O melhor de Pelotas em 214 anos – Segunda parte

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

As bandas

Se há uma banda que definiu o padrão de excelência em Pelotas e no país nos anos 70 e 80, foi a do Gonzaga. Digo isso, mas sempre fui rival! Inspirada originalmente nos Fuzileiros Navais, a banda passou por uma revolução estética e musical em 1971 quando adotaram o icônico uniforme no estilo da guarda real britânica, túnicas vermelhas, calças pretas e o tradicional chapéu alto de pele de urso. O impacto visual na avenida era estrondoso.

O Tricampeonato Nacional sob o comando do inesquecível Mor Carlos Roberto Mansur o “Chuteca” e a regência musical do Maes­tro Mota – Manoel Motta Dias, fez com que a banda conquistasse o Brasil. Eles se sagraram tricampeões nacionais de Bandas e Fanfarras em São Paulo nos anos de 1972, 1973 e 1975.

O Maestro Mota, trazia no repertório dobrados do compositor americano John Philip Sousa. A execução acelerada e cheia de energia construía uma espécie de campo vibracional que fazia o público acompanhar a banda vibrando pelas ruas centrais.

A Banda Marcial da Escola Técnica Federal de Pelotas, do Mor Ronaldo, do professor Dirceu, do Maestro Luz, do Ademir, do Jojoca/Cabeça, do Ricardo no bombo, do Carlos Tim, o Bahia e o Gino no Sax, o Gladimir no Surdo, os irmãos Madeira, do Benitez, do Dagê, do Claudinho, do Dada e também a minha banda.

A “Escola Técnica” mantinha uma das bandas mais potentes e queridas da cidade. Nas décadas de 70 e 80, a música virou um pilar de identidade para os estudantes. O som pesado dos metais e a precisão da percussão eram marcas registradas. A banda gerava um sentimento de pertencimento sem precedentes entre os alunos e rivalizava diretamente com o Gonzaga em termos de torcida e aclamação popular nos desfiles da Bento.

A sempre lembrada Banda do Colégio Pelotense o “Gato Pelado” com linhas de frente coreografadas com balizas que encantavam a cidade. A banda do Colégio Agrícola Visconde da Graça comandada pelo Cabral como Mor.

Cada escola tinha seu próprio “toque de caixa”, o ritmo carac­terístico da percussão que os pelotenses reconheciam de longe, só de ouvir o eco vindo da avenida

Cabe lembrar que a grande maioria das escolas tinha sua própria banda, citamos aqui apenas algumas.

As boates

Pelotas foi a melhor cidade do mundo para diversas gerações, por isso, cada uma delas se atreve a dizer: “no meu tempo foi melhor”, então, passo a falar para aqueles que conheceram a Baiuca na rua Marechal Floriano em frente ao restaurante Gago. A Baiuca (geralmente lembrada como A Baiuca ou Baiuca Bar) foi um dos bares e redutos boêmios mais icônicos da cidade entre as décadas de 1970 e 1980.

Diferente das grandes discotecas da época que focavam nas pistas de dança e no som pop internacional, a Baiuca tinha uma proposta muito mais voltada para a boemia clássica, a intelectua­lidade e a MPB Música Popular Brasileira. Por ter seu auge durante os anos 1970, o período mais duro da ditadura militar no Brasil, locais como a Baiuca funcionavam como uma espécie de “refúgio” para quem buscava respirar arte e liberdade.

Apenas para lembrar algumas das boates que viviam lotadas na noite pelotense, Aquarius, Monte Carlo, Tillas Disco Clube, Mag­nólia, Metrô, Manta, Hipopótamos, Teatro Avenida, Leiga, Direito, da Odonto, Verdes Anos, Privê Vira Volta, Palátium, Estúdio 466, Tropicana, Emoções, Rockstar, Café do Brasil e outras, porém a lista seria muito maior se incluíssemos os salões de bailes da colônia, assim como dos clubes esportivos.

Pelotas é uma cidade que alimenta a alma com cultura, adoça a vida com a sua gastronomia e acolhe com as suas paisagens. É um daqueles lugares onde o passado e o futuro caminham juntos.

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