
O ato simbólico de abertura da colheita, realizado na tarde de quinta-feira (20), na sede da Embrapa Terras Baixas, em Capão do Leão, encerra o evento da 35ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas e marca o início oficial dos trabalhos de colheita nas lavouras do Rio Grande do Sul. Segundo informações do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a colheita já começou na Fronteira Oeste, uma das primeiras regiões produtoras a também iniciar o plantio da safra. Na área demonstrativa Breno Prates, colhida simbolicamente, arroz e soja foram plantados lado a lado, em uma demonstração da diversificação do sistema produtivo gaúcho.
Dados divulgados pelo Instituto, no primeiro dia do evento, na terça-feira (18), o Estado semeou 970.194 hectares de arroz irrigado na safra 2024/2025. A área é 7,8% maior do que o ano passado, um acréscimo de 69.991 hectares em relação a 2023/2024. Já a soja em terras baixas fechou em 364.296 hectares e apresentou um decréscimo de 13,72% em relação ao ano passado – uma redução de 57.914 hectares. No arroz, houve incremento no plantio em todas as regiões produtoras, com destaque para a Zona Sul, que fechou em 168.071 hectares semeados, incremento de 8,91% em relação a 2023/2024. Os produtores da Zona Sul devem começar a colher suas lavouras no mês de março.
A produção brasileira de arroz aguardada, segundo números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), durante a reunião da Câmara Setorial, na terça, é superior a 11,7 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul deve ser responsável pela produção de mais de 7,99 milhões de toneladas deste montante. Na safra 2023/2024, o Estado produziu 7,16 milhões de toneladas. O incremento esperado de produção é de 11,7%.
Discursos
Durante a cerimônia de abertura, em tom de despedida da entidade que presidiu por seis anos e que foi vice-presidente por três, Alexandre Velho apresentou as reivindicações do setor arrozeiro aos representantes dos governos federal e estadual presentes na cerimônia. “Quando na história se vendeu arroz abaixo do preço de mercado? Precisamos que a Conab venha ao Rio Grande do Sul para atualizar os custos de produção, hoje o principal problema da lavoura arrozeira”, salientou. Velho também fez apelo para o livre mercado, ressaltando que a cadeia arrozeira não irá aceitar intervenções no mercado de arroz.
Segundo ele, o setor arrozeiro precisa de um custo de produção inferior a R$ 90, um dos principais motivos do endividamento do setor atualmente. Também destacou a falta de um seguro agrícola adequado para a lavoura arrozeira.
O governador em exercício, Gabriel Souza (MDB), disse que o governo do Estado tem total compromisso com o setor produtivo e apresentou as ações em favor das instituições de pesquisa, como o Irga, de onde vem mais de 60% do material utilizado hoje na lavoura gaúcha, entre elas a intregalização da taxa CDO ao orçamento do Instituto, o que proporcionou mais de R$ 50 milhões em investimentos na autarquia. Souza também lembrou os investimentos do governo estadual nas rodovias gaúchas e o acordo histórico fechado com o Ministério Público sobre o bioma pampa para que a área plantada fique de fora do cômputo da reserva legal.

O governo federal foi duramente criticado pela falta de apoio ao setor produtivo gaúcho. O vice-presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho, falou sobre a necessidade urgente de se olhar para o problema da irrigação e reservação de água, a fim de evitar o desperdício de 1,8 mil milímetros de chuvas que caem todo o ano no Estado. “Sem água, a produção não pode se expressar”, salientou. Também reforçou o problema enfrentado pelos produtores diante de quatro secas e as enchentes de maio, o que gerou grande endividamento e a necessidade de alongamento das dívidas, a partir de Projeto de Lei protocolado pelo senador Luiz Carlos Heinze (PP).
Na sua fala, o superintendente do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, José Cléber Dias, rebateu as acusações lançadas contra o governo federal, afirmando que há grande preocupação em relação à produção e segurança alimentar do brasileiro. Segundo Dias, um dos principais instrumentos para fortalecer o setor são os recursos disponibilizados através dos Planos Safra. “Em 2023 e 2024, foram R$ 36,5 bilhões e somente de julho a dezembro do ano passado, foram R$ 20,3 bilhões, o que prova que o governo continua acreditando na produção agrícola”. De julho a dezembro, o setor arrozeiro gaúcho utilizou R$ 1,9 bilhão destes recursos. “Estes números se refletem no aumento de área e produtividades que devem chegar a 8,5 mil toneladas por hectare”, apontou o superintendente.

Avaliação
O chefe geral da Embrapa Clima Temperado Pelotas, Waldyr Stumpf Júnior, avaliou como extremamente positiva mais esta edição do evento, que atraiu aproximadamente 15 mil pessoas à sede da unidade de Capão do Leão. “Somente no primeiro dia, 6,8 mil pessoas acessaram o local do evento”, assegura.
Júnior afirma que o primeiro sinal positivo foi o clima, que se mostrou ameno e agradável. “O evento está atingindo um ponto de maturidade, com infraestrutura cada vez melhor, maior número de expositores tanto na área de exposição quanto na vitrine tecnológica”, destacou. Ele salientou ainda a ampliação dos espaços de discussão e troca de experiências como palestras, reuniões e fóruns. “Foram mais de 85 eventos, inclusive a reunião da Câmara Setorial Brasileira do Arroz realizada no primeiro dia”, ressaltou.
O chefe geral também destacou a ampliação da área do evento, com a abertura de novos espaços e ruas, totalizando 27 hectares de área dinâmica com lavouras demonstrativas, máquinas, equipamentos, estandes e a ampliação dos auditórios.
Segundo Júnior, a expectativa dos parceiros é de manutenção do evento no local para as próximas edições. “A estrutura é muito boa, a região oferece condições, pela proximidade entre Pelotas e Capão do Leão, com aeroporto, hotéis, restaurantes, muito perto em relação à área de produção de arroz, estradas boas, está tudo muito adequado”, destacou.
“A Embrapa Terras Baixas é hoje o centro de eventos a céu aberto da região, que tem muita experiência e conhecimento acumulados, está ligada a vários segmentos produtivos e esta é uma oportunidade econômica para movimentar os negócios”, completou.
A Embrapa participa como apoiadora do evento desde 2003, quando o evento ainda era itinerante e foi realizado em Santa Vitória do Palmar. “Hoje, o evento é da cadeia produtiva, com a adesão da indústria, academia, produtores, sindicatos, associações e um espaço de atualização tecnológica e científica, de avanço de conhecimentos e de negócios e também de reivindicação política”, finalizou Júnior.



