
Quando o trabalho na lavoura deixou de ser suficiente para manter a renda da família, Claiton Schneid passou a trabalhar como transportador de leite. Ao longo do tempo que passou na rota do leite de Canguçu colecionou histórias e amizades mantidas até hoje.
Schneid virou leiteiro quando percebeu que a agricultura não sustentava mais sua família e, então, passou a conciliar a coleta do leite com o plantio de verduras. Em cada rota percorria aproximadamente 300 quilômetros por todos os distritos de Canguçu e alguns de Pelotas. As coletas ocorriam em dias intercalados, independentemente do clima.
Com o tempo a forma de coleta mudou e a necessidade de testar o leite, pôs fim a prática dos produtores de deixarem os tarros cheios de leite diante das porteiras para o caminhão recolher. Isso também aumentou a responsabilidade dos transportadores que passaram a ter de testar o leite diretamente no resfriador a granel.
“O produtor perdia a produção se eu chegasse na propriedade e o leite estivesse ácido, porque eu não podia carregar assim. O que ele tinha que fazer, então, era descartar. Nosso serviço era levar o leite bom pra empresa, porque se eu carregasse um leite ácido perdia toda a carga. Não tinha como levar junto”, explicou.
Estradas são as maiores inimigas do transportador
As estradas, conforme Schneid, são as principais dificuldades enfrentadas. No 1º e 2º Distritos, de Canguçu, por exemplo, as subidas íngremes e as pontes frágeis tornavam o trajeto desafiador. “E nem sempre havia passagem. E daí, o que fazer? A gente tinha que dar a volta e achar outro caminho. Houve vezes que se chegava no caminho e a cabeceira da ponte tinha sido levada pela enxurrada. Como se conhecia o trajeto, dava volta e achava outro caminho. Isso aconteceu várias vezes”, contou.
Em dias assim, o motorista conta que saía da garagem com um apetrecho extra na cabine: uma motosserra para abrir passagem entre árvores derrubadas pelas tempestades. Mas às vezes a motosserra de nada adiantava porque o problema estava na estrada que se transformava em atoleiro e apenas com a ajuda de um trator era possível seguir adiante.
Apesar de todas as dificuldades, Schneid, que hoje transporta outros tipos de carga, diz sentir falta da lida e que mesmo com todos os desafios e a rotina exaustiva gostaria de voltar a trabalhar na linha do leite. “Eu gostava muito de fazer isso. Gostava por um motivo: gosto muito de conversar, sou comunicativo. Então a gente, acima de tudo, faz muitas amizades na linha de leite. De dois em dois dias tu estás na casa do produtor. A proximidade era tanta que quando decidi parar, muitos me pediram para continuar”.



