
“Com 1.459 casos registrados em 2024, o Brasil atingiu o maior número de feminicídios registrados desde o início da série histórica em 2020. Os dados que estão no Mapa da Segurança Pública divulgado pelo Ministério da Justiça, em junho, mostram que a cada dia quatro mulheres são assassinadas no país. O total de estupros chegou a assustadores 83.114. Nas últimas semanas a equipe do Jornal Tradição Regional foi em busca de dados, informações e histórias sobre esta realidade nas três maiores cidades da região, Pelotas, Rio Grande e Canguçu. O resultado deste trabalho será apresentado aos leitores em uma série de três reportagens publicadas semanalmente a partir desta edição“.
Capítulo I – A violência em números
Capítulo II – A rede de proteção e acolhimento
Capítulo III – Vencendo o ciclo da violência
Desde o início do ano, a Polícia Civil registrou um feminicídio, três tentativas de feminicídio, 427 casos de agressões e 20 estupros contra mulheres nas três maiores cidades do sul do estado. Apesar do total de crimes ser 7% menor do que no mesmo período do ano passado, a situação é considerada preocupante pelas autoridades.
Os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado mostram que entre janeiro e abril deste ano, Pelotas registrou um feminicídio em abril, duas tentativas de feminicídio em março, 309 ameaças, 11 estupros e 268 lesões corporais. No mesmo período do ano passado, o município não registrou feminicídios, apenas uma tentativa de feminicídio em fevereiro, 330 ameaças, 19 estupros e 244 lesões corporais.
Em Rio Grande, houve um feminicídio em março, uma tentativa de feminicídio em abril, 185 ameaças, nove estupros e 145 lesões corporais. Já entre janeiro e abril de 2024, foram registrados um feminicídio em janeiro, uma tentativa de feminicídio em março, 160 ameaças, 21 estupros e 183 lesões corporais.
Já em Canguçu, não foram notificados feminicídios, tentativas de feminicídio e estupros no primeiro quadrimestre deste ano, ao passo em que houve 36 ameaças e 14 lesões corporais. No mesmo período de 2024, também não houve registros de feminicídios nem tentativas de feminicídio. Em contrapartida, foram apontados dois estupros e 10 lesões corporais.
“Não tem uma regra específica, alguns meses os casos aumentam e em outros diminuem, sem alguma causa específica”, analisou a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Pelotas, Márcia Chiviacowsky.
Para prevenir novos casos, a Deam realiza palestras educativas em comunidades e escolas, além de campanhas informativas em redes sociais e propagandas. O objetivo é orientar mulheres sobre os procedimentos e estimular a denúncia. “Ainda se enfrentam muitas dificuldades em romper o ciclo de violência, pelo medo das vítimas, pela dependência financeira e pelo receio de retaliações”, afirmou.
Entre os avanços mais significativos, a delegada destaca o fortalecimento da rede de proteção e a aplicação mais rigorosa da lei.

Patrulha Maria da Penha está ativa e tem mostrado bons resultados
Instituída em 2012 no Rio Grande do Sul, a Patrulha Maria da Penha está presente em Pelotas e Rio Grande e tem sido uma das principais ferramentas para garantir proteção às mulheres vítimas de violência.
Segundo o comando do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM) que responde por Pelotas e Canguçu, existem em Pelotas 532 Medidas Protetivas em andamento, sendo que a Patrulha da Penha – que funciona com equipes integradas da BM e Guarda Municipal – realizou, somente este ano, 1,2 mil visitas de acompanhamento. Em Canguçu, não há nenhuma medida protetiva em vigor.
“Existe a Rede de Apoio da Mulher, onde nossa patrulha atua e participa de reuniões ordinárias. Canguçu possui o Conselho Municipal da Mulher, onde a BM também participa em reuniões. A Patrulha Maria da Penha, além das visitas para as vítimas, também desenvolve campanhas educativas para a comunidade, interage com o Poder Judiciário e Ministério Público”, explicou o comandante do 4º BPM, tenente-coronel Paulo Renato Scherdien.
Em Rio Grande, além de fiscalizar as medidas protetivas, a Patrulha também realiza um trabalho humanizado, identificando necessidades das vítimas, oferecendo apoio emocional, jurídico e social em parceria com órgãos públicos e privados. “Essa abordagem integrada demonstra o compromisso da Patrulha em proporcionar não apenas segurança, mas também apoio emocional e recursos para reconstruir vidas”, ressalta a soldado Giovana Duarte Musseli, que representa o órgão.
Uma das ações é o Projeto Loja Rosa Lilás – com previsão de lançamento em agosto – através do qual serão oferecidas roupas, produtos de higiene e beleza para que as mulheres resgatem sua autoestima e reconectem-se com sua essência antes da violência. “Essa vítima vai ganhar um dinheirinho fictício, que serão pétalas lilás. A vítima vai ter à disposição vestuário, materiais de higiene e de beleza para que, assim, consiga resgatar a autoestima e recomeçar sua vida”, explica.
As patrulhas são, também, responsáveis por realizar palestras em escolas e empresas, promovendo prevenção e conscientização. As equipes também acompanham audiências, orientam em processos legais, garantem segurança em transferências escolares dos filhos, acolhimento emergencial e encaminhamentos para emprego.

Saiba onde denunciar
• Deam Pelotas
Telefone: (53) 3310-8181
Endereço: Rua Barros de Cassal, nº 516 – Areal
• Sala das Margaridas Pelotas
Telefone: (53) 3310-8600
Endereço: Rua Prof. Dr. Araújo, nº 900 – Centro
• Deam Rio Grande
Telefone: (53) 3237-4884
Endereço: Rua Marechal Floriano Peixoto, nº 42
• Sala das Margaridas Rio Grande
Telefone: (53) 3237-4850
Endereço: Rua Mal. Floriano Peixoto, nº 42, Centro
• DP Canguçu
Telefone: (53) 3252-7876
Endereço: Rua Teófilo de Souza Matos, nº 55, Centro
• Dique 197
• Disque 180
• Dique 181
• Disque 190
• Delegacia On-line da Mulher



