Canguçu mantém liderança nacional na produção de tabaco

Segundo dados da Afubra, município conta com cerca de 5 mil famílias produtoras e uma safra estimada em 24.224,6 toneladas, cultivadas em uma área de 9,1 mil hectares. (Foto: Divulgação)

Canguçu lidera a produção nacional de tabaco, conforme relatório divulgado pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) sobre a safra 2024/2025. Segundo o levantamento, o município conta com cerca de 5 mil famílias produtoras e uma safra estimada em 24.224,6 toneladas, cultivadas em uma área de 9,1 mil hectares.
Além de liderar o ranking regional, Canguçu também ocupa a primeira posição nacional em volume produzido. Na safra anterior, 2023/2024, o município já havia registrado destaque, com 18,1 mil toneladas produzidas em 8,9 mil hectares, envolvendo aproximadamente 4,9 mil famílias.

Rotina intensa marca o trabalho dos agricultores

Morador do Rincão dos Maias, no 1º Distrito de Canguçu, Rogemar Braga trabalha na lavoura há cerca de duas décadas. Há 14 anos, ele e a esposa decidiram investir no cultivo do tabaco, que se tornou o principal cultivo da propriedade. A escolha, segundo ele, ocorreu “por conta da renda em pequena propriedade, com pouca terra”.

Duas pessoas participam diretamente do trabalho. “A rotina é bem corrida. A gente se levanta de madrugada, 5h vai pra lavoura, para [parar de trabalhar] as 10h, na hora do sol quente. Depois vai pro galpão, coloca fumo no galpão e na estima. De tardezinha retorna pra lavoura de novo, e à noite coloca o fumo dentro da estufa”, contou Braga.

O agricultor afirma que o trabalho exige esforço e dedicação, mas nem sempre é reconhecido. “O produtor não é valorizado pelo que faz. Eu acho que tinha que ser mais valorizado. Dá muita mão de obra, muito serviço, é meses e meses”, disse.
Entre as dificuldades enfrentadas, Braga cita o clima e o custo da produção. “Tempo, clima, às vezes dá seca e às vezes chove demais. Os insumos muito caros e a mão de obra muito cara”, garantiu.

Mesmo com os desafios, ele segue no cultivo, embora já tenha considerado mudar de atividade. “Já pensei em parar de plantar tabaco e mudar de cultivo. Tanto que temos uns pés de pêssego, uma chácara de plantio de pêssego, 3 mil pés. Já pensei em parar pelo serviço que dá, já pensei em parar muitas vezes. Como não tem outra renda, tem que ser essa mesmo”.

Entre os momentos preferidos do trabalho, o canguçuense destaca a fase de enfardar e escolher o tabaco, além de quando se prepara para a entrega do produto e receber os valores. “E o mais desafiador é cuidar o fogo da fornalha à noite”, completou.

Expectativas para próxima safra

Como o caso da família Braga, outros tantos moradores de Canguçu têm no tabaco uma das principais fontes de renda de suas pequenas propriedades. De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Delair Radke, a expectativa é de estabilidade. “Vai ser uma safra normal, com acréscimo diário na base de 4% em vista do ano passado. Por enquanto, o Sindicato está na expectativa se precisa se mobilizar ou fazer um enfrentamento maior. Mas, a princípio, está dentro da normalidade. Tanto é que o tabaco reergueu muitas propriedades no nosso município e na nossa região. Antigamente estavam pobres e hoje estão bem constituídas em razão deste produto”, avaliou.