Marca Capolivo é produzida nos olivais da Fazenda Tarumã da Boa Vista em Canguçu

O azeite Capolivo é fabricado com azeitonas produzidas na Fazenda Tarumã da Boa Vista, no 3º Distrito de Canguçu (Foto: Arquivo/Capolivo)

Do interior de Canguçu, município com área superior a 657 hectares de olivais e, pelo menos, seis produtores, vem o azeite Capolivo, fabricado com azeitonas produzidas na Fazenda Tarumã da Boa Vista, no 3º Distrito do município. No local, estão implantados 100 hectares de olivais, com primeiro plantio em 2012, das variedades grega Koroneiki, responsável por 60% da produção, além das espanholas Arbequina, Arbosana e Picual, e italianas Frantoio, Ascolana, Manzanilla e Coratina.

A marca, uma junção do sobrenome da família Capoani com olivo – oliveira em italiano – foi escolhida por Jadir Capoani, conta a responsável pelo Marketing da empresa, Carolina Capoani, que é neta do empreendedor. Segundo ela, aos 74 anos, o avô decidiu que ia plantar oliveiras e foi buscar a inspiração em sua terra natal, a Itália. Antigo proprietário da indústria Iriel de interruptores, em Canoas, no ano de 2003, vendeu a empresa para a Siemens e resolveu diversificar. Todo o trabalho realizado na fazenda é resultado de intensa pesquisa e estudo da família junto a produtores e cooperativas na Itália e na Espanha. “Brasileiro não conhece azeite bom, Brasil e Estados Unidos são os maiores importadores do produto”, ressalta Carolina.

Atualmente, a produção está focada em azeites de extrema qualidade. “Os olivais estão em fase de maturação e as azeitonas devem começar a ser colhidas entre o final de fevereiro e o início de março”, explica. Ainda não é possível estimar com precisão a produção para a próxima safra. “Em cerca de 15 dias, teremos mais informações sobre isso”, garante. A diretora de Marketing conta que a produção da safra 2024 foi reduzida. “No entanto, trabalhamos com azeite da safra 2023, que, apesar de ser de um ano anterior, teve um excelente desempenho no concurso TerraOlivo, onde conquistamos medalha de Ouro nas variedades Picual e Coratina, competindo com azeites da safra atual”, afirma.

De acordo com Carolina, a qualidade do azeite Capolivo é indiscutível. “Todos os concursos que participamos recebemos premiação, entre elas, duas medalhas de Ouro, em Dubai e Nova York”, destaca. A maior premiação veio em 2019, quando a marca Capolivo foi eleita como o melhor azeite do Brasil e do Hemisfério Sul no concurso Brasil Oliveoil Competition.

Para a empresa, a primeira safra foi simbólica, em 2018, com a produção de 300 litros de azeite extravirgem. Em 2019, houve uma supersafra, quando foram produzidos 14 mil litros. “O foco é acelerar a colheita, diminuir os custos e otimizar o tempo”, afirma Carolina. Segundo ela, o tempo entre a colheita e a extração do azeite tem grande influência na qualidade do produto, garantindo a entrega ao consumidor de azeite de excelência, com frescor e sabor exclusivos do azeite extravirgem, variando entre o levemente amargo ao picante, com acidez inferior ou igual a 0,2%.

“Azeite extravirgem possui acidez abaixo de 0,8%. Acima desse valor até 1,5% é considerado virgem e acima disso é lampante ou impróprio para o consumo”, diz Carolina, ressaltando que essas informações devem estar à disposição dos consumidores. A diretora de Marketing reforça a campanha lançada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) com o tema “Azeite virgem não é azeite extra virgem, não se deixe enganar”. O objetivo é alertar o consumidor que alguns azeites importados que estão nas prateleiras têm classificação extravirgem equivocada.

Os produtores internacionais enviam para o Brasil azeite virgem com rótulo de extravirgem. Carolina aponta não haver problema em consumir azeite virgem, produzido com frutos mais maduros e que possui preço inferior, porém, “o consumidor tem o direito de ser informado sobre o que está consumindo”.

Além disso, o azeite deve ser produzido e engarrafado no mesmo local de origem. Este trabalho ainda é terceirizado por uma empresa também de Canguçu. “Como temos de 60% a 70% do pomar em produção, ainda não foi viável a instalação de lagar (local onde se extrai o azeite) na propriedade, só quando estiver 100% produzindo”, ressalta.

A Fazenda Tarumã da Boa Vista tem extensão de 4,1 mil hectares e, além da área do olival, três mil hectares são ocupados por pinus e uma área de reserva legal. Também se dedica à pecuária de corte.