
Iniciada no dia 1º de outubro, a Campanha Nacional de Multivacinação atraiu, na primeira semana, 41 mil crianças e adolescentes menores de 15 anos no Rio Grande do Sul. O número foi divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado. Do número total, 23 mil puderam colocar em dia alguma dose que estava em atraso.
A campanha foi lançada no final de setembro, pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de atualizar a caderneta de vacinas de crianças e adolescentes até 15 anos (14 anos, 11 meses e 29 dias).
Em todo o país, cerca de 45 mil postos de vacinação estarão abertos no dia “D” de vacinação, que ocorre no sábado (16). A campanha será realizada até o dia 29, e estão sendo disponibilizadas doses de 18 agentes imunizantes, segundo o Ministério da Saúde, protegendo contra doenças como a caxumba, rubéola, poliomielite, sarampo, entre outras.
Dados tabulados pela Fiquem Sabendo, agência de dados especializada no acesso a informações públicas, com dados do Programa Nacional de Imunização (PNI) mostram que algumas das principais vacinas indicadas para crianças de até 2 anos não atingiram a meta federal de mais de 90% ou 95% do público em 2020. A BCG, por exemplo, teve a menor cobertura em 27 anos, com 73,8% do público-alvo. A vacina que protege contra a poliomielite atingiu 75,97%, e a tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola, atingiu menos de 80% (79,52%), o que não ocorria desde 2000.
“Na medida em que as doenças passam a não circular mais, justamente porque se mantiveram elevadas coberturas vacinais, principalmente a partir dos anos 2000, muitas doenças se tornaram desconhecidas, fazendo com que algumas pessoas não tenham noção do perigo representado por elas”, disse Tani Ranieri, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs).
No anúncio da Campanha de Vacinação, os representantes do Ministério da Saúde apontaram possíveis causas da queda das coberturas vacinais, entre elas o desconhecimento sobre a importância e benefícios das vacinas; fake news, grupos antivacinas e o medo de eventos adversos; horários incompatíveis das Unidades de Saúde; falsa sensação de segurança gerada pelo sucesso de campanhas anteriores; transições nos sistemas de informações sobre vacinação.
“Percebemos que desde 2015 a cobertura vacinal vem diminuindo – reflexo do próprio processo pandêmico nos últimos dois anos. Precisamos melhorar esta cobertura. Ampliar a cobertura vacinal e proteger a população é uma prioridade do governo federal. Manter a vacinação em dia é também um dever dos pais e responsáveis. Leve seu filho, sua criança e adolescente”, afirmou Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde, no anúncio da Campanha.
A tendência também pode ser percebida em números da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS), que abrange 22 municípios, de acordo com dados disponíveis no Datasus. Em âmbito regional, a cobertura para nenhuma das vacinas atingiu 75%. A titular, Caroline Hoffmann, aponta que, em 2020, a pandemia colaborou com a diminuição. Em relação a anos anteriores, ela afirma que possa ser uma questão cultural. “Todos os anos as ações são feitas com o mesmo empenho pelos municípios, é importante a população ter consciência da importância da vacinação”, disse.
Caroline aponta que, para garantir a imunidade, é preciso que seja mantida, no mínimo, 75% da população vacinada. Em 2020, no entanto, nenhuma das vacinas do calendário atingiu esse número em cobertura vacinal. “O risco para a população é o retorno de doenças imunopreveníveis”, alerta Caroline, citando como exemplo sarampo, difteria, tétano, rubéola e outras.
Pelotas também apresenta queda
Para a chefe da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas (SMS), Aline Machado, a queda nas coberturas vacinais em 2020 também se deve à pandemia. E, em anos anteriores, era uma tendência observada em todo o país, devido ao entendimento da população de que as doenças já estão erradicadas.
Em Pelotas, a vacina BCG (83,68%), foi a única a superar os 75% de cobertura em 2020. Conforme Aline, o município tem realizado ações para estimular a vacinação, como capacitações das equipes de saúde para realização de busca ativa dos públicos que devem se imunizar. “Essa atualização é importante em todos as idades, mas principalmente para os adolescentes, que precisam receber as vacinas Meningocócica ACWY e HPV Quadrivalente, cuja aplicação é indicada em jovens na faixa etária de 11 e 12 anos”, esclarece Aline.
Conforme o Ministério da Saúde, estão disponíveis vacinas como a BCG, Hepatite A e B, Penta (DTP/Hib/Hep B), Pneumocócica 10 valente, VIP (Vacina Inativada Poliomielite), VRH (Vacina Rotavírus Humano), Meningocócica C (conjugada), VOP (Vacina Oral Poliomielite), Febre amarela, Tríplice Viral (sarampo, rubéola, caxumba), Tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba, varicela), DTP (tríplice bacteriana), Varicela e HPV quadrivalente (Papilomavírus Humano).



