Feiras agrícolas e coloniais reforçam a comercialização de produtos em Canguçu

No momento, seis famílias realizam a comercialização de produtos da região na Feira da Canchinha. (Foto: Liziane Stoelben/JTR)

O título de Capital Nacional da Agricultura Familiar não veio à toa. Canguçu possui milhares de propriedades e famílias de pequenos produtores. Os minifúndios, juntos, são os principais responsáveis pela produtividade agrícola do município. Regados por histórias de lutas e desafios, suas existências são fruto de muito trabalho e dedicação diária.
Mas de que adianta plantar, cuidar e colher se não existe comercialização? E, pensando nisso, Canguçu desenvolve todo um trabalho de união entre produtores que vendem seus produtos dentro e fora do município. A principal ação dos produtores, aliados à Secretaria de Agricultura e Emater, são as Feiras Agrícolas e Coloniais.

Feira da Canchinha
Uma das mais recentes iniciativas é a Feira da Canchinha. Há pouco mais de três anos, os produtores canguçuenses foram chamados pela Prefeitura a armarem suas barracas e comercializarem seus produtos ao lado do gabinete do prefeito, local próximo à Canchinha Municipal. Em decorrência da pandemia e fatores relacionados ao clima, alguns agricultores se viram obrigados a deixarem esta possibilidade para trás.

Atualmente, são seis famílias, em sua maioria jovens, que realizam a comercialização de produtos da região. No local, são vendidos panificados caseiros, produtos coloniais, hortaliças, flores e demais alimentos. Um detalhe interessante é que nenhuma das mercadorias vendidas ali recebe agrotóxico, a produção é voltada somente para orgânicos.

A feira funciona todas as terças-feiras, das 7h às 13h. Entre os produtores, estão o casal Juliana Roloff e Fabiano Neufeld, que residem na Baixada do Rodeio, 3° Distrito, e estão trabalhando somente com orgânicos. Eles atuaram com a plantação de tabaco, mas devido a problemas de saúde, estão voltados a esta nova forma de vida. Contatos (53) 98464-3474 ou (53) 98404-2938.

Hornke Gehrmann e Marcelo Priebe Gehrmann, residentes da Santa Bárbara, 2° Distrito. Os dois acreditam que é importante a comunidade valorizar o trabalho dos agricultores do município. O Contato pode ser feito pelo número (53) 99965-2242.

A jovem Karina Braga Buchweitz, de 25 anos, técnica agrícola, atua na feira de forma autônoma. Ela quem realiza toda a produção de sua casa. Karina conta que fez sua especialização para se aperfeiçoar dentro da área, que sempre sonhou em continuar. “Eu nunca me vi fora do nosso município”. E completa: “Existem tantas belezas em Canguçu”. O contato é pelo (53) 99924-0407.

Bem próximo dali temos outra família, orgulhosa de atuar em Canguçu. O casal Gilciane Roloff Retzlaff e Dagoberto Retzlaff mora a 19 quilômetros da cidade, na Coxilha dos Cunhas, 1° Distrito, e ao lado dos filhos, trabalham em sua propriedade. “Nascemos e crescemos na agricultura, vamos seguir lá. Apenas lamentamos não haver mais espaço para nossos filhos continuarem na propriedade”, reforçam. Contatos pelo (53) 99951-2622 ou (53) 99956-7735.

A quinta barraca visitada foi a da família Duarte. Ao lado da filha, Iris Vitória da Silva Duarte, o casal Ilton Voltz Duarte e Ivete da Silva Duarte atuam na produção de caseiros, frutas e verduras. Eles moram no Ares Alegre, cerca de 18 quilômetros da cidade. O contato é pelo (53) 98415-5353.

Por problemas de saúde da sogra, Nildo Buchweitz, morador do Travessão do Taquaral, 2° Distrito, se viu sozinho na produção agrícola. Morador a 40 quilômetros da cidade, ele conta que a esposa precisou se dedicar aos cuidados com a mãe, que recentemente ficou acamada. Contato pelo (53) 98417-7995.

Na Feira Sabores da Terra, todos costumam apoiar uns aos outros (Foto: Liziane Stoelben/JTR)

Feira Sabores da Terra
A Feira Sabores da Terra ocorre todas as segundas-feiras, das 12h30 às 18h, iniciativa dos agricultores da Cooperativa União. No local, cada família tem uma banca mas todos costumam apoiar uns aos outros. A simpatia e cumplicidade dos produtores é o que mais chama a atenção.

