Produtor Luiz Lichtnow aposta na produção de caqui e outras frutas como alternativa na sua propriedade

Conforme Lichtnow, a fruta apresenta melhor aparência nesta época em comparação ao ano anterior. (Foto: Divulgação)

Para o produtor Luiz Lichtnow, apesar da boa produção de caqui neste ano, parte significativa das frutas apodreceu e caiu precocemente devido a doenças no pomar, em Arroio do Padre. Ainda assim, ele projeta maior oferta para a festa do município e aposta na qualidade das frutas remanescentes para impulsionar as vendas.

No pomar, que tem capacidade para produzir cerca de 50 toneladas de caqui, ele espera colher entre três e quatro toneladas. “Como a fruta amadureceu um pouco mais cedo, este ano teremos uma oferta maior de frutas para a festa, pois o que ficou está bonito”, garante.

De acordo com o produtor, a fruta apresenta melhor aparência nesta época em comparação ao ano passado e, com a proximidade da festa, deve ganhar ainda mais cor. Por ser uma fruta de outono, o frio contribui para deixá-
la mais colorida e saborosa. Na festa, o caqui será comercializado a R$ 8,00 o quilo e a R$ 15,00 por dois quilos. “Vamos fazer algumas bandejas de dois quilos”, afirma.

A antracnose, doença que atinge os caquizeiros de Arroio do Padre há vários anos, manifesta-se por meio de manchas escuras nos frutos, galhos e folhas e é de difícil controle. Segundo o produtor, o problema se agrava em condições de alta umidade. Como medida de controle, tem sido feita a eliminação das plantas afetadas e a implantação de outras culturas mais resistentes.

Durante o período de colheita, os tratamentos são suspensos. Ainda assim, Lichtnow destaca que realizou cerca de dez aplicações desde a fase de floração. “São gastos e perda de tempo, pois tenho plantas bonitas, com bom número de folhas, mas sem frutas, que começaram a cair já no mês de janeiro, quando ainda estavam pequenas”, ressalta.

Na propriedade, já foram colhidas cerca de uma tonelada da fruta, destinada principalmente à Ceasa, onde o produto é comercializado entre R$ 4,00 e R$ 4,50 o quilo. Outras 1,5 toneladas devem ser colhidas nos próximos dias e destinadas à venda direta ao consumidor durante a festa do município, junto à banca da Coopap. “Este ano não haverá cobrança de ingresso na festa e nem distribuição da fruta, o que pode aumentar a venda, já que vai sobrar mais dinheiro para os visitantes”, aposta.

Já foram colhidas cerca de uma tonelada da fruta em 2026, destinada principalmente à Ceasa, onde o produto é comercializado entre R$ 4,00 e R$ 4,50 o quilo. (Foto: Divulgação)

O produtor, que tem a fruticultura como atividade complementar — já que sua principal ocupação é o comércio de máquinas e implementos agrícolas — avalia que, nos últimos dois anos, nenhuma alternativa superou o fumo em termos de rentabilidade. “Não tem como fazer aposta em outras alternativas a não ser o fumo”, afirma.

Segundo ele, mesmo produtores que migraram do tabaco para a soja no ano passado — quando o preço do grão chegou a variar entre R$ 180,00 e R$ 200,00 a saca — retornaram ao cultivo de fumo neste ano. Ainda que a comercialização na região ocorra mais tarde, a partir de maio, a atividade tem garantido melhor rentabilidade e permitido a permanência no campo.

Outra aposta de Lichtnow é a produção de figo, que apresenta boa demanda por parte da indústria de conservas, especialmente na entressafra do pêssego. “A indústria está comprando e pagando bem, em torno de R$ 9,00 o quilo”, diz. Ele ressalta que foi um dos poucos produtores do município a investir na cultura, com o plantio de mil mudas. Este foi o primeiro ano de produção, ainda com baixo volume, mas a expectativa é de colher quantidade suficiente no próximo ano para atender à indústria. A colheita tem início no final de janeiro.