com três escolas, uma de ensino infantil e as demais do ensino fundamental, totalizando mil alunos e cerca de 70 servidores, entre professores e funcionários. Todos recebem o Piso Nacional do Magistério. Aqui, outra primazia do Município: na Zona Sul, segundo a prefeitura, foi o primeiro a cumprir com a demanda.
Neste ano a prefeitura pretende retomar o Enem Cidadão, curso preparatório gratuito para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a interessados em entrar para a universidade.

Foi suspenso durante a pandemia. No primeiro ano em funcionamento, 2018, foram aprovados 11 estudantes – 35%. No ano seguinte, ampliado, com novas salas e maior corpo docente, outros dez emplacaram aprovação. “Programas que dão certo a gente tem uma reserva financeira para mantê-los”, admite o chefe do Executivo. “Vale o esforço.”

Saúde

A pandemia desafiou os esforços. Chola ainda lamenta o falecimento de 31 pessoas em Pedro Osório vítimas da Covid-19. “Fomos muito atingidos, perdi secretários que trabalhavam com a gente todos os dias”, diz. De março de 2020 até o fim de janeiro deste ano foram registrados mais de dois mil casos. Após Alegrete, foi o segundo município no estado a decretar lockdown.

Saúde recebeu mais de R$ 7 milhões de investimentos, o que corresponde a 32,13% do orçamento municipal. (Foto: Divulgação)

Parte da população resistia ao isolamento. Foi necessário chamar parte do efetivo da Brigada Militar de Pelotas, além de acionar o setor de inteligência da corporação, para reprimir festas clandestinas. A saída foi seguir com disciplina as orientações da Secretaria de Saúde do Estado, com adoção, inclusive, de barreiras sanitárias.

Afora a Covid, em 2022 foram investidos na Saúde mais de R$ 7 milhões, o que corresponde a 32,13% do orçamento municipal – um salto em relação a 2021, cujo percentual de investimento bateu em 24,14% do total da arrecadação. Os recursos têm sido alocados na Santa Casa, que passa por intervenção da prefeitura. A unidade dispõe de 41 leitos – oito deles referência em saúde mental.

Santa Casa passa por intervenção do Executivo, com aumento no valor de repasses recebidos e diminuição de dívidas. (Foto: Divulgação)

É na Santa Casa também onde funcionam as duas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além de um posto avançado no interior. Quem fala agora é o coordenador geral de Administração, Ricardo Alves, ex-secretário de Saúde e hoje interventor da Santa Casa: “Investimos na Farmácia Municipal, em serviços de terapia, no Medicasa, que leva medicamentos a idosos ou pessoas com problemas de locomoção”.

Há recursos também para custeio de consultas, exames e cirurgias que o Estado não cobre, além do deslocamento de pacientes a outros municípios. “Em 2021 transportamos 5.701 pacientes, em 2022 quase que dobrou, 9.358 – a média é de 15 pessoas por dia a municípios da região, capital e até Passo Fundo”, diz Alves. O transporte é feito por van, dois veículos pequenos, além de duas ambulâncias. Para este ano a frota deve ser reforçada com a aquisição de mais uma ambulância.

A intervenção na Santa Casa, decretada em fevereiro de 2021, merece registro: desde então, conforme Alves, o aporte de repasses mensais à unidade hospitalar que também atende a vizinha Cerrito, o 2º distrito de Piratini, a comunidade de Passo das Pedras (Capão do Leão) e a de Santa Isabel (Arroio Grande) quase duplicou – de R$ 50 mil para R$ 90 mil, o que recupera uma série de ações em âmbito de Estado e União, dentre elas o caráter filantrópico – condição que abre caminho para consolidar convênios e contratos, além de abatimentos em dívidas com a Fazenda Nacional, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e CEEE Grupo Equatorial.

A recuperação fiscal da Santa Casa se reflete na comunidade. Hoje, o hospital presta ao mês uma média de 1,2 mil consultas. “E por dois anos seguidos concedemos aumento salarial aos servidores, com abono de final de ano”, acrescenta o interventor. “Não fosse a intervenção certamente o hospital estaria fechado”, pontua.

