
Mercado aquecido carente de mão de obra qualificada poderá ganhar mais cor em Pelotas e Zona Sul a partir de fevereiro de 2023. A Faculdade Senac Pelotas, em parceria com o Instituto Acredite, de Porto Alegre, lançou no sábado (17) no Pelotas Parque Tecnológico o programa Ilê Tech – voltado à população negra com 18 anos ou mais que completou ou está cursando o Ensino Médio. As inscrições para concorrer a uma das 20 vagas do curso já estão abertas pelo link https://forms.gle/wLguQ6SY3w8fU6sL7. Importante: o curso é gratuito. As aulas serão à noite, das 19h às 22h.
Setor considerado promissor no mercado de trabalho do país, as profissões ligadas a TI são predominantemente ocupadas por trabalhadores brancos. Dados apontam que a capacidade de formação no Brasil é de apenas 53 mil profissionais – o que representa um déficit de 157 mil postos por ano. “Falta gente de todo o tipo, o que dirá de pessoas negras, que historicamente nunca foram assistidas como deveriam”, disse no ato de lançamento o diretor da Faculdade Senac no município, Tiago Radmann.

Ele lembrou também que dos 9,2 milhões de desempregados no Brasil, segundo a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente ao terceiro trimestre deste ano, a parcela dessa população representa 62% do total de pessoas sem emprego.
No setor específico, Radmann deu como exemplo à reportagem o próprio evento que a Faculdade realizava desde a manhã de sábado no Pelotas Parque Tecnológico, o Hackaton – voltado para os cursos da área de Tecnologia da Informação do estabelecimento de ensino. “Temos quase 50 pessoas aqui e só encontrei um negro; talvez dois”, admitiu. “Vamos trabalhar para mudar esta realidade”, garantiu.
Nesse trabalho a Faculdade Senac Pelotas não estará sozinha. Contará com a parceria do Instituto Acreditar, cujos representantes marcaram presença na solenidade de lançamento. Eles repetem em Pelotas a parceria firmada a partir do primeiro semestre deste ano com a Faculdade Senac na capital do estado. A presidente da organização, pedagoga Denise Pereira, que veio à cidade com o coordenador de Relações Institucionais, advogado Jorge Terra, não tem dúvidas de que a proposta vai dar certo também na Zona Sul do estado.

“[o Ilê Tech] Já é uma realidade”, assegura Denise. “A primeira turma já foi formada e os alunos estão em processo seletivo, já temos cinco pré-aprovados em entrevista”, anuncia.
Dá como exemplo o caso de uma jovem negra, “gorda”, formada em Engenharia – e aluna da primeira turma do Ilê Tech em Porto Alegre. “Recebia sempre ‘não’ como resposta. Terça [próxima terça] vai para a segunda etapa da entrevista para descobrir o espaço que vai ocupar na empresa. Esse diferencial veio do Ilê, graças à parceria com o Senac, com o encaminhamento feito e o trabalho que propomos de transformação do mercado para aceitação das pessoas negras”, disse, em alusão a uma das principais atribuições do Ilê Tech, a de atuar também junto aos empregadores com objetivo de sensibilizar o mercado para o ingresso de pessoas negras – cuja dificuldade é uma realidade na ampla maioria das corporações no Brasil e no mundo.

Pesquisa de 2016 a cargo do Instituto Ethos e patrocinada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta que em 117 (24%) das 500 maiores empresas do país, a representação de executivos pretos nos conselhos administrativos corresponde a apenas 4% do total – as demais corporações não responderam a pesquisa. Os números foram apresentados por Jorge Terra no lançamento do Ilê Tech em Pelotas: “Pessoas negras têm a contribuir e a dar às empresas, instituições mais diversas são mais competitivas por conhecerem a realidade das ruas.”

Funcionamento
A primeira turma do Ilê Tech em parceria com a Faculdade Senac teve início em julho deste ano em Porto Alegre. Em Pelotas, em julho de 2023 deverão ser oferecidos ao mercado os primeiros profissionais formados pelo programa.
“É um curso completo, exclusivo a pessoas negras, para integrá-las neste mercado promissor e dar igualdade de condições pra que elas também possam fazer parte dessa realidade”, reforçou Tiago Radmann.
A turma piloto terá 20 vagas, com aulas diárias, de segunda a sexta-feira, num total de 246 horas, de fevereiro a julho. No conteúdo previsto constam as disciplinas Inovação e Empreendedorismo, Lógica de Programação, Desenvolvimento Web-Front End, Java Script, além de Fenômenos Raciais e Inclusão Étnico-Racial.
Conforme os organizadores, o principal desafio, além da formação, é incluir 60% dessas pessoas no mercado de trabalho na área de TI a partir de julho do ano que vem.