Cátia e Cláudio Voigt são responsáveis pela primeira banca. Eles contam que sempre trazem produtos fresquinhos, colhidos de manhã e comercializados de tarde. O casal reside na Favila e realiza vendas em toda a cidade, através de tele-entrega. O contato é (53) 98474-9061.

Ao lado do casal, encontra-se a banca de Darci Radmann. Ele atua sozinho na propriedade, devido a um problema de saúde que deixou sua esposa impossibilitada de ajudar. Ele mora na Glória, 1° Distrito, e comercializa, entre outras coisas, vinho de laranja de fabricação própria. Contato (53) 99930-5976.

Os agricultores que moram mais perto da cidade são Claúdio Behling e Margarete Voigt Behling, residentes no Arroio do Moinho, 1° Distrito. Sua propriedade está localizada a 4km da cidade. Eles contam que o forte de vendas é a verdura e a rapadura. Na sua produção não é utilizado agrotóxicos. Cláudio conta que atuam no local há cinco anos, já possuem clientes assíduos. “Tem vezes que chegamos em casa e lembramos ‘por que será que aquela pessoa não apareceu hoje’ e na semana seguinte os clientes nos contam”. Contato (53) 98474-3048.

A jovem Andreia Weege Schroder trabalha sozinha com a produção de panificados, cucas, geleias, chimias, verduras e doces. Ela ainda possui a Feira Virtual Girassol, onde são entregues os produtos nas quintas-feiras. “A comercialização é tão positiva que “sobra pouco, e tudo que sobra se aproveita”, conta. O que não é vendido na feira vai para a alimentação dos animais. Contato (53) 98425-5213.

Outra família oriunda da Coxilha dos Cunha, 1° Distrito, os pais da vereadora Iasmin Roloff (PT), Paulo Renato Braga Rutz e Eliane Roloff Rutz são atuantes na comercialização de hotifrutigranjeiros, produtos coloniais, geleias, queijos e conservas. Eles contam que trabalham ao lado do filho mais jovem e um sobrinho. Contato (53) 99974-8052.
A fim de melhorarem a qualidade de vida, os produtores Jorge Luiz Quevedo Pires e Jucinara Gonçalves construíram uma propriedade referência no Ares Alegre, 1° Distrito. “Esse é o trabalho de uma vida, são 22 anos em cima desta terra”, dizem. “A feira foi fundamental para pararmos de produzir tabaco, ela [a feira] sustenta a nossa casa e na manutenção da propriedade utilizamos outras rendas, comemoram”. Contato (53) 99967-2780.

Ao lado de sua família, a jovem Letícia Klug Seefeldt, moradora da Lagoa dos Pereiras, 1° Distrito, conta que o carro-chefe de vendas na propriedade é o tomate, seguido do morango e pimentão. Atualmente, sua mãe Leni, pai Ingomar e irmão Artur se dedicam exclusivamente para este setor. “Já trabalhamos com outras rendas, como fumo, milho e frango. Mas nada se compara à produção de hortaliças. Nossa qualidade de vida está muito melhor!”. Contato (53) 98474-5528.

Produtores da Feira Ecológica Arpa Sul contam com a assistência do
Centro de Apoio e Promoção Agroecológica (Capa). (Foto: Liziane Stoelben/JTR)

Feira Ecológica Arpa Sul
Localizada ao lado da Prefeitura, a feira funciona todas as quintas-feiras, das 7h30 às 13h. Estes produtores contam com a assistência do Centro de Apoio e Promoção Agroecológica (Capa), produção colhida na região, abrangendo, principalmente, os municípios de Canguçu, Morro Redondo e Pelotas.

Além da feira de produtos coloniais, verduras e frutas, ali ainda ocorre a comercialização de outras agroindústrias. No espaço, existe a venda de peixe, através da Agroindústria Olho D’ água, frangos pela Agroindústria Paiol e embutidos pelos Embutidos Alves.
Os produtores lembram que tudo que ali é comercializado não leva agrotóxicos e, ainda, reforçam a importância de a população valorizar o setor agrícola da região. A Feira Ecológica Arpa Sul também acontece em Pelotas.

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