Pitaya, uma fruta com produção e consumo em alta no sul do país

Dejalmo Nolasco Prestes, conhecido como professor Pitaya, se dedica a experimentar novas receitas com a fruta (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Uma cultura que vem ganhando espaço na Zona Sul do estado, nos últimos anos, é de uma fruta até pouco tempo desconhecida, tanto pelos produtores, quanto pelos consumidores: a pitaya. Conhecida no mundo como “fruta do dragão”, a produção despertou o interesse de produtores gaúchos e brasileiros e chegou à região há, pelo menos, oito anos, a partir de estudos conduzidos pelo engenheiro agrônomo Dejalmo Nolasco Prestes, hoje reconhecido como o professor Pitaya.

Os cultivos conduzidos por Prestes estão no Pomar Fronteira Sul, no Sítio Pró-Solo, na localidade de Capão das Pombas, 2º Distrito de Arroio Grande. No local, ele possui três pomares plantados em épocas diferentes, com o primeiro plantio realizado há oito anos, e um total de 40 variedades na propriedade. Segundo ele, em um hectare estão implantados 800 palanques.

Com a ajuda da esposa e do filho, o professor se dedica a experimentar novas receitas, muito bem sucedidas na produção de sucos, refrigerantes, vinhos e até cerveja. Além do consumo in natura, é muito versátil também na culinária, no preparo de molhos, risotos, acompanhamentos de carnes, entre outros. Na confecção de doces, pode ser utilizada na produção de pães, cucas, bolos, pudins, sorvetes, geleias e misturada a outras frutas como a pera, resultando em uma chimia que ele denomina como “pitayada”.

A versatilidade da pitaya pode ser verificada, ainda, pela sua demanda pelas indústrias de cosméticos, farmacêuticas, de bebidas e até de corantes. “A fruta possui sabor discreto e um bom brix (teor de açúcar) a grande maioria entre 12 e 16”, diz. Além disso, possui benefícios funcionais tanto in natura quando nos diferentes usos já mencionados. “Possui um aporte significativo de antioxidantes, um alimento funcional capaz de prevenir muitas doenças e manter o corpo saudável”, explica Prestes.

Entre os maiores desafios da cultura está o pós-colheita, ou seja, a conservação e distribuição para lugares mais distantes, pois tem baixo tempo de durabilidade. Uma das soluções já existentes é o snack de fruta liofilizada, tecnologia desenvolvida por empresa de Novo Hamburgo e que consiste em congelar a pitaya a uma temperatura de -40ºC e após processo de pressão volta ao natural perdendo toda a água e mantendo apenas a matéria seca, explica o professor.

Segundo ele, o processo não mexe com os nutrientes. Para o consumo, pode ser reidratada, adicionada a sucos e outros preparos ou consumida seca.

Alternativa à pequena propriedade
A cultura da pitaya é ideal para a pequena propriedade, pois em meio hectare é possível implantar em torno de 500 palanques com três mudas cada um, e pode ser facilmente conduzida por um casal ou família pequena, sem necessidade de colocação de mais mão de obra.

Trata-se de uma planta perene com vida útil produtiva em torno de 30 anos, por isso ele recomenda a utilização de postes de concreto para a condução das plantas, ou se for utilizada madeira, ele recomenda madeiras saudáveis e mais resistentes, como o eucalipto vermelho e acapu. A produção no sul ocorre entre os meses de dezembro e maio e no Norte, durante todo o ano. “A indução floral ocorre pela luminosidade”, comenta o professor.

No Rio Grande do Sul, além de Arroio Grande, são encontrados cultivos em Arroio do Padre, Rio Pardo e Santa Cruz, a maioria com um hectare ou menos. A fruta de polpa branca é a mais abundante em solo gaúcho, a primeira a chegar aqui. Mas há, ainda, as de polpa com pigmentação rósea e roxa. No Brasil, o estado do Pará é o maior produtor de pitaya. Nos estados, há áreas médias entre cinco e 37 hectares de produção.

Após a implantação, as primeiras frutas devem aparecer do primeiro para o segundo ano, mas a estabilidade produtiva se dá a partir do terceiro ano. “No seu auge a produtividade pode chegar a 30 toneladas por hectare ao ano”, ressalta. Segundo ele, uma planta pode produzir de 25 a 30 quilos de pitaya a cada safra. A maior produzida na propriedade chegou a 1,235 quilo. “Nosso recorde”, afirma.

Ele conta que o seu primeiro contato com a fruta foi durante uma visita a uma propriedade em Turvo, Santa Catarina, um dos polos da pitaya do Brasil, onde conheceu o plantio e buscou mudas para plantar. “Comecei aqui em Arroio Grande de maneira muito discreta e sem muito conhecimento técnico e hoje a pitaya é para mim uma grande paixão”, diz.
Sua curiosidade e estudos lhe levaram a pesquisar e se especializar. Além de produtor, Prestes se tornou um estudioso no manejo da cultura e especialista em projetos, implantação, condução, produção de frutos com qualidade e produção de produtos derivados da pitaya. Além disso, atua no desenvolvimento de novos produtos e avaliação da fruta como alimento funcional. Já palestrou em vários eventos, além de ter sido o mentor e organizador do 1º Encontro Nacional dos Produtores de Pitaya. Atua como consultor em todo o país, com responsabilidade técnica de alguns pomares, principalmente no Estado, onde visitou e interviu, no último ano, em mais de 50 cultivos.

A fruta
A pitaya é uma cactácea tropical que se adapta a climas quentes e frios; terras áridas, baixas, molhadas; todas altitudes e a nível do mar. É originária do México, América Central e América do Sul. Cultivada em países asiáticos como Taiwan, Vietnã, Filipinas e Malásia, também pode ser encontrada em Okinawa, Israel, norte da Austrália e sul da China. Tem variedades com polpa branca, vermelha e amarela. Rica em minerais essenciais, vitamina do complexo B e C, K, além de fibras, ômegas e antioxidantes que previnem radicais livres. O consumo de pitaya pode aumentar a eliminação de metais pesados, diminuir o colesterol e regular a pressão sanguínea. Comê-las regularmente alivia doenças crônicas do sistema respiratório.

Sobre o produtor
Dejalmo Nolasco Prestes é engenheiro agrônomo com mestrado e doutorado na Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da Universidade Federal de Pelotas (Faem/UFPel). É aposentado como pesquisador no Departamento de Ciências e Tecnologia de Alimentos, da Faem. É mestre e doutor em Ciências e Tecnologia de Alimentos, pelo Departamento na Faem. Possui especialização em Educação e Gestão Ambiental (EAD), pela Universidade Cidade de São Paulo (Unicid).

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