A transição de produção do morango convencional para o orgânico em Canguçu

A maior parte das vendas do produto no município canguçuense é feita através das redes sociais. Foto: Renato Voigt/Arquivo Pessoal

Uma das principais atividades realizadas nos últimos dias é a colheita do morango. O pseudofruto vem servindo de base para grande parte das receitas doces e sobremesas neste período do ano. Além de ser protagonista em vendas dos estabelecimentos locais, muitos municípios desenvolvem produções próprias e específicas.

Em Canguçu, são desenvolvidas algumas formas de plantio que se modificam a cada ano e para amparar os produtores, é realizado o Programa Municipal do Morango, que possui execução através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agrário, com apoio da Emater, que se volta a assistir as demandas dos agricultores durante a safra.

A produção orgânica viabiliza o giro econômico local. Foto: Iasmin Roloff Rutz/Arquivo Pessoal

Programa Municipal do Morango
O programa abre inscrições anuais, geralmente no mês de janeiro, para realização do acompanhamento das atividades agrícolas voltadas à produção do morango. Os técnicos são os responsáveis por acompanhar as demandas dos agricultores e realizar visitas nas propriedades para identificar as condições de produção.

Após o primeiro contato com o produtor, são feitas as encomendas das mudas que têm a quantidade estipulada, de acordo com o volume de recursos disponíveis na Prefeitura, geralmente de 1 mil a 2 mil mudas por família. O pagamento das mudas se dá em dezembro do ano seguinte, com 40% de desconto, condicionado a emissão de nota fiscal por parte do produtor após a venda do morango, sem essa comprovação não é possível obter o desconto.

O programa também oferece assistência técnica para encaminhamento de projetos de crédito de custeio e investimento para financiamento, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), por exemplo. Caso necessário, podem ser solicitadas compras coletivas de insumos e embalagens conforme demanda. Além disso, são realizadas, no mínimo, duas capacitações, sendo uma antes do plantio e outra depois.

Transição do morango convencional para o orgânico
Alicerce para a economia local, Canguçu possui dois tipos de produtores da cultura: o primeiro é o produtor que se dedica à linha de hortifrutigranjeiro, no qual o morango entra como mais um produto a ser comercializado. O segundo possui a predominância de outras famílias que procuram diversificar a produção agrícola, principalmente fumicultores, que passam a cultivar o morango orgânico. Isso ocorre porque o produtor busca uma nova alternativa de renda que perdure em boa parte do ano – nesse caso a produção é maior durante o ano -, por não ser uma forma de trabalho prejudicial à saúde e não demandar tantas horas do dia em função de cuidados com o plantio.

A produção orgânica do morango é uma atividade que viabiliza o giro na economia local, ajudando na aquisição de insumos e venda no comércio do município que possui todo aparato de materiais necessários para as demandas dos agricultores. No município, a maioria dos produtores não utiliza agrotóxicos, mas tem dificuldade em avançar com a produtividade dentro da linha de produtos de adubos orgânicos por conta da falta de imunização da planta.

A cidade possui um diferencial por ter muitos produtores que estão mudando para o orgânico. Isso acontece a partir da expansão das mudas que eram cultivadas no solo e passam a ser plantadas em estufas. Onde a maioria produz de forma natural, atualmente, os produtores só utilizam agrotóxicos se for extremamente necessário. De acordo com o extensionista, alguns produtores ainda perdem parte da produção por preferirem não utilizar esses produtos químicos.

O grupo da Associação Regional dos Produtores Agroecológicos da Região Sul (Arpa-Sul) possui morangos certificados como orgânicos. Já os produzidos pela Emater ainda não têm certificação do Ministério da Agricultura, mas são desenvolvidos com base ecológica, porque os produtores convencionais ainda estão, aos poucos, deixando de utilizar agrotóxicos, respeitando o tempo do solo se adaptar aos níveis crescentes de sustentabilidade.

Assistência técnica e comercialização no município
Toda produção agrícola está sujeita às condições adversas que podem influenciar no resultado final da safra por conta de fatores climáticos, diversificações de espécies, possíveis alterações no solo e aplicação dos produtos adequados a cada período de preparação da lavoura que necessitam um entendimento por parte do produtor.

A assistência técnica que cumpre esse papel desenvolve no município atividades tanto no âmbito particular focadas na venda do produto final – promovida pelas empresas privadas – quanto coletivo que é amparado pela Emater/RS-Ascar e Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agrário que prioriza assistência qualificada.

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista rural da Emater/RS-Ascar de Canguçu, Samuel Rodrigues Rutz, cada propriedade tem as suas particularidades que precisam de um atendimento mais individualizado conforme a demanda da família. Para isso, são realizadas as visitas técnicas e aberta a possibilidade de compras de insumos coletivas.

Os objetivos da assistência são atender o maior número de pessoas no coletivo, assim priorizando a troca de experiências, bem como capacitar os produtores para terem autonomia em pensar nas formas de agir em uma crise para que sejam independentes.

A maior parte das vendas do produto em Canguçu é feita através das redes sociais. As encomendas são marcadas e entregues pelos próprios agricultores na cidade, forma pela qual é comercializada praticamente toda a produção. Não sobrando muito para a venda de porta em porta, consequentemente abre oportunidade aos produtores de outros municípios para comercializarem o morango.

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