A praça Coronel Pedro Osório está sendo o principal ponto literário de Pelotas desde sexta-feira(28), primeiro dia da 48ª Feira do Livro de Pelotas. A abertura oficial, realizada neste sábado (29) promoveu uma celebração e incentivo à prática da leitura por meio do evento, que vai até o próximo dia 15.
Promovido pela Câmara Pelotense do Livro, com apoio da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, o evento conta com livreiros, expositores, tenda cultural, cafeteria e o palco com atividades literárias, em uma programação diversificada, com 140 atividades, das 13h às 21h, diariamente. Ainda haverá sessões de autógrafos, diariamente. Ao todo, serão autografados cerca de 110 livros e mais de 80 escritores irão realizar lançamentos. O objetivo, também por meio do tema “Uma cidade muitas histórias” é que cada vez mais pelotenses incorporem o hábito da leitura no dia a dia. E este foi o tom da cerimônia, que contou com a presença de autoridades e personalidades literárias.
A programação ainda tem uma tenda cultural, que será ocupada, principalmente, pela literatura, prevendo, no início da tarde, atividades lúdico pedagógicas, direcionadas para o público infantil, palestras, esquetes dramatizadas, sessões de autógrafos e rodas de conversas. Ainda terá atividades em outros prédios no entorno da Praça, como o Casarão 2, a Biblioteca Pública e o Mercado Público.
A primeira a falar foi a presidente da Câmara Pelotense do Livro, Elizabeth Louvatel. Em sua fala, ela citou uma pesquisa realizada pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), a qual aponta que 49,8% dos pelotenses não tem o hábito de ler livros, enquanto 52,3% têm. Neste sentido, destacou a importância no incentivo à leitura. Segundo ela, mães, pais e outras pessoas que reclamam quando as crianças ficam muito tempo com os celulares, devem dar o exemplo e cultivar o hábito da leitura, tendo momentos juntos em torno dos livros. “Afinal, a criança aprende copiando a sua figura de referência”, disse.

Dessa forma, ela aponta que pode haver uma interrupção na terceirização e na transferência de atitudes que são de todos, como a educação das crianças, que não é somente dever do poder público, de professores, escolas e outros atores.
Louvatel ainda citou a dificuldade sobre a incerteza na realização desta edição e celebrou a nova marca, que é baseada em características da Feira e de Pelotas, tais como a Fonte das Nereidas, a flor de Jacarandá e o livro.
A marca foi criada pela empresa In.pacto, que tem como CEO o jornalista e escritor Klécio Santos, orador desta edição. Ele afirmou que a feira fez falta, mas lembrou que a interrupção de dois anos devido à pandemia de Covid-19 não foi a primeira, sendo interrompida também entre 1964 e 1978. A primeira edição foi entre 25 de novembro e 14 de dezembro de 1960, também na Praça Coronel Pedro Osório. “A feira é uma festa da literatura, mas também uma celebração aos livros. Afinal, um livro é um bem, uma recordação. Um caminho de fuga, de conhecimento, reconhecimento, reflexão, mas, sobretudo, o livro é uma conversa com nós mesmos”, disse. Santos ainda citou nomes que contribuíram com a cultura e literatura municipal e regional, como João Simões Lopes Neto e Aldir Schlee, assim como Adão Monquelat.
Ele ainda afirmou ser uma honra estar como orador, tendo sido patrono em 2017. Além disso, tratou sobre a nova identidade visual, que segundo ele estava inalterado há 20 anos. Destacou que a marca ressalta a identidade da Praça Coronel Pedro Osório e conecta com os primórdios da cidade.
O terceiro a falar foi o patrono Jorge Braga. Pelotense, já foi membro das Academias Pelotense de Letras, Academia Sul-Brasileira de Letras, Academia de Letras & Artes de Arroio Grande, Casa do Poeta Rio-Grandense de Porto Alegre, exerceu a presidência da Associação Gaúcha dos Escritores Independentes em 2005.

Emocionado, ele destacou que o trabalho que promove, divulgando a leitura em escolas e outras instituições busca também a inserção na sociedade. “Somos o que lemos, é o meu jargão”, citou.
Ele atua no Projeto Autor Presente, do Instituto Estadual do Livro (IEL), órgão da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, que caracteriza-se por promover a leitura e a literatura gaúcha a partir de encontros entre escritores e seu público. Neste sentido, promove visitas em escolas, bibliotecas públicas e comunitárias, pontos de cultura e leitura, penitenciárias, fundações de atendimento sócio educativo (Fase) e lares para idosos. “Acredito ser essa a minha função social, fazer as pessoas loucas por livro”, disse, ressaltando o papel da literatura.
Segundo ele, foi esse trabalho de formiguinha que o levou até o momento, porém afirmou que o sucesso não é dele, mas sim de todos os que o ajudaram a chegar neste momento, e que o livro foi quem proporcionou a sua trajetória. Ao final, deixou uma mensagem, em forma de poema, escrito quando ainda era jovem, aos 14 anos.
Na sequência, quem falou foi a secretária Estadual de Cultura, Beatriz Araújo, que destacou o trabalho efetuado por Braga, por meio do projeto existente desde 1972 e que se manteve como política pública. “Fazer com que as pessoas se apaixonem, além de ler”. Também elogiou a iniciativa em promover o evento. “É um espaço e um momento mágico na cidade”, definiu, destacando que a feira pode facilitar o acesso a população que ainda não está habituada com a leitura e não frequenta bibliotecas e livrarias.
A prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) destacou a retomada da feira após dois anos. “Distantes uns dos outros, desses momentos de encontro, mas próximos dos livros”, apontou. Ela citou que o reencontro torna todos mais fortalecidos e que a leitura tem grande contribuição neste aspecto. “Esse nosso encontro tem muita força, a força da literatura, da literatura, da nossa cidade, por que nos reunimos aqui no nosso Centro Histórico”. Além disso, elogiou o trabalho do orador e do patrono e anunciou o lançamento do projeto Livro na Cesta, iniciativa do secretário de Assistência Social, Tiago Bündchen, que consiste na doação de livros junto às cestas básicas distribuídas pela pasta.

O projeto contará com o auxílio da população na doação de livros, que podem ser entregues no estande da Câmara de Vereadores no evento, que repassará à Secretaria. O primeiro livro foi doado pela prefeita, “O pequeno príncipe”.
Em seguida, houve a tradicional caminhada do patrono tocando o sino pela feira, quando foi aplaudido pelos presentes, visitantes e livreiros.




