
A mecanização agrícola marca presença no campo desde o século 19, quando começaram a surgir os primeiros tratores e colheitadeiras movidos a vapor. Nos dias de hoje, celulares, GPS, drones e computadores já foram assimilados por grandes produtores rurais, antenados com as últimas novidades ao setor. Mas quando o assunto é o pequeno produtor, o colono como é conhecido, algumas práticas ainda resistem ao tempo e se mantêm como auxiliar no dia a dia da propriedade, como a tração animal.
Não se trata de prescindir da tecnologia, que também está presente na pequena propriedade, mas tornar mais ágil e prática a atividade no campo, como por exemplo, entrar com o arado em terrenos acidentados e úmidos, que são bem mais acessíveis para um boi do que um trator. Acompanhar a rotina do casal de produtores Erci e Shirley Holz, que nasceram e escolheram viver em Arroio do Padre, é como fazer um corte no tempo.

Juntos há mais de 30 anos, ele com 60 e ela com 71 anos, não têm filhos e são parceiros no trabalho da terra, de onde tiram o seu sustento e ainda, vendem o excedente. O milho é cultivado para alimentar os animais, bois, vacas, galinhas, porcos, e o feijão e a batata além do consumo da casa têm o excedente vendido. Possuem três frações pequenas de terra um pouco distante da casa e o percurso é feito de carroça, puxado pelos bois Baíto e Carvão, que estão com o casal há pelo menos oito anos. Outro parceiro inseparável é o cão Preto, que os acompanha para todo lado.
A lida com bois é uma paixão que iniciou aos 13 anos, quando teve que largar a escola para ajudar o pai na lavoura, conta o produtor. “O pai tinha cavalos mas eu preferia lidar com bois e sugeri a ele que comprasse uma junta”, contou. De lá para cá, ele perdeu as contas de quantos animais já passaram por seus cuidados. A parte mais difícil, segundo ele, é ter que se desfazer dos animais depois que atingem uma certa idade.
Hoje, são Baíto e Carvão, que também puxam o arado, sob o comando do produtor, que com palavras de ordem e assobios, orienta a direção que devem seguir. O trabalho de lavradura de uma pequena área onde será implantada uma pastagem nova é feito em poucas horas. Terminado o trabalho, é feita a troca do arado para a carroça que, após abastecida com o pasto colhido pela manhã, segue o rumo da casa, onde os animais são alimentados e recolhidos ao galpão para o merecido descanso. O trabalho dos animais não é diário, geralmente são usados quando o pequeno trator não dá conta.
“Alguém tem que ficar na colônia para produzir os alimentos”, disse o produtor, consciente do seu papel na agricultura, mesmo que de subsistência, mas que segundo ele, sempre sobra para vender. “Eu faço a minha parte, mesmo pequena, alguém vai ter o que comer”.




