A curva de crescimento de casos de coronavírus assusta a população. Mas como é de fato ser acometido pela Covid-19 após a contaminação? A reportagem conversou com duas pessoas que ficaram doentes em fevereiro. No ambiente familiar que vivem, foram quatro contaminados, apenas o caçula de dois anos não contraiu o vírus.
A mulher, de 39 anos, e que trabalha na Prefeitura de Piratini, foi a primeira a apresentar sintomas leves, mas que rapidamente evoluíram.
“Começou com uma leve dor de cabeça, passei a sentir sintomas de rinite, sinusite e depois para muitas dores no corpo e enjoos. Após isso, houve perda de olfato. Foi quando decidi voltar ao Posto de Saúde e explicar para as enfermeiras que havia algo errado comigo, pois já havia feito dois testes, inclusive um de laboratório, e ambos deram negativo”, relembra a funcionária pública municipal.
Ela conta que a terceira testagem apontou que ela estava com o coronavírus e já havia contaminado também as filhas, de 10 e 17 anos. Embora lide com o público em suas tarefas diárias, relata que houve outras situações em que ela e marido podem ter sido expostos.
“Antes de eu apresentar os sintomas, tivemos a visita de um amigo que jantou conosco e poucos dias depois testou positivo. Também estivemos em Pelotas e mesmo tomando cuidados como o uso de máscara, é possível que tenhamos nos contaminados”, afirma.
O marido, de 34 anos, foi o último a começar sentir os efeitos da doença. Ele também foi testado três vezes e somente na última foi confirmado o motivo dos sintomas que em razão da bronquite podem ter sido piores.
A tosse, o cansaço e a falta de ar persistiram por dias, período em que os fatos diários sobre a doença pelo Brasil e expostos pela mídia causaram susto e preocupação.
“A pior é a dúvida de que, e se eu piorar, será que vai ter vaga para mim e um hospital?”, se indagava o designer em multimídia, que mesmo tendo plano de saúde, entende que não ajuda no momento crítico em que vive o país.
“Tenho plano de saúde, mas isso já está mais dando garantia de leito em UTI. Daí a gente se apavora e perguntas como quantos dias vou ficar em um hospital, sem contato com as pessoas e sem a certeza de um atendimento correto são inevitáveis”, relata o homem, que devido à comorbidade que possui, já teve inúmeras crises de falta de ar, mas que estas são incomparáveis as provocadas pela Covid.
“A falta de ar sempre foi horrível, mas o que passei agora foi muito ruim e isso é preciso ser dito para que as pessoas entendam que quem adoece passa muito mal. Afirmo que não é preciso ir para uma UTI para sentir todos os medos e as sensações ruins que essa doença causa. Precisamos tomar todos os cuidados e entender que esse vírus é potente e traz algo que a gente nunca sentiu. Não podemos pensar que as coisas estão normais porque não estão, infelizmente”, finaliza o homem.




