Tradição e sabor marcam 19ª Festa do Leite Jersey em Cerrito

Pão na pedra quilombola e a ambrosia à moda antiga foram preparados em tempo real durante o evento. (Foto: Celestino Garcia/JTR)

Entre aromas nostálgicos e sabores que contam histórias, a 19ª edição da Festa do Leite Jersey, realizada entre sábado (18) e domingo (19), em Cerrito, foi palco não apenas da celebração da pecuária leiteira, mas também da valorização da culinária tradicional por meio do pão na pedra quilombola e a ambrosia à moda antiga. Ambas as receitas ultrapassam o paladar e se conectam com a memória, a resistência e a identidade do povo cerritense.

Uma das atrações mais esperadas do evento foi, mais uma vez, a produção ao vivo do tradicional pão na pedra, preparado pelas comunidades quilombolas do município. Atualmente, Cerrito abriga duas comunidades remanescentes de quilombos: Lixiguana e Quilombo Emília de Moraes, que preservam com orgulho a técnica ancestral.

A receita, feita com farinha de milho, farinha de trigo, banha, açúcar, sal e fermento, é cozida sobre pedras quentes ao ar livre, exatamente como os antepassados faziam. Rubens Nunes da Rosa, de 82 anos, morador do Quilombo da Lixiguana, é um dos cerritenses que mantém viva essa tradição local. O idoso participa da festa há mais de uma década oferecendo aos visitantes a chance de experimentar o sabor da ancestralidade. “Essa receita é nossa história, nossa cultura”, resume o quilombola, que vê no pão na pedra um ato de preservação e resistência.

Além do seu valor gastronômico, o pão na pedra é reconhecido como patrimônio cultural. Em 2020, foi incluído no Inventário Nacional de Bens Culturais Imateriais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reafirmando seu papel como símbolo da culinária afro-brasileira.

Outro momento que emocionou o público foi o preparo da ambrosia à moda antiga, um doce que remete aos tempos das cozinhas coloniais e às receitas passadas de geração em geração. No município, a tradição foi mantida por Nilmar Júlio Santos e sua esposa Luciana Santos, moradores do interior do município, que prepararam uma grande quantidade da iguaria com 20 litros de leite, 100 ovos e 10 quilos de açúcar. O doce foi cuidadosamente cozido durante quatro horas em fogo brando até atingir o ponto ideal da ambrosia artesanal.

Ambas as delícias foram distribuídas gratuitamente ao público presente. De acordo com a organização, a distribuição dos alimentos reforçou o espírito comunitário da festa, tornando a experiência ainda mais especial para quem passou pelo evento.