Cronologia do Rio Grande

Parte três

1857 – Intelectuais gaúchos imigrados na Corte fundam, no Rio de Janeiro, a primeira entidade tradicionalista gauchesca, a Sociedade Sul-
riograndense, que existe até hoje.
1847 – Morre Bento Gonçalves da Silva, em Pedras Brancas, hoje Guaíba. O grande herói gaúcho estava pobre e doente quando terminou a Guerra dos Farrapos.
1868 – Funda-se em Porto Alegre a Sociedade Partenon Literário, decisiva para o regionalismo gauchesco.
1888 – A abolição da escravatura é proclamada no Brasil quando já no Rio Grande do Sul não existia mais escravo.
1889 – É proclamada a República no Brasil. No Rio Grande do Sul, o homem do momento é Júlio de Castilhos. O Partido Republicano Rio-grandense, que não esperava a proclamação tão cedo, não estava preparado para assumir o poder. O RS, com a República, deixa de ser Província e passa a ser estado.
1893 – Começa a Revolução Federalista contra o Governo Republicano, chefiado por Júlio de Castilhos. Do lado dos revolucionários, tomaram parte na Revolução de 93 muitos uruguaios, alguns dos quais do Departamento de San José, os chamados “maragatos”. Aos poucos este termo foi sendo usado para designar todos os revolucionários que usavam como símbolo o lenço vermelho ao pescoço. Os guerrilheiros que lutaram a favor do governo usavam o lenço branco (mais raramente o verde) e usavam às vezes uma farda azul com gorro da mesma cor encimado por uma borla vermelha. Por isso, foram chamados de pica-paus.
1894 – Funda-se em Montevidéo, no circo dos irmãos Podestá, a Sociedade La Criolla, entidade tradicionalista que existe até hoje.
1895 – Assinada a paz entre pica-paus e maragatos, termina a chamada Revolução de 93, que foi sangrenta e brutal, com muitas degolas.
1898 – Funda-se em Porto Alegre, a 22 de maio, o Grêmio Gaúcho, cujo líder é o Major João Jacques, que buscou a inspiração na Sociedade “La Criolla”, de Montevidéo. O Grêmio foi a primeira entidade tradicionalista no Rio Grande do Sul. Graças ao seu pioneirismo, o Major João Cezimbra Jacques é hoje Patrono do Tradicionalismo do RS.
1899 – A 10 de setembro é fundada em Pelotas a União Gaúcha. Seu grande líder é o genial escritor João Simões Lopes Neto.
1923 – No começo do ano a Aliança Liberal, chefiada por Assis Brasil, deflagra uma revolução contra o Governo Republicano de Borges de Medeiros. Novamente, lutam nas coxilhas gaúchas, maragatos e governistas, mas estes, agora, são chamados “chimangos”. A paz só é alcançada no fim do ano no Castelo de Assis Brasil, em Pedras Altas.
1930 – Chimangos e maragatos marcham lado a lado na revolução que derruba o presidente brasileiro Washington Luiz e coloca no poder Getúlio Vargas. Os gaúchos amarram os cavalos no obelisco da avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, Capital da República.
1937 – O Rio Grande do Sul tenta resistir à ditadura de Getúlio Vargas, mas o Presidente de Estado, Flores da Cunha, prefere evitar o banho de sangue e se asila em Montevideo. Instaurada a ditadura Vargas, o Rio Grande do Sul, como os outros Estados brasileiros, tem proibidos os seus símbolos: a bandeira, o hino e o brasão.
1947 – O Rio Grande do Sul, como o Brasil inteiro, está sob bombardeio cultural estrangeiro. O gaúcho é ignorado e até desprezado. Em setembro 8 cavalarianos comandados por Paixão Côrtes, escoltam os restos mortais do General David Canabarro pelas ruas de Porto Alegre. É o primeiro grito de revolta da mocidade gaúcha em defesa das nossas tradições e que tem larga repercussão. Nesse mês realiza-se no Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, a 1ª Ronda Farroupilha, com o acendimento do Candeeiro Crioulo, fandango, escolha da 1ª Prenda e escolha dos gaúchos melhor pilchados. A 1ª Ronda Crioula da história do Tradicionalismo foi também a mais longa: da zero hora do dia 8 até a meia-noite do dia 20 de setembro.
1948 – A 24 de abril funda-se em Porto Alegre o “35” Centro de Tradições Gaúchas. Glaucus Saraiva, que dá a entidade a estrutura de uma estância simbólica, é eleito primeiro patrão.
1950 – É reerguida em 18 de dezembro de 1950 a União Gaúcha de Pelotas, agora com o nome do escritor regionalista: União Gaúcha J. Simões Lopes Neto.
2020 – Muito teria ainda para relembrar, junto com vocês, mas o espaço é bem menor do que precisaríamos, então ficamos relembrando na nossa imaginação tudo que se passou nos 70 anos posteriores.
2021……. – Depende de nós, o livro está em aberto!