
Vereador em terceiro mandato e pela terceira vez eleito para ocupar a principal cadeira da mesa diretora da Câmara de Vereadores de Pedro Osório, Betinho Amaral (MDB) está entre os oito mil habitantes do município que não esconde a alegria pela retomada da Expofesta Regional da Melancia, agora na 20ª edição, que será realizada neste fim de semana no Parque de Exposições do Sindicato Rural da cidade.
“Ficamos dois anos sem nosso Municipal de futsal”, compara. “Até 2020 tínhamos um público de 300, 250 pessoas por jogo. Este ano foram 500 pagantes por rodada, na final o ginásio estava lotado. Imagina a Festa da Melancia, com dois shows nacionais, é a mesma expectativa, a comunidade está esperando muito por essa festa.”
Além da relação de afeto da comunidade com o evento, o presidente da Câmara ressalta que o evento cresce em importância a cada edição, com uma participação “muito grande” da população e com a presença de visitantes de vários municípios da região. “Representa um forte incremento à economia de Pedro Osório, com vários espaços abertos para as pessoas venderem seus produtos, a Expofesta está entre as três maiores da Zona Sul, esperamos 30 mil pessoas, mas acho que vamos ultrapassar esse número”, afirma.
Legislativo
Manter o trabalho do antecessor, vereador Fininho Souza (PDT), “que fez mudanças importantes”, é o compromisso do início do ano legislativo no parlamento pedro-osoriense. No entanto, Amaral tem planos para renovar o ambiente, principalmente o plenário da Casa, a fim de propiciar uma melhoria na qualidade de trabalho – dele e dos demais colegas.
Uma das primeiras mudanças, no entanto, não será física, mas no horário de funcionamento da Câmara. A partir deste ano, o Poder Legislativo de Pedro Osório vai abrir às 7h30 de segunda a sexta-feira, sem fechar ao meio-dia, estendendo-se até o início da tarde, às 14h. A manutenção das transmissões ao vivo das sessões ordinárias via canal no Youtube é outro compromisso a ser cumprido.
O desafio é aumentar a participação popular nas sessões, que segundo ele está aquém do que deveria. “À exceção de demandas direcionadas a determinadas categorias, em geral temos um pequeno número de pessoas acompanhando o nosso trabalho”, lamenta, e prossegue: “A porta de entrada da comunidade são os vereadores, alguns vão mesmo na porta de casa. Estamos aqui pra servir a comunidade, é importante a cobrança, tem que aceitar e respeitar qualquer crítica que nos é feita desde que dentro dos limites. Vamos entrar em ano pré-eleitoral, algumas pessoas acabam desvirtuando”, aponta.
Apreciação de projetos
A julgar pelo número de projetos enviados pelo Executivo e aprovados com folgada maioria pelos vereadores, pode-se acreditar que a Câmara de Pedro Osório oferece facilidades ao prefeito Moacir Otílio Alves (MDB), o Chola.
No entanto, o presidente da Casa garante que o alinhamento não é automático. “A grande discussão é entendermos se os projetos são importantes pra comunidade, se vão trazer benefícios. De fato, poucos projetos foram vetados porque todos vêm ao encontro da comunidade. Um deles foi o Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento). Deve vir outro, mas desta vez acredito que não terá a mesma polêmica porque foi muito bem aceito pela comunidade”, projeta.
Ele também atribui esta boa relação à habilidade política e pessoal do prefeito de Pedro Osório. “O prefeito Chola, não é por nada que está no quarto mandato, está sempre à disposição, tem alguns embates, mas não se indispõe com ninguém, nem com os de oposição. Ele sabe manter uma relação de respeito e quem ganha é Pedro Osório”, afirma.
Com nove vereadores de quatro bancadas, Progressistas, MDB, PT e PDT, o líder do Legislativo pedro-osoriense entende como salutar no interior da Câmara a ausência do ambiente polarizado que se vê na disputa política em âmbito federal.
“Felizmente não fomos contaminados por isso, não é bom, quando terminou a eleição eu disse: ‘eleição e jogo de futebol, depois que termina, não adianta, não volta o resultado’. O que nos resta é torcer para que o presidente Lula faça um baita de um governo, independentemente se votei nele ou não; ele vai ser presidente nos quatro anos para os quais se elegeu, se amanhã ou depois não me eleger não vou botar a culpa em ninguém”, disse.
Tensão com a Equatorial
Pauta a qual Pedro Osório tem dedicado esforços nos últimos tempos é em relação ao abastecimento de energia elétrica. São frequentes os casos de quedas de energia que condenam a população urbana do município ao escuro, aponta Amaral. Ele garante que a Câmara de Vereadores vai acompanhar de perto a discussão e cobrar melhorias na prestação do serviço pela CEEE Equatorial, assim batizada após processo de privatização pelo governo Eduardo Leite (PSDB).
Ele não mede palavras quando questionado sobre a atual qualidade do serviço, agora nas mãos da iniciativa privada: “Piorou. Estamos sofrendo quedas de energia que duram horas. A maioria dos funcionários morava aqui, conhecia a rede, mas foi demitida, o serviço não é mais o mesmo”, lamenta.
O vereador diz que participou da reunião recente da Azonasul (Associação dos Municípios da Zona Sul), em Rio Grande, onde a questão da Equatorial veio à tona. Ele não esconde a preocupação tanto com a realidade local como com a dos demais municípios da região: “Já ficamos sem luz um dia inteiro, em pleno centro da cidade, até eles virem arrumar. As pessoas não podem esperar tanto. Vi que em Canguçu tinha uma comunidade há dois dias sem energia”, reclama.



