Canola tem área de cultivo duplicada no Estado

Levantamento da Emater/RS-Ascar aponta crescimento de mais de 100% na área cultivada com canola, enquanto trigo, cevada e aveia registram redução no Rio Grande do Sul. (Foto: Vanessa Almeida de Moraes/Divulgação)

A canola é o principal destaque da Safra de Inverno 2026 no Rio Grande do Sul. Segundo estimativas iniciais da Emater/RS-Ascar, a área destinada à cultura deverá crescer 102,64% em relação à safra anterior, alcançando 353.397 hectares. A produção também deve dobrar, chegando a 571.975 toneladas. Na região de Pelotas, a previsão é de cultivo em 9.950 hectares. Em contrapartida, culturas tradicionais de inverno, como trigo, cevada e aveia, terão redução de área plantada.

As estimativas foram apresentadas pela Emater/RS-
Ascar na segunda-feira (22), no Escritório Central da instituição, em Porto Alegre, com a presença da diretoria e gerentes estaduais, além dos secretários estaduais de Desenvolvimento Rural (SDR) e da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). O levantamento foi realizado entre 4 de maio e 16 de junho e contemplou praticamente todos os municípios produtores das principais culturas de inverno do Estado.

Apesar da expansão da canola, a produtividade média esperada para a cultura é de 1.619 quilos por hectare, 2,09% inferior à registrada na safra de 2025, quando o Estado alcançou média de 1.653 kg/ha.

Outro destaque na região Sul é a carinata, oleaginosa voltada à produção de combustível sustentável de aviação (SAF), que deverá ocupar 1.298 hectares na região de Pelotas. No Estado, a expectativa é de cultivo em 12.365 hectares, principalmente nas regiões de Santa Rosa, Ijuí e Bagé.

Cenário geral

A área cultivada com grãos de inverno no Rio Grande do Sul deverá atingir 1.575.634 hectares, redução de 10,76% em comparação com a safra anterior. A produção estimada é de 3.733.118 toneladas, queda de 22,15%.

Segundo a Emater/RS-Ascar, a retração resulta da combinação de fatores como elevados custos de produção, menor atratividade econômica dos cereais e aumento da percepção de risco, diante da previsão de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.

Como estratégia para reduzir riscos, parte dos produtores antecipou a semeadura em áreas não vinculadas a financiamentos ou cobertura securitária, buscando posicionar as fases de florescimento e enchimento dos grãos antes do período de maior intensidade das chuvas.

Culturas de inverno

O trigo, principal cereal de inverno no Estado, deverá registrar uma das maiores reduções. A estimativa é de cultivo em 814.220 hectares, queda de 30,18% em relação aos 1.166.163 hectares da safra anterior. A produção deverá recuar de 3.458.083 para 2.199.554 toneladas, redução de 36,39%. A produtividade também deve diminuir, passando de 2.968 para 2.701 quilos por hectare.

A cevada também apresenta retração significativa. A área cultivada deverá cair 36,52%, totalizando 20.320 hectares. A produção estimada é de 61.369 toneladas, 47,07% inferior à obtida em 2025. A produtividade prevista é de 3.020 kg/ha, redução de 16,62%.

A aveia branca segue a mesma tendência. A área deverá passar de 393.135 para 387.697 hectares, queda de 1,38%. A produção estimada é de 900.221 toneladas, redução de 3,79%, enquanto a produtividade média esperada é de 2.322 kg/ha.

Já a aveia preta deverá ocupar 94.950 hectares no Estado, concentrando-se principalmente nas regiões de Ijuí, Santa Maria e Soledade.

Confirmação do El Niño

O agrometeorologista da Seapi, Flávio Varone, apresentou as projeções climáticas para os próximos meses e confirmou a expectativa de atuação do fenômeno El Niño, com temperaturas e precipitações acima da média durante o inverno e intensificação na primavera.

Segundo ele, o excesso de chuvas poderá comprometer a qualidade dos grãos no final do ciclo das culturas de inverno e dificultar a colheita, além de atrasar o início da safra de verão em razão da elevada umidade do solo.

Para o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, a safra apresenta desafios relacionados ao clima, ao manejo, aos custos de produção e às dificuldades de acesso ao crédito.

O secretário estadual da Agricultura, Márcio Madalena, destacou a importância da renegociação das dívidas dos produtores e apontou a transição energética como um dos desafios para os próximos anos, com incentivo à produção de matérias-primas destinadas aos biocombustíveis.

Já o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, ressaltou o papel da Emater na produção de informações para o planejamento da atividade agrícola. Segundo ele, diante da frequência de estiagens e de eventos de chuvas intensas no Rio Grande do Sul, o trabalho dos extensionistas torna-se cada vez mais relevante para orientar os agricultores na adaptação às mudanças climáticas.

Canola é mais resistente a mudanças climáticas e demonstra ser uma boa alternativa financeira para produtores. (Foto: Vanessa Almeida de Moraes/Divulgação)

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