
Dom. Assim a doceira “de mão cheia”, como se diz nesses casos, Neli Lemos Guimarães, de 75 anos, explica a sua habilidade quase inacreditável em multiplicar variedades de iguarias à base de melancia que estarão disponíveis na 20ª Expofesta Regional da Melancia e 11ª Feira Regional da Agricultura Familiar, neste fim de semana, dias 11 e 12, no Parque do Sindicato Rural de Pedro Osório, após dois anos ausentes do calendário de eventos da região devido à fase aguda da pandemia do novo coronavírus.
Não há talvez outra explicação mesmo. Do doce, principalmente, ao salgado, Neli e a irmã Vera pilotam a cozinha artesanal da casa, na rua Alberto Pasqualini, centro de Pedro Osório. O resultado dessa viagem em geral funciona assim: enche os olhos e a boca dos visitantes que passam pela banca Delícias da Melancia, onde as irmãs e o marido de Neli, Élbio Guimarães, fiel ajudante da dupla, oferecem toda uma diversidade de delícias nas quais a melancia é principal matéria-prima.
Farinha de semente de melancia, ouviu falar? E tradicionais doces artesanais, como quindins, ninhos, trufas e panelinhas – todos à base da fruta? Além de sorvete, sacolé, licor, cucas (“Pena que não vai dar para fazer na hora”, lamenta ela), conservas, geleias, melanciadas, rapaduras vermelhas e rapaduras brancas, entre tantas outras iguarias.
Para esta edição a novidade serão os palitinhos de bombons de melancia. “Igual aqueles de morango”, compara. Na última, realizada poucas semanas antes do início da crise sanitária no país, a tentativa foi frustrada pelo calor. “Derreteu tudo”, lembra. Desta vez as irmãs Lemos alugaram um balcão refrigerado para armazenar esses palitinhos, que fazem a festa da criançada.
Mas haja melancia para tanta ideia que se transforma em doce. Para a Festa, Neli e Vera precisam em média de 30 a 40 unidades. Principalmente a produzida em Pedro Osório e arredores, que para elas são as melhores do mercado. Situação que no início deste mês, quando o Jornal Tradição Regional foi recebido pelas doceiras na casa da família, era fonte de preocupação. A colheita estava prevista para começar dali a alguns dias e até então elas ainda estavam sem matéria-prima para dar início à produção. Mas por falta de tempo Neli garantia que o evento não ia ficar sem os seus famosos doces. “Deus nos ajuda. E os santos doceiros protetores também, além de boa-vontade, amor e carinho”, responde. A irmã Vera revela uma parte do segredo: “A gente fica ali conversando, bota uma musiquinha, fica se entretendo, quando vê o tempo passa e dali a pouco tá tudo pronto. É assim”, conta sobre o processo.
A expectativa para a Festa confia a Deus: “Estamos com bastante esperança que se Ele quiser vai dar tudo certo”.
O começo
Presentes na Festa da Melancia desde as primeiras edições, quando ainda eram realizadas em uma área próxima ao Camping Municipal, as irmãs Lemos são famosas pela produção doceira em Pedro Osório. A própria Neli começou com irmãs mais velhas. Tanto na manufatura da doçaria à base de melancia como na tradicional.
A primeira foi com a irmã Noeli, falecida em agosto do ano passado. “Tinha mão de fada”, reconhece. Na época, a irmã contava com uma equipe de 15 pessoas, todas mulheres. Anos depois chamou Neli para se integrar ao grupo – hoje reduzido a ela e à irmã caçula – “que também está aprendendo comigo”. Tudo ali, casa da família, cozinha artesanal.
Já na doçaria tradicional, com bolos, tortas e doces, não lembra quando começou. Só recorda que foi indiretamente pela mão da irmã mais velha, também já falecida: “Ela fez um bolo de casamento e não saiba enfeitar. Eu disse assim pra ela: ‘tu me faz o merengue que eu enfeito’. E assim foi. Acredita que enfeitei o bolo lá fora [Fazenda da Figueira, interior de Pedro Osório, onde Neli nasceu e se criou junto aos demais 13 irmãos e irmãs], com merengue batidinho na mão, não tinha luz, não tinha batedeira”, recorda.
Desde então não parou mais. A ponto de ensinar a própria Noeli, que a convidou para fazer parte do grupo para trabalhar exclusivamente com melancia. Uma dessas receitas foi com o sorvete, que aliás vai oferecer na Festa. Neli conta: “Quando provei disse que não era daquele jeito. Fiz os reparos que entendia e hoje meu sorvete de melancia é um sucesso”.
Fora do período da festa, Neli e Vera fazem doces à base de melancia por encomenda. Passada a época da fruta, com uma terceira irmã, Tetê, trabalham com doces artesanais, bolos e tortas.
Encomendas
Rua Alberto Pasqualini, nº 171, centro de Pedro Osório e pelos telefones/WhatsApp (53) 98415-6962 (Vera) e 98422-7817 (Neli).
Confira as delícias à base de melancia das irmãs Lemos
– Sorvete
– Sacolé
– Cristalizados
– Palitos de melancia
– Rosquete
– Conservas com sal
– Rapadurão
– Licor
– Doces banhados de chocolate
– Quindim
– Panelinha (também sem glúten)
– Ninho
– Trufas
– Brigadeiro de semente
– Docinho Pedro Osório (massa de bem-casado recheada com geleia e melancia ralada)
– Rapadura vermelha
– Rapadura branca
– Cocada ralada com melancia e coco
– Doce ralado
– Doce em calda
– Geleia
– Chimia
– Cuca recheada
– Pastéis suíços
– Molho de melancia com sal
– Roscas com calda de melancia
– Brigadeiro diet zero açúcar
– Melanciada
– Palitos com cobertura de chocolate
– Molho com sal para tempero
– Empadinha temperada
– Bombons no palito
– Crocante de melancia