Esporte

Série Ouro teve o Mamutão como campeão e lucro das bilheterias revertidos aos servidores da Santa Casa. (Foto: Divulgação)

Ex-jogador profissional de futebol, Chola vestiu a camisa do Esporte Clube Pelotas nos anos 1970, mesmo período em que cursou Medicina, e não permite mandar essa pauta para escanteio, colocando o tema na área.

A retomada do Municipal de Futsal, disputado entre agosto e novembro com 19 equipes, reverberou na Santa Casa. Os lucros da bilheteria e da copa do Ginásio 3 de Abril foram diretamente revertidos aos servidores do hospital, que também vestiram a camiseta, assumindo a gestão desses serviços durante toda a competição – 15 rodadas no total. Golaço: o valor arrecadado custeou metade do 13º do quadro de funcionários.

Além da competição, a prefeitura viu dar frutos o projeto Viva Vida, da Secretaria de Assistência Social, com a gurizada das equipes das categorias Sub 11 e Sub 13 campeãs em torneios realizados em Arroio Grande. A iniciativa garante treinador, material esportivo e transporte. Contempla 108 guris. Além de futsal, oferece taekwondo e outras artes marciais.

Para este ano Chola pretende reativar os campeonatos de futebol de campo “com cinco ou seis equipes”. Outra saída também alentada pelo ex-jogador é propor um regional com equipes das cidades vizinhas.

Infraestrutura

Rua Emílio Jorge Félix, que dá
acesso ao Sindicato Rural, recebeu
investimentos em pavimentação. (Foto: Divulgação)

Por meio do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), o governo municipal já aplicou R$ 4 milhões em pavimentação. “Também fomos muito ajudados por emendas parlamentares”, diz o prefeito, num total de quase R$ 5 milhões. Com esses recursos foi possível pavimentar quase 100 quadras. “Grande parte dos vereadores faz a sua parte, buscando recursos com deputados e senadores”, reconhece. “Nossa avenida principal, mesmo, foi por emenda”, lembra.

Ao todo, em seis anos de mandato, eleição e reeleição, já são mais de R$ 10 milhões em pavimentação. Vem mais por aí: são várias obras licitadas ou em andamento. É o caso da Alberto Pasqualini (com ciclovia), Mimosa Rodrigues, José Bonifácio (a partir do cemitério), Mauá, Arroio Grande, entre outras. “A meta é ligar todo o centro com asfalto”, diz Nunes.

Carnaval

Festa confirmada para 24 e 25 deste mês. A prefeitura vai investir R$ 7 mil em cada um dos quatro blocos e dois trios elétricos. Em 2020, última edição, foram R$ 4 mil. A corte foi escolhida no fim de janeiro durante evento no Camping. “Não é muito, mas ajuda, a comunidade se envolve, junta gente, pessoal aproveita para fazer renda, vale a pena”, justifica Chola.

Relação com a Câmara

“Não tivemos nenhum projeto rejeitado em 2022”, orgulha-se o prefeito. Mas não apenas. A aplicação da devolução do duodécimo, que ocorre a cada fim de ano Legislativo, é discutida em conjunto com os representantes do povo pedro-osoriense. Ano passado, com esses recursos, foram destinados cobertores para a campanha do agasalho, para reforma do gerador da Santa Casa, para instalação de semáforo, entre outras iniciativas. “O que a Câmara sugere nós aplicamos”, diz Chola.

Agricultura

Desde o decreto de situação de emergência, a estiagem severa já triplicou as perdas, que atualmente giram em torno de R$ 30 milhões, especialmente nas lavouras de soja e milho. O abastecimento de água potável precisa, há cinco verões, ser feito com caminhão-pipa no interior. Chega a realizar quatro a cinco viagens por dia em um município com 600 quilômetros de extensão para atender em torno de 50 famílias. Para o prefeito, já era necessário ter políticas públicas permanentes para um problema que se repete a cada verão. “Não dá mais para ser operação abafa”, queixa-se.

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