Ciclone Yakecan causa estragos na região de Pelotas e Rio Grande

Até o momento, de acordo com as equipes da Defesa Civil, apenas situações pontuais foram registradas. (Foto: Divulgação/SAS e STT)

Após a passagem do ciclone Yakecan, na terça-feira (17), municípios contabilizam os estragos. Em Pelotas e Rio Grande, as administrações destacaram que ações já estão sendo realizadas em prol do restabelecimento das atividades e atendimentos. Embora tenham sido registradas ocorrências em ambas as cidades, nenhuma delas, até então, evidenciou ser grave.

Pelotas

Até o momento, de acordo com as equipes da Defesa Civil, apenas situações pontuais foram registradas, principalmente na praia do Laranjal, onde pontos ficaram sem fornecimento de energia elétrica, um poste caiu e uma placa de sinalização foi arrastada pelos fortes ventos da tempestade.

Com a previsão de apenas chuva e frio para esta quarta-feira, a recomendação da Defesa Civil do município é de que os serviços sejam retomados. Dessa forma, as aulas na rede municipal de ensino retornam no turno da tarde, depois de ficarem suspensas durante a tarde e noite de terça, e pela manhã desta quarta.

Os atendimentos em Unidades Básicas de Saúde, Centro de Especialidades, farmácias municipais, Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Ambulatório de Saúde Mental e prédios administrativos já retornaram hoje pela manhã e mantém funcionamento normal no restante do dia. Apenas as Salas de Vacina e o Trailer da Vacina não abrem hoje em função da logística de redistribuição dos imunizantes, que foram recolhidos pela Secretaria de Saúde (SMS) na terça-feira.

Atendimentos de saúde prejudicados

A SMS esclarece que algumas UBSs podem ter o atendimento prejudicado durante o dia, pela falta de eletricidade, mas as equipes se mantêm nas unidades acolhendo a população e informando sobre a situação. É o caso das unidades Salgado Filho, Porto, Loteamento Osório e Colônia Osório que estão abertas, mas com serviços limitados.

Na zona rural, as UBS Pedreiras, Cascata e Cerrito Alegre também estão sem energia e sem internet, e aguardam o restabelecimento. Equipes acolhem os usuários e prestam orientações.

Casa de Passagem teve alta procura

A Casa de Passagem, oferecida pela Secretaria de Assistência Social (SAS), na rua Dona Darci Vargas, 212, bairro Navegantes, manteve portas abertas à comunidade na noite de terça-feira. Foram disponibilizados 87 leitos, e 75 usuários chegaram a ser acolhidos no local, além de cinco cachorros que acompanhavam seus tutores. Essas pessoas, em situação de rua ou vulnerabilidade, são recebidas pelo serviço normalmente, mas prevendo a passagem do ciclone, a Prefeitura aumentou em 30 o número de vagas no local para proteger mais cidadãos. O local oferece alimentação, roupas, banho e uma cama com travesseiros e cobertores para que os usuários possam dormir.

Durante a noite, equipes do Município também percorreram as ruas para captar pessoas que estivessem desprotegidas, para que se recolhessem ao abrigo. Ao total, 125 foram abordadas pelos profissionais, mas apenas 25 aceitaram ir para a Casa de Passagem.

A SAS também acolheu oito indígenas, sendo uma gestante, quatro adultos e quatro crianças, na casa República, em quartos isolados dos demais usuários. Os índios estavam na cidade para consultas médicas e, em função da tempestade, não puderam retornar. Pela manhã, os usuários foram recebidos no Centro Pop.

Nesta quarta-feira, as abordagens e o acolhimento continuam.

Centro Operacional da Defesa Civil

Às 17h de terça-feira, foi montado o Centro Operacional na sede do Corpo de Bombeiros, com representantes da Prefeitura e das instituições envolvidas com o enfrentamento às situações climáticas, com o objetivo de atender com maior agilidade os pedidos de ajuda em função da tempestade. Com a pouca ocorrência e chamados da comunidade, no início da madrugada de quarta-feira o plantão presencial foi desmobilizado, mas as equipes seguiram em prontidão para o caso de precisarem ser acionadas.

Casas de bomba e abastecimento de água

A falta de luz em alguns momentos, entre a terça-feira e a madrugada desta quarta, também dificultaram o funcionamento de algumas estruturas do Sanep em Pelotas. Queda de energia na Barragem Santa Bárbara comprometeu parte do abastecimento no centro da cidade, mas logo a situação foi normalizada. À noite, nova queda aconteceu, mas a autarquia acionou a bomba de emergência para garantir o abastecimento.

No início da noite de terça, o reservatório que atende os bairros Areal, Dunas, Vasco Pires e a praia do Laranjal ficou sem energia.

