O Prefeito Faustino Cantagalo teve um sonho, acordou todo encasquetado e cedinho da manhã já estava ligando para Laurinha, sua filha, em Pelotas.
– Laurinha, querida, dormiu bem?
– Sim papai, mas não ligastes para isso, né?
– Ai filha, conheces bem o papai – brincou ele.
– De que se trata? Mamãe está dodói?
– Não, filha minha, é o seguinte…
E o Prefeito contou para a filha do seu sonho.
– Filha, eu só quero o progresso para nossa querida Córrego das Pedras, mas falta muito a fazer ainda para torná-la uma mini Paris, ou uma mini Rio Grande que seja. Por exemplo, não temos um título chamativo para ela, tipo Pérola da Lagoa, que ajude a atrair turistas, não temos um ginasião, não temos camelódromo, não temos uma grande indústria, não temos… (e enumerou várias outras coisas cujo Córrego das Pedras era carente)
– Então façamos algo partindo do mais plausível – respondeu sabiamente Laurinha.
– Plausível? – indagou o Prefeito.
– Procura no Google, pai – brincou ela.
Laurinha que sempre vivia com ideias mil rodopiando em sua cachola, pegou sua agenda, examinou-a e logo ligou para o pai.
– Pois não, filha?
– Papai, minha agenda está folgada esta semana. Marca uma reunião informal amanhã com alguns secretários que também estarei ai para participar. Vamos fazer teu sonho virar realidade, viu?
Emocionado o Prefeito agradeceu. E logo pediu a sua Secretária Civil que fizesse os contatos e marcasse a reunião para o dia seguinte, às 15:45 em ponto, no salão oval da Prefeitura.
Todos reunidos começaram a reunião. O Prefeito falou do seu sonho e do primeiro assunto a tratar. Um título para a cidade.
Padre Joaquim, secretário Eclesiástico, lembrou que na margem oposta do Córrego existia uma linda área florestal, mas muito pouco explorada para o turismo. E que nela existiam lagos límpidos, cachoeiras, uma série de bichos, árvores majestosas e várias espécies de árvores frutíferas e florais. Dava para transformá-la numa floresta realmente deslumbrante e um atrativo para turistas de todo o mundo.
– Menos, Padre – disse Laurinha.
– E o que isso tem a ver com um título para a nossa cidade? – quis saber Belo Simonsen, secretário de Obras.
– Tem a ver que as flores desta tal floresta, como jasmim, gardênia, rosa, lavanda e manacá-de-cheiro, exalam um perfume maravilhoso soprado pela brisa mansa que vem de lá nos caíres da tarde – respondeu romanticamente o Padre.
– Já estou pensando aqui – falou Jeanice Medina, secretária do Turismo. Córrego das Pedras, a Capital da Brisa Perfumada.
– Lembra o Morro dos Ventos Uivantes – falou Margarida Cantagalo, secretária de Educação. Eu aprovo.
Ato contínuo, todos aprovaram. Agora o próximo passo seria botar a mão na massa: pensar na construção de um pórtico na entrada da cidade, colocar reclames na internet e fazer uma força tarefa com a equipe da Secretaria de Obras para deixar a floresta nos trinques para ver no que iria dar.
Devido ao adiantado da hora, os assuntos pendentes ficariam adiados sini die.
E sendo assim, bye bye, até a próxima daqui a quinze dias queridos leitores.




