A volta das aulas presenciais no ensino superior no Rio Grande do Sul foi tema de audiência pública nesta sexta-feira (6). A atividade, proposta e liderada pelo deputado Clair Kuhn (MDB), foi promovida pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa exclusivamente em ambiente virtual.
O deputado Clair explicou que a ideia da audiência surgiu durante os encontros da Frente Parlamentar para a Retomada da Economia no RS, presidida por ele no Parlamento. “Ouvimos vários alunos reclamando que não tinham condições de estarem presencialmente nos centros universitários, além dos transportadores sobre a questão da dificuldade econômica e, claro, as próprias universidades. Por isso, nossa ideia de juntarmos os três lados para debatermos como podermos retomar as atividades da forma mais normal possível”, alegou Clair.
Entre os entraves para a ampliação da presencialidade nas aulas, participantes da audiência apontaram a legislação federal e estadual (ambas recomendam a modalidade remota), além de problemas com o transporte escolar e a própria vontade dos alunos em ficar em casa.
A diretora acadêmica da Faculdade especializada na área da saúde do RS (Fasurgs), Janete Presser, afirmou que aulas remotas não atendem por completo a formação profissional dos estudantes, especialmente nas áreas que necessitam de laboratórios e estágios.
O diretor-geral da mesma instituição de ensino, Roque Rhoden, disse que o Estado deve chamar a si a responsabilidade da formação profissional dos estudantes e investir na retomada presencial neste momento. “O jovem só vai se dar conta da falta de qualificação quando estiver no mercado de trabalho. Cabe aos pais e, especialmente, às autoridades insistir com a formação acadêmica de qualidade, que se dá com a presença e convivência em ambiente escolar”, sustentou.
A pró-reitora de graduação da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Flávia Costa, concordou com o possível prejuízo na formação de alunos fora da vivência acadêmica, especialmente aqueles que necessitam de atividades práticas. Apesar da UCS já ter iniciado o retorno presencial com todos os cuidados e protocolos sanitários, ela informou que pesquisa interna na UCS mostrou que os alunos continuam com vontade de ficar em casa. Para a pró-reitora, a capacidade de adaptação ao ensino remoto, a comodidade e custo do transporte escolar fazem os estudantes optarem pelo ensino remoto.
O presidente do Sindicato do Ensino Privado do RS (Sinepe), Bruno Eizeric, assegurou que as instituições de ensino superior não têm dificuldades em receber os alunos, mas advertiu que enquanto tiver legislação que priorize o ensino remoto, os alunos vão continuar em casa, por conforto e pela excelência dos serviços recebidos. Bruno observou que, além do período pandêmico, também a crise econômica e o fim do financiamento escolar atingiram duramente o setor.
O estudante Guilherme Campeol, da Associação Taperense de Estudantes Universitários, admitiu os prejuízos com a falta de convivência presencial e indicou os altos custos com transporte escolar como outro problema para o retorno às aulas.
O consultor educacional Gilberto Machado, do Centro de Ensino Superior Rio-grandense (Cesurg), de Sarandi, confirmou que o transporte escolar é um dos entraves para a volta às aulas. “Nossa instituição recebe alunos de muitas cidades do interior do RS, apoiamos a ampliação do retorno às aulas presenciais e as reivindicações dos nossos parceiros do transporte escolar”, garantiu.
A representante dos transportadores, Mônica Martins, disse que o setor passa por grande dificuldade com a diminuição de demanda. Segundo ela, antes da pandemia, a sua empresa disponibilizava cinco ônibus diários para estudantes e hoje opera para apenas 25 passageiros. “Não podemos cobrar o necessário para cobrir o custo operacional e o aluno não consegue pagar o justo”, exemplificou.
Flexibilização das normas
Ao final do encontro, o deputado Clair Kuhn anunciou que vai procurar o Governo do Estado para indicar, com o avanço da vacinação em jovens, a flexibilização das normas que permitam o retorno presencial dos estudantes universitários às instituições e, ao mesmo tempo, melhorar o acesso ao transporte escolar.
Também se manifestaram o diretor da Faculdade Ideau, Juliano Bavaresco; a presidente da Associação Carazinhense de Estudantes, Letícia Aroudi; o empresário do setor de transporte escolar Paulo Endrigo; e a pró-reitora de Graduação e Pós-graduação da UFRGS, Cintia Boll.
Participaram também da audiência os deputados Beto Fantinel (MDB) e Sofia Cavedon (PT).




