Terminal Logístico do Arroz passa a operar as exportações

Foram embarcadas para a Costa Rica 28 mil toneladas do cereal de um total de 75 mil toneladas adquiridas pelo país (Foto: Divulgação)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

O mês de abril teve o primeiro embarque de arroz pelo tão aguardado Terminal Logístico do Arroz (TLA) do Porto de Rio Grande, que está em pleno funcionamento. Foram embarcadas para a Costa Rica 28 mil toneladas do cereal de um total de 75 mil toneladas adquiridas pelo país. Outros dois embarques estão previstos para o mesmo destino, provavelmente nos meses de maio e junho. Para a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) este foi um marco histórico com o atendimento de uma antiga reivindicação do setor arrozeiro gaúcho.

O presidente da Federarroz, Alexandre Velho, acompanhou o embarque, ao lado do diretor comercial do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), João Gomes, do presidente do TLA, Fernando Fuscaldo Junior, e do pesquisador e assessor da chefia geral para Relações Institucionais da Embrapa Clima Temperado, Júlio Centeno. “A Federarroz acompanhou com grande satisfação este embarque de arroz em casca para a Costa Rica. O local trará maior competitividade à exportação e, consequentemente, mais agilidade ao processo”, ressaltou.

Para o diretor comercial do Irga, esse primeiro carregamento no TLA é um feito importante para a cadeia no RS. “Possibilitará uma melhor organização do mercado de arroz, e consequentemente, nos dará a possibilidade de melhorar a logística das exportações. Outros negócios estão em vista e serão importantes, contribuindo no escalonamento da oferta”, destacou.

Segundo Gomes, o TLA é o primeiro terminal brasileiro dedicado ao arroz. O Porto de Rio Grande, onde está localizado, já realiza atividades de exportação do grão, porém essa é a primeira a ser feita diretamente do terminal. “O arroz disputava espaço nos armazéns dos terminais retroportuários com a soja antes da implementação do TLA. Com isso, o grão acabava sendo exportado apenas no período da entressafra da soja, quando havia disponibilidade de espaço para sua estocagem”.

A operação teve início no dia 3 de abril, quando o navio MV Vola atracou no cais e recebeu a carga e partiu no dia 6. O processo consistiu na saída do arroz dos silos de armazenagem até o porão da embarcação, por meio de esteiras. Um processo que tem como objetivo a não-utilização de guindaste, danificando menos o grão.

O Terminal Logístico do Arroz ocupa o antigo terminal da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) e tem capacidade para 60 mil toneladas. O anúncio do novo local para as exportações do grão foi feito em 2020, durante a solenidade da Abertura Oficial da Colheita do Arroz, ocorrida na Estação Experimental Terras Baixas, da Embrapa Clima Temperado, no Capão do Leão.

De acordo com Júnior, o local passou pelas adequações necessárias, principalmente as que envolvem questões de segurança. Foram cinco meses intensos de obras de adequação e modernização. Além disso, ele já recebeu todas as autorizações necessárias para operar, entre elas do Ministério Público do Trabalho (MPT), Prefeitura Municipal e Corpo de Bombeiros.

O superintendente dos portos do Rio Grande do Sul, Fernando Estima, que também esteve no local acompanhando o embarque falou sobre a importância de um espaço dedicado ao produto. “Hoje é um dia importante para o segmento. Parabéns às federações, tanto de produtores quanto de industriais, que auxiliaram nesse processo”, comemorou.
Segundo ele, essa operação possibilita maior competitividade para o arroz que é produzido no estado. Além disso, ele lembra que 70% do arroz que o Brasil se alimenta passa pelo Rio Grande do Sul. “Nada mais justo do que nós termos um terminal dedicado à sua logística, independente de outras opções”, finalizou.

O TLA recebeu a carga vinda por caminhões desde o dia 1º de março. O enorme e tradicional silo da Avenida Honório Bicalho é formado internamente por outros 100 espaços de armazenamento, o que permite a estocagem dos mais variados tipos de arroz. “Haviam duas opções: ou não se exportava e o Brasil deixava de enviar o produto ou se armazenava nos terminais retroportuários, uma maneira cara e demorada”, explicou Fuscaldo. Ele lembrou que o espaço não absorverá toda a demanda, mas servirá como uma alternativa aos moldes já conhecidos e que deverão permanecer sendo utilizados.

Atualmente, a exportação do arroz corresponde a apenas dez por cento do que é produzido, porém esse quantitativo é importante para a sustentação de seu preço no mercado. A estimativa é de que o estado, que é responsável por 70% da produção nacional, colha entre oito e nove milhões de toneladas e exporte, pelo menos, um milhão de toneladas.

O arroz brasileiro é exportado para países como Venezuela, Nicarágua, Costa Rica, Cuba e o continente africano. No ano passado, pela primeira vez na história, um carregamento foi encaminhado para o México, país que estava habituado com a importação de arroz produzido nos Estados Unidos.