Cerrito amplia estratégia para sustentar a produção em meio à crise do leite

Em reunião realizada na última quinzena de novembro, na Vila Freire, cerca de 40 produtores participaram da apresentação das regras do Plano Safra do Rio Grande do Sul – Bônus Mais Leite. (Foto: Divulgação)

Cerrito intensificou, em novembro, as ações de apoio aos produtores de leite diante do agravamento da crise que afeta a cadeia produtiva em todo o Rio Grande do Sul. Em reunião realizada na última quinzena do mês, na Vila Freire, cerca de 40 produtores, aproximadamente metade dos ativos no município, participaram da apresentação das regras do Plano Safra do Rio Grande do Sul – Bônus Mais Leite, política estadual de subvenção ao crédito rural destinada ao ciclo 2025/2026.

A mobilização ocorre em um período de retração estrutural no setor. Dados apresentados na segunda-feira (24) na Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa indicam que o Estado perdeu mais de 55 mil produtores em dez anos, reduzindo de 84 mil para 28,9 mil o número de famílias envolvidas na atividade. A Região Noroeste, responsável pela maior parcela da produção estadual, registrou queda superior a 1 milhão de litros mensais no volume entregue na última década. Estoques industriais elevados, consumo estagnado e oscilação das importações de leite em pó pressionam ainda mais o preço repassado ao produtor.

Diante desse cenário, Cerrito antecipou sua adesão ao programa estadual. O Bônus Mais Leite é executado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, com financiamento do Fundo Plano Rio Grande. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) coordena o chamamento das instituições financeiras habilitadas, entre elas o Banrisul, Sicredi, Cresol e Sicoob. O programa concede subvenção de 25% em operações de custeio, limitada a R$ 5 mil, e em operações de investimento, limitada a R$ 25 mil, destinadas exclusivamente à manutenção e qualificação da produção.

No município, a Emater/RS-Ascar é responsável pela elaboração dos projetos técnicos exigidos para a participação no programa. Segundo o escritório local, oito propostas já foram enviadas ao Estado, e novas submissões devem ocorrer nas próximas semanas devido à crescente procura registrada no atendimento. O movimento coloca Cerrito entre os primeiros municípios da região a buscar enquadramento junto ao governo estadual.

A crise no setor leiteiro tem afetado diretamente o orçamento das propriedades rurais. Levantamentos apontam queda superior a dois dígitos no preço pago em diversas regiões do Estado, somada ao aumento dos custos de ração, influenciados pelos valores de milho e soja. Nesse contexto, o programa tem sido avaliado como uma alternativa para reduzir pressões imediatas sobre as pequenas e médias propriedades.

O chefe do escritório municipal da Emater, Leandro Andrade, avaliou o impacto da política pública na realidade local. “O programa chega em um momento em que o produtor enfrenta queda significativa no valor do leite. Contar com um mecanismo que injeta fôlego financeiro na atividade e oferece condições mínimas para manter a produção tem sido fundamental para atravessar essa fase de instabilidade”, disse.

A economia de Cerrito tem base agropecuária, com relevância destacada para a pecuária e produção leiteira, o que amplia o alcance das medidas de apoio. Com a mobilização de metade dos produtores e assistência técnica em andamento, o município se posiciona para acessar recursos que podem contribuir para a manutenção e sustentabilidade da produção local.