Capão do Leão: ONG Semear busca sede própria para continuar trabalho com jovens em vulnerabilidade

ONG atende cerca de 254 crianças e adolescentes com alimentação e atividades educativas. (Foto: Divulgação)

Há seis anos, a ONG Semear de Capão do Leão contribui com a formação de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social a partir da oferta de refeições e atividades educativas.

A organização atua desde abril de 2016 atendendo jovens do bairro Jardim América, conforme Luciana Reichow, professora no município de Pelotas e voluntária da ONG. Segundo ela, a ideia para a criação da Semear surgiu a partir do trabalho voluntário realizado por Rafael Peres e Silvana Cunha. O casal costumava levar alimentação aos moradores de rua quando, em uma destas ações, um dos auxiliados disse aos dois que deveriam fazer um trabalho semelhante com crianças, para evitar que estas chegassem onde eles estavam, a rua. E foi assim que Peres e Silvana, atual presidente da ONG, começaram o trabalho.

E é justamente essa ligação com quem não possui um lar que motiva as ações feitas diariamente pelo casal fundador e os voluntários. “Um dos objetivos da ONG é não deixar essas crianças assim, na rua, soltas na rua, porque muitas vezes os pais estão trabalhando e não têm com quem deixar essas crianças e elas ficam, como dizemos popularmente, correndo na rua, aprendendo, muitas, o que não deve, com más influências. E lá (na ONG) não, elas estão alimentadas, sendo educadas”, detalha Luciana.

Na Semear, cerca de 254 crianças e adolescentes encontram serviços como atividades, brincadeiras, reforço escolar, esportes, refeições, de forma totalmente gratuita. A ONG também possui um brechó no qual a comunidade pode realizar a retirada das peças que precise.

Entre atividades especiais como festas de Dia das Crianças, Páscoa e Natal, os auxiliados pela Semear recebem presentes e doces para celebrar da forma como muitas vezes não seria possível por questões econômicas. Todas as comemorações contam com o apoio e doações da comunidade e também são abertas ao público. “Neste Natal passado distribuímos mil presentes. São todos doações, brinquedos novos e usados em bom estado”, explica a voluntária.

Voluntários também atuam na distribuição de sopão aos sábados. (Foto: Divulgação)

Ainda com foco em proporcionar a alimentação das pessoas em vulnerabilidade social, a ONG oferece aos sábados um sopão comunitário para garantir mais uma refeição a quem precisa. Silvana cita que alguns relatos marcantes surgem ao longo dessas ações, como o caso de uma mulher que comentou que a sopa distribuída seria o seu alimento durante a semana. “Nós fizemos ela [a sopa] bem grossa, bem consistente, e ela falou que ia dissolver aquela sopa para que durasse a semana inteirinha pra que semana que vem ela pudesse vir buscar de novo”, conta a presidente.

As práticas artísticas e culturais também são um dos focos do local que, além de contar com um professor de Artes, também oferta aulas de capoeira.

Integrantes da Força Pré-Operacional Brasileira (Fope) também realizam trabalhos com as crianças incentivando a prática de exercícios físicos e o treinamento em campo.

O trabalho de levar alimentação às pessoas que ficam na rua, inspiração para o início da instituição, ainda é realizado por um grupo de voluntários que também integra a organização.

No entanto, um dos maiores desafios enfrentados pela ONG é a falta de sede própria para desenvolver as atividades. A instituição não recebe auxílio financeiro do poder público e, atualmente, aluga um espaço no nº 360 da rua Érico Veríssimo, no bairro Jardim América e realiza, no terceiro domingo de cada mês, um almoço pago para arrecadar a quantia necessária.

A ONG reforça que quaisquer doações que a comunidade desejar fazer, seja de roupas, brinquedos ou alimentos, pode ser comunicada através do telefone (53) 99709-2178, também a chave Pix para doações. Membros da organização podem retirar os itens direto com o doador, seja em Capão do Leão ou Pelotas.