Presidente da instituição nega e afirma que hospital prestou o atendimento necessário, constatando que não seria caso de urgência e emergência, mas eletivo
Uma moradora do município afirma ter presenciado um caso de negligência médica no Hospital Ernesto Mauricio Arndt na manhã de quarta-feira (18). A instituição nega a acusação e afirma ter prestado o atendimento necessário.
Segundo a mulher, que não quis ser identificada, uma idosa, de 84 anos, passou mal enquanto velava o irmão na capela localizada próxima à instituição de saúde. Ela relata que foi ao local para levar seus pais, que conheciam o falecido. Chegando na capela, afirma ter visto que a idosa estava com os pés inchados e dizia sentir uma forte dor no peito. Após uma rápida conversa com os pessoas que estavam no local, ela resolveu agir e se dirigiu à entrada do hospital para pedir uma cadeira de rodas para a senhora. “Eu entrei na portaria na frente e disse que ia trazer uma pessoa pra consultar, uma senhora de idade. Eles se recusaram a atender ela porque ela não tinha o cartão, o tal de carnê, eles não têm”, conta.
A denunciante cita que o hospital a orientou para que chamasse uma ambulância para levar a idosa ao posto de saúde do município, mas afirma que insistiu pela consulta no hospital.
“Eu encarei, não fiquei parada, no corredor tinha umas quantas pessoas sentadas, só me escutavam porque eu tava bem triste, eu tava chorando corredor afora, dizendo que isso era uma humilhação pra uma pessoa de idade, daquela idade, não atender aquela pessoa”, desabafa.
“A médica sentada dentro do consultório. Não queriam ver sinais, nada dela, simplesmente eu disse assim ‘pega a cadeira de rodas, vamos lá buscar ela’. Não quiseram buscar ela. Eu digo ‘então eu vou pegar a cadeira de rodas e vou buscar ela’. Elas disseram pra mim que eu não podia fazer isso. Saltei em uma cadeira de rodas, peguei dentro do hospital, fui lá buscar ela”, detalha.
Ao voltar com a idosa, a moradora conta que encontrou as portas situadas na parte dos fundos do hospital trancadas. Ela questiona o fato de que ninguém abriu a porta para que entrassem, nem pacientes, nem funcionários.
A mulher explica que, após discutir com a equipe médica da instituição, foi até o seu carro e buscou o valor necessário para a consulta. “Atende ela, chama a doutora porque eu vou buscar R$ 100 do meu bolso lá no meu carro e eu vou pagar, pra ela ser atendida aqui dentro, porque daqui (de) dentro eu não tiro ela”, diz.
O que diz o hospital
O presidente do hospital, Altair Delfino da Rocha Faes, esclarece que a porta pela qual a mulher tentou entrar não havia sido fechada no momento do ocorrido, como afirma a denunciante. Isso porque a entrada se encontra permanentemente fechada em razão das obras de ampliação da estrutura da instituição. O local não era utilizado pelos usuários mesmo antes das reformas, sendo uma entrada para ambulâncias deixarem pacientes para a remoção ao interior do hospital.
Ele também explica que o hospital cobra apenas consultas eletivas, e que casos de urgência e emergência são atendidos sem custo. “Essa pessoa que estava com problema foi levada para a sala de triagem, foram feitas as medidas de sinais vitais dela, foi verificada a pressão, os batimentos cardíacos, foi conversado com ela. ‘Qual é o problema dela?’ Ela não tava com dor no peito ou coisa parecida, não. Ela estava com os pés inchados, que foi isso que essa pessoa alegou que queria atendimento pra ela. Isso é um atendimento eletivo”, aponta.
As consultas eletivas são oferecidas pelo local por meio de um cartão fidelidade no qual o usuário paga o valor estabelecido e tem direito a descontos.
De acordo com o presidente, uma série de normas são seguidas pela equipe de enfermagem assim que observam o paciente, processo que faz parte da triagem. “Ela não tava tendo um AVC [Acidente Vascular Cerebral], tanto é que foi verificada a pressão dela, ela não tinha nenhum sinal de taquicardia ou de pressão arterial baixa, foram verificados os sinais dela. Não tinha dores, porque ela não reclamava de dores. O que ela reclamava é do inchaço nos pés”, explica. Este quadro, segundo ele, não se caracteriza como um atendimento de urgência e, portanto, não é atendido de forma imediata.
Casos como este, conforme Faes, são normalmente encaminhados para o posto de saúde do município, deixando o hospital disponível para atender os casos de urgência e emergência. Ele pontua que havia muitas pessoas no corredor do hospital aguardando pela consulta, enquanto o médico também já estava em atendimento.
Ainda sobre o caso, o responsável pelo hospital afirma que funcionários da instituição relataram terem sido verbalmente agredidos pela acompanhante da paciente, que insistiu pela consulta e recusou o serviço da ambulância, que estava no próprio hospital.
O presidente também ressalta que essas situações, que tomam proporção pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, prejudicam o próprio hospital. “Em um momento desses, que a gente está reconstruindo o hospital, levar uma imagem negativa adiante é a pior coisa do mundo”, destaca. Faes lamenta que apenas casos assim são comentados.
“Coisas boas não aparecem. Tudo que foi feito na pandemia pra manter a cidade com atendimento e dar atendimento para as pessoas, parece que tudo vai por água abaixo”, diz. Ele ainda cita o trabalho envolvido nas reformas para qualificar o hospital e a adição das especialidades, uma vez que a instituição agora conta com pediatra.
O caso resultou em um boletim de ocorrência por agressão verbal registrado por uma enfermeira do hospital, que diz ter sido destratada pela mulher. A reportagem não conseguiu contato com a idosa até o fechamento.





Acho que está faltando informação para estas pessoas!
Desde que conheço o hospital, sei que, de dia o atendimento é particular.
O Hospital é particular! Sempre foi!
E durante a noite, a prefeitura tem convênio e disponibiliza o atendimento SUS!
Por isso existem os postos de saúde, abertos durante o dia!
Se a prefeitura disponibilizar SUS, durante o dia, o hospital vai atender…
Sempre fui bem atendido, juntamente com a minha família.