
Uma das mais antigas artesãs de Jaguarão, Nilza Oliveira recebeu das mãos da museóloga Letícia de Cássia Costa de Oliveira, coordenadora do Projeto Fio da Meada, uma cartilha de atividades e um livro sobre toda sua trajetória com o artesanato em lã crua.
A Coleção Fio da Meada é um projeto literário de educação para o patrimônio, e contém memórias das artesãs representando a cultura da lã do estado. É composta de uma cartilha de atividades e quatro livros, que contam de forma lúdica a história de quatro artesãs gaúchas, dentre as quais a jaguarense.
A solenidade de entrega aconteceu no Mercado Público, na sede da Associação das Artesãs de Jaguarão.
Nilza já havia recebido, em 2019, o prêmio de Mestre da Cultura Popular do Ministério da Cultura. A coleção será repassada às escolas municipais de ensino fundamental como material didático educativo, a fim de aproximar o público infantil da ancestralidade do patrimônio cultural brasileiro, como o artesanato em lã ovina.
Emocionada, a artesã ressaltou que ter uma homenagem dessas aos 82 anos é uma grande felicidade. “Não tenho palavras para descrever o quanto estou orgulhosa dessa minha conquista. Quando fui receber o prêmio de Mestre da Cultura Popular do Ministério da Cultura em 2019, contei a minha paixão e minha história para eles, mas nunca imaginei que fosse se transformar em livro.
Eu passei a minha infância rodeada por lãs, visto que minha avó e minha mãe, a quem dedico essa vitória, sempre trabalharam nesse ramo e foi com elas que aprendi a lidar com a lã. Essa paixão eu já estou passando para minha neta, que é formada em designer de moda. Ela já realizou dois desfiles no Moda Pelotas sobre o fio da lã e os trabalhos em Jacquard”, disse.
A jaguarense ainda ressalta que há mais de 30 anos se dedica a ensinar o trabalho sem custos. “Toda a minha vida me vi com as agulhas na mão, cheguei em Jaguarão com 17 anos, conheci a técnica Jacquard e me apaixonei. De lá para cá, todo o meu conhecimento eu passo adiante. Já tenho alunas que receberam muitos prêmios e isso não tem preço”, contou.



