Após articulação de Afonso Hamm, projeto de renegociação de dívidas rurais avança no Senado

Proposta destrava após oito meses parada e entra em fase de negociação com o governo federal na Comissão de Assuntos Econômicos. (Foto: Divulgação)

Após oito meses sem avanço no Senado, o Projeto de Lei 5122/23, que trata da renegociação das dívidas de produtores rurais, entrou em nova fase nesta quarta-feira (8). O movimento ocorre após articulação política liderada pelo deputado federal Afonso Hamm (PP-RS), desde a aprovação da proposta na Câmara dos Deputados.

Relator do projeto na Câmara e autor do substitutivo aprovado, Hamm intensificou, nos últimos meses, o diálogo com lideranças do Senado e representantes do setor agropecuário para viabilizar o andamento da proposta. O texto enfrentava entraves, sobretudo pela falta de alinhamento com o governo federal.

A mobilização resultou em reunião realizada na presidência do Senado, com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, além de senadores e parlamentares. O encontro marcou a retomada das discussões sobre o projeto e definiu a relatoria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que ficará com o presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Nos bastidores, a escolha da relatoria é atribuída ao esforço de articulação liderado por Hamm, que atuou diretamente junto a senadores e ao Executivo para destravar a pauta.

“O projeto está no Senado há oito meses e não avançou por falta de autorização do governo para viabilizar a urgência. Com esse diálogo que construímos, conseguimos abrir caminho para discutir as fontes e fazer o projeto andar”, afirmou Afonso Hamm.

Construção política e negociação com o governo

Desde a aprovação na Câmara, Hamm vinha defendendo o envolvimento direto do governo federal, especialmente em relação à principal fonte de financiamento proposta: o Fundo Social do Pré-Sal.

O texto prevê a destinação de até R$ 30 bilhões para atender produtores que sofreram perdas decorrentes de eventos climáticos, como estiagens e enchentes.

Durante a reunião, o parlamentar voltou a sustentar que o uso do fundo é uma alternativa viável por não gerar impacto fiscal direto e por já contar com recursos disponíveis. A defesa técnica do modelo foi um dos pontos centrais da negociação com a equipe econômica.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário e indicou que o governo está disposto a construir uma solução em conjunto com o Congresso. Segundo ele, a equipe econômica deverá trabalhar, nos próximos dias, na formatação de uma proposta, incluindo a possibilidade de criação de uma nova linha de crédito.

Próximos passos e ajustes no texto

Com a definição da relatoria, o projeto entra em fase de discussão na CAE. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) informou que será criado um grupo de trabalho para avaliar o texto e propor ajustes, com o objetivo de ampliar o alcance da proposta e estruturar uma solução mais abrangente para o endividamento do setor.

A construção será feita em diálogo com o governo e com a participação dos senadores Renan Calheiros, Tereza Cristina e Jaques Wagner (PT-BA).

Com a articulação política consolidada e a abertura de diálogo com a equipe econômica, a expectativa é de que o PL 5122/23 avance nas próximas semanas, com possibilidade de votação na comissão e posterior análise em plenário. Nos bastidores, parlamentares avaliam que o movimento desta semana marca uma virada na tramitação da proposta.