São Lourenço do Sul: Constantes chuvas aumentam a estimativa de colheita do tabaco

A tendência é que o fumo amadureça mais rápido e exija rapidez para a colheita (Foto: Catarine Thiel/JTR)

As previsões climáticas indicavam que o clima de 2021 estaria sob os efeitos do La Ninã, fenômeno decorrente do resfriamento das temperaturas médias das águas do Oceano Pacífico que causa a diminuição das chuvas no Sul do Brasil, ou seja, uma grande chance de haver estiagem. Mas o fenômeno perdeu força em janeiro e as chuvas vieram, inclusive, acima da média em algumas regiões, contrariando todas as previsões e favorecendo a agricultura.

Esse cenário muda as expectativas dos produtores e das entidades quanto a safras e traz de volta o otimismo. Na safra passada, a região passou por uma forte estiagem com praticamente cinco meses sem chuvas e os produtores perderam boa parte da produção.
Na cultura do tabaco, a estimativa da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) era de que as perdas seriam de 10% a 15%. Em janeiro a estimativa mudou, com média de 2.200 quilos colhidos por hectare. Em São Lourenço do Sul, sétimo maior produtor de fumo do país, a expectativa é que sejam colhidas 17 mil toneladas de fumo, um aumento de 15% em relação à safra passada, quando foram colhidas 14.700 toneladas. No Brasil, a expectativa da Afubra é que sejam colhidas 606 mil toneladas de tabaco.

As chuvas trouxeram otimismo para os produtores que puderam ver o pleno desenvolvimento da lavoura, cenário diferente do ano passado. O agricultor Roberto Nornberg, que junto à família planta 140 mil pés de tabaco na localidade de Bom Jesus I, diz que o fumo está amarelando de forma rápida na lavoura, o que obriga a família a alugar estufas de vizinhos para secagem.

O coordenador do sistema mutualista da Afubra, Geber Ehlert, explica que isso acontece porque a concentração de adubos que estava nos pés de tabaco foi digerida no mês de janeiro com as chuvas, então a tendência é que o fumo amadureça mais rápido e exija mais rapidez para a colheita. Outro problema ocasionado pela absorção da adubação é o aparecimento de algumas manchas escuras no fumo seco, prejudicando a qualidade de algumas folhas.

No entanto, Ehlert comemora a qualidade do fumo produzido na região, que apesar dos problemas na colheita e secagem tem obtido resultados satisfatórios, principalmente nas folhas finas e salienta que se colhido bem maduro pode aumentar a qualidade.
Ele também chama atenção para a quantidade de fumo plantado. “É necessário que o produtor antes de começar uma nova safra se conscientize do que ele pode plantar e consegue atender, para que ele não perca fumo na lavoura”, comenta.

Além disso, o coordenador lembra que o preço pago aos produtores é regido pela oferta e pela procura. Quando há muito produto é possível que se tenha uma redução no valor pago aos produtores. A Afubra compreende que o aumento nas áreas de soja e milho e a redução na área de tabaco é muito importante, pois isso agrega valor à propriedade e diversifica, assim, o produtor não depende apenas de uma renda. “Com a valorização da soja e do milho acontece, consequentemente, uma redução da área plantada do tabaco e assim uma valorização do nosso produto, porque se compararmos os preços, o valor do tabaco deveria ser mais valorizado”, salienta.

Negociação do preço do tabaco
Uma das maiores dificuldades apontadas por Ehlert é a negociação do preço do fumo pago aos produtores. Em reuniões realizadas com as empresas fumageiras, a Afubra e entidades representativas dos agricultores apresentam um custo de produção obtido através de pesquisas. Em contrapartida, as empresas apresentam outro custo de produção menor. “Essa negociação está a cada ano mais complicada”, salienta. Neste ano não foi acordado um valor com as empresas e, por isso, cada uma está praticando a sua tabela.