
Neste fim de semana, gaúchos de todas as querências saem às ruas para celebrar a história da Guerra dos Farrapos (1835-1845), conflito que começou como uma revolução contra o comando da Província do Rio Grande do Sul e, menos de um ano depois, se transformou em uma guerra entre a jovem e pequena República Rio-Grandense e a maior potência militar da América do Sul: o Império do Brasil.
As histórias dos feitos das tropas e heróis farroupilhas nos dez anos da guerra — travada em escaramuças, cercos, pequenas e grandes batalhas em terra e na água — conquistaram o coração e o imaginário dos gaúchos, ao longo dos últimos 180 anos a tal ponto que a derrota final para o Império se transformou em pouco mais do que uma nota de rodapé desta epopeia. “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”, resume o Hino Rio-Grandense.
E o sul do Estado é mais do que uma parte desta fabulosa história; é o seu principal cenário, o berço de alguns dos principais personagens e onde aconteceram alguns dos mais impressionantes episódios da Grande Guerra do Sul.
O general Bento Gonçalves da Silva nasceu em Triunfo, mas viveu em Jaguarão, onde comandou o 4º Regimento de Cavalaria do Império, antes de se tornar o líder da rebelião contra o Império e, posteriormente, presidente da República Rio-Grandense. O general Antônio de Souza Neto nasceu em Rio Grande, assim como o ministro da Guerra farrapo, o coronel Manuel Lucas de Oliveira. Já o ideólogo da República Rio-Grandense, Domingos José de Almeida, era mineiro, mas viveu toda a sua vida em Pelotas. Enquanto isso, o comandante do lendário Corpo de Lanceiros Negros, o major Joaquim Teixeira Nunes, era natural de Canguçu.

Pelos campos e cidades de toda a região foram travados violentos combates, e a história da guerra foi escrita com sangue e bravura. Piratini, a Primeira Capital Farroupilha, foi o cenário de alguns dos fatos mais importantes deste período: a eleição para a Presidência da República, a montagem do jornal O Povo — veículo oficial do governo republicano —, a estruturação do governo da República Rio-Grandense. Pelotas foi invadida pelos farroupilhas e reconquistada pelos imperiais. No canal São Gonçalo, foi travada a primeira batalha naval da guerra, a Batalha do Passo dos Negros. Na costa do rio Jaguarão, dentro do atual território de Candiota, começou a Batalha do Seival, a primeira grande vitória dos Farrapos contra os imperiais e, após, a qual o general Neto proclamou a República Rio-Grandense. São José do Norte foi o palco de uma das mais sangrentas batalhas travadas dentro das cidades durante a guerra, e a derrota farroupilha, naquela madrugada de 1840, foi o prenúncio do fim do sonho republicano.
São tantas as histórias, locais e pessoas envolvidas na saga farroupilha que seria impossível descrevê-las todas nesta página. Os sinais de sua importância para o povo do Sul estão presentes por todos os lados, afinal, não há cidade desta região que não tenha ruas, avenidas, parques, bairros, praças ou escolas chamadas Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi, General Neto, Anita Garibaldi, Teixeira Nunes, David Canabarro, Domingos de Almeida, Seival ou 20 de Setembro, só para citar alguns.
É por isso que, neste sábado (20), milhares de gaúchos sairão às ruas, participando e prestigiando desfiles e festas que homenageiam os heróis — conhecidos e anônimos — que, de um modo ou de outro, ajudaram a escrever essa história que está na gênese da cultura dos gaúchos e que, como nenhuma outra, nos define como povo.
Viva o 20 de Setembro!