Rio Grande 

Foto: Eduardo Bozzetti

Ao longo da quarta-feira, equipes da prefeitura cumpriram ações de rescaldo em áreas específicas da cidade, mas nenhum grande prejuízo foi registrado. Ao todo, a Defesa Civil atendeu 64 ocorrências. Nenhuma família foi desalojada, não há registros de feridos e de vias interrompidas até o momento.

A Defesa Civil informa que, agora, os ventos estão com máximas de 60km/h. Ainda existe possibilidade de chuva em áreas isoladas. A tendência agora é de redução de intensidade. Por esse motivo, a Secretaria de Educação informa que as aulas da rede municipal de ensino deverão ser retomadas normalmente nesta quarta-feira.

As equipes percorrem a cidade para monitoramento da situação, especialmente a respeito de árvores e galhos caídos nas vias. Os servidores realizarão o trabalho quando possível ou programarão para mais tarde, se necessário.

“Montamos um Gabinete de Crise com diversas secretarias, que foram parceiras da Defesa Civil e trabalhamos em conjunto. O resultado foi um atendimento de excelência à comunidade, com tempo de resposta de 12 a 18 minutos entre uma ocorrência e outra. Mesmo passado o pior, continuamos nas ruas, em prontidão”, diz o Ordenador da Defesa Civil, Rudimar Machado.

Para o Prefeito Fábio Branco, o trabalho transversal contribuiu para que Rio Grande não sofresse tanto. “Temos que agradecer a Deus por não ter sido tão intenso quanto se imaginava, mas é preciso reconhecer que a Defesa Civil e de todos os outros órgãos, se organizaram e estavam preparados para prestar atendimento à população. As respostas foram positivas. Vamos cada vez mais nos organizar para que, quando tiver necessidade, se possa estar preparado tecnicamente como desta vez”, declara.

Destelhamentos

Duas casas tiveram os telhados danificados pelo vento, uma no bairro Nossa Senhora de Fátima e outra na vila Maria dos Anjos. A Defesa Civil esteve nos locais para a entrega de lonas. Durante a tarde, as famílias devem receber visita de um assistente social para realizar o levantamento necessário para efetivar a doação de telhas.

Queda de árvores
Segundo dados da Defesa Civil, até a madrugada desta quarta-feira foram registradas seis quedas de árvores em via pública e seis em terrenos particulares. Outras seis árvores apresentam risco de queda em via pública.

Há também novas quedas que ocorreram na manhã de hoje. A equipe está monitorando essas situações e realizando a retirada da vegetação que atrapalham o trânsito e/ou apresentam risco à população.

Energia
Outro problema constatado foram as quedas de cinco postes. Na tarde de quarta-feira equipes da CEEE/Equatorial ainda trabalhavam para restabelecer linhas rompidas e o fornecimento de energia para algumas partes da cidade.

Avanço do mar

No Cassino e na Barra, o mar avançou em direção ao continente, alcançou a BR-392 e as ruas próximas à praia na região da estátua de Iemanjá. As águas também cobriram parte dos Molhes e chegaram a entrar em uma residência. Na quarta-feira a situação foi normalizada.

Lancha
Após negociações coordenadas pela Prefeitura do Rio Grande e a melhora das condições climáticas, um grupo de moradores que não tinha onde se hospedar em Rio Grande foi transportado por uma lancha do estaleiro EBR de volta a São José do Norte. A situação ocorreu devido à interrupção do serviço da Transnorte devido ao mau tempo. A lancha com o grupo zarpou as 18h da Hidroviária e 80 pessoas fizeram a travessia de volta.

Já um grupo de 30 moradores de Rio Grande ficou sem ter como voltar de São José do Norte. A Prefeitura do município vizinho se encarregou do atendimento ao grupo, que pode retornar a Rio Grande na manhã desta quarta.

O transporte entre as duas cidades foi normalizado no início da manhã.

Cassino

De acordo com o secretário Irajá Pelegrini o Cassino sofreu basicamente com a falta de energia causada pela queda de poste e rompimento da fiação. Todos problemas foram encaminhados para atendimento da CEEE/Equatorial. Com o avanço da água até próximo da estátua de Iemanjá algumas guaritas de salva-vidas foram danificadas. As estruturas serão retiradas e recuperadas na oficina da secretaria.

Zeladoria

As bombas de drenagem pluvial que garantem o escoamento da água da chuva acumulada nas ruas da cidade funcionaram bem durante a passagem do ciclone Yakecan. Nas últimas 24 horas não foram registrados alagamentos graves em nenhum ponto da cidade.

Na noite de terça-feira (17), quando o vento diminuiu de intensidade, uma equipe com três caçambas, máquinas pesadas, caminhonetes e funcionários saiu às ruas para recolher galhos derrubados, folhas e o que mais pudesse colocar o trânsito ou as galerias de drenagem em risco.

Com informações das Assessoria de Imprensa