
O mercado de trabalho está aquecido na região. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostram que no primeiro semestre deste ano foram gerados 2.034 novos empregos nos 16 municípios da área de cobertura do Jornal Tradição Regional (JTR). Esse número é 88% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram abertas 1.078 novas vagas.
Apesar de nove cidades terem registrado saldo positivo na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e de 2024, o bom desempenho foi puxado, basicamente, por Pelotas. Na maior cidade da região foram criados 811 novos empregos nos seis primeiros meses deste ano, o que significa um incremento de 277% na comparação com o mesmo período do ano passado ou, 596 novos postos de trabalho.
O principal responsável por esse aumento é o setor de serviços, que ampliou em 133% o número de pessoas ocupadas e, desde janeiro, já abriu 762 novas vagas.
“Esse impulso no setor de serviço em Pelotas se explica pelo aumento de salários dos servidores públicos federais, temos aqui a UFPEL, o IFSUL e, por isso, temos impacto no aumento salarial dos servidores públicos federais. Houve um aumento de 9% neste ano e teremos aumento também de 9% em 2026, para aquelas categorias que não tiveram acordo. Isso aquece o consumo e, por consequência, impulsiona as vendas no comércio. Outro ponto é o salário mínimo, que no atual governo vem tendo reajustes reais”, explicou o economista e professor da Universidade Federal de Pelotas, Marcelo Passos.
Apesar do resultado, Pelotas ocupa apenas o 8º lugar no ranking de geração de empregos em 2025, entre as dez cidades gaúchas com mais de 200 mil habitantes, ficando na frente apenas de Santa Maria e Viamão.
Programas de reconstrução aqueceram economia regional
Conforme Passos, as políticas públicas adotadas após as enchentes de 2024, com o objetivo de auxiliar os municípios atingidos a recuperarem suas perdas, tiveram impacto direto sobre a economia regional e, consequentemente, nas movimentações do mercado de trabalho.
Dentro deste contexto, o economista destaca programas como Devolve ICMS e o Cartão Cidadão, que destinaram – somados – aproximadamente R$ 2 bilhões para pessoas de baixa renda e atingidas pelas enchentes para a compra de itens da linha branca, como geladeira, fogão, máquina de lavar, além de roupas, móveis e remédios. Ações de socorro à empreendedores como Pronamp Gaúcho do Banrisul e linhas especiais abertas pelo BRDE e do Badesul, também são destacadas.
Outro ponto apontado por Passos é o perfil dos empregos gerados que, em sua maioria são destinados a trabalhadores qualificados. “O saldo detalhado do Caged em Pelotas mostra que a maior parte dos empregos gerados são, sobretudo para quem tem Ensino Médio incompleto para cima, na faixa de 18 a 24 anos, isso mostra uma demanda maior por jovens mais qualificados”, assinalou.
Menos tempo na fila do Sine
Neste cenário de mercado de trabalho aquecido, trabalhadores mais qualificados têm ficado cada vez menos tempo nas filas de emprego. Este foi o caso do motorista, Lucas Vargas Ferreira Inssauriaga, de 29 anos. Em julho, a empresa para a qual trabalhava reduziu o quadro de funcionários e o demitiu. Porém, em uma semana estava trabalhando novamente, desta vez em uma empresa de ônibus.
“Hoje tem bastante vaga. Na mesma semana que comecei a trabalhar, chegaram mais três funcionários na empresa e uma semana depois, contrataram mais dois. Mas é claro, que ter experiência foi um diferencial”, contou.

Empregos pela região
A Zona Sul fechou o primeiro semestre de 2024 com um saldo de 1.078 empregos. No mesmo período deste ano, o saldo foi de 2.034, o que significa uma diferença positiva de 956 novos empregos gerados.
No 7º lugar no ranking de geração de emprego dos municípios gaúchos com mais de 200 mil habitantes, Rio Grande acumula em 2025 um saldo positivo de 918 novos postos de trabalho. Apesar de positivo o número revela uma retração, se comparado ao primeiro semestre de 2024, quando o saldo entre admissões e demissões foi de 993 empregos.
Entre os outros 14 municípios da região os saldos mais positivos nos primeiros seis meses do ano foram registrados em Canguçu (147), Pedro Osório (84) e Pinheiro Machado (71).
Na contramão deste movimento e com os saldos mais negativos aparecem São Lourenço do Sul (-24), Piratini (- 23) e Morro Redondo (-15).




