
Prestes a iniciar mais uma colheita em sua propriedade na localidade de Santa Coleta, no interior de Arroio do Padre, o produtor Maicon Tiago Voss, não esconde as boas expectativas com a safra 2025/2026. Voss, que é a segunda geração da família a se dedicar à produção de tabaco, também é um defensor da cultura e dos benefícios econômicos que traz para as comunidades envolvidas com a sua produção.
“Não tem hoje em dia o que renda mais por hectare que o fumo. Se a colônia não tivesse o fumo, não seria rica como é. Se, por exemplo, tu plantares quatro hectares de soja não vai tirar nem para comer. Mas com quatro hectares de fumo, num ano de clima bom, consegues tirar 60 mil pés e uma média de 12 mil quilos, o que vai render algo em torno de R$ 240 mil na safra. Nada vai te dar esse rendimento nessa mesma área”, justificou.
O exemplo de Voss é baseado em seu próprio caso. Nesta safra, o produtor plantou cerca de quatro hectares, divididos em duas etapas de plantio, entre o final de agosto e meados de setembro. A lavoura, segundo ele, está em bom desenvolvimento, embora a falta de chuva venha causando apreensão nas últimas semanas. “Está meio seco, mas se vierem algo como duas boas chuvas depois da capação, o fumo escapa e garante a produção”, disse. A colheita deve iniciar em aproximadamente três semanas e se estender até março.
O produtor projeta colher até mil arrobas, caso o clima colabore. A expectativa é bem mais favorável do que na safra anterior, quando uma combinação de doenças e ventos fortes reduziu a produção para cerca de 700 arrobas. “Ano passado foi muito ruim. Deu muita doença, apesar do manejo ter sido o mesmo dos anos anteriores”, comentou.
Apesar das dificuldades, Voss confirma que o resultado final surpreendeu e garantiu um ano tranquilo para a família. “Achamos que teríamos sorte em tirar sete ou seis mil quilos, mas acabamos tirando 10,5 mil quilos e o que se desenhava como uma safra muito ruim acabou rendendo bem”.

Preços ainda são uma incógnita
Ao analisar o mercado para o fumo da região na safra 2025/2026, Voss aponta a incerteza nos preços como o principal problema. No ano passado, o quilo do tabaco foi negociado, na região, por preços variáveis entre R$ 20 e R$ 21. O valor – que pode se repetir neste período – é considerado justo pela maior parte dos produtores se a produtividade for boa.
Voss, todavia, critica a falta de transparência e padronização na classificação do tabaco feita pelas fumageiras. “Cada empresa adota critérios diferentes e muitas não informam ao produtor o tipo exato de fumo classificado, o que deixa a gente no escuro e sem saber se está ganhando ou perdendo”, comentou.
A adoção de tabela mínima e fixa de preços, evitando oscilações que, de acordo com ele, “funcionam como bolsa de valores” seria uma alternativa para solucionar o problema e dar mais segurança aos agricultores.
Mesmo com as dificuldades climáticas e as incertezas de mercado, Voss garante que pretende continuar na atividade e reforça seu otimismo para a safra que começa. “O fumo é rentável e se imagina que vai continuar sendo porque tem muito mercado, então ainda vai ser um bom produto para se trabalhar por bastante tempo. E se o tempo ajudar esta vai ser uma boa safra. A lavoura está bonita e o pessoal está confiante. O fumo continua sendo o que mantém o produtor da colônia de pé”.
Safra pela região
Os dados obtidos pela Emater/RS-Ascar junto a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) aponta que, na safra 2024/2025, havia na regional São Lourenço do Sul – que abrange os municípios de São Lourenço do Sul, Pelotas, Arroio do Padre, Turuçu e São José do Norte – um total de 6,2 mil famílias envolvidas na produção de tabaco. Estes agricultores ocupam um total de 11,9 mil hectares com a cultura, o que perfaz uma média de 1,9 hectare por família, cultivado com fumo. A produção total da região na última safra foi de 30 mil toneladas.



