
Interessados pelo audiovisual poderão mergulhar na Oficina Livre de Vídeo para Iniciantes “Do Zero ao Set”, promovido pela Nação Produtora, de 19 a 28 de fevereiro. A formação gratuita é voltada para pessoas a partir de 16 anos e ocorre na Casa do Trabalhador, em Pelotas, a partir das 18h.
Entre estudos técnicos e práticos em formatos como publicidade, reportagem, ficção e documentário, a oficina aborda etapas fundamentais para uma produção: roteiro, direção, produção, luz, câmera e som. Ao longo dos encontros, os participantes desenvolverão peças audiovisuais curtas que, ao final, serão exibidas nos canais da produtora.
Para a produtora do projeto, Gabriela Barenho, a escolha de Pelotas como ponto da oficina está relacionado a produção de “Vó África – Em Busca dos Velhos Trilhos” – produzido em Pelotas – mas também surge como retorno às pessoas que acolheram a equipe durante a produção do filme. Além de Gabriela, a formação contará com a participação de profissionais que integraram a equipe do longa, entre Nando Ramoz (Roteiro e Direção), Lucas Roma (Som Direto) e Vinicius Wiedergr (Iluminação), além do realizador Allam Mello (Direção de Fotografia e Edição).
“Uma oficina como essa mexe com mais coisa do que parece. No começo, parece ‘só’ aprender câmera, som, luz. Mas o que acontece de verdade a pessoa começa a se enxergar como capaz de criar. De contar a própria história. De ocupar um lugar que sempre pareceu distante. No médio prazo, abre portas. Pode gerar trabalho, renda extra, contato, rede. No longo prazo, muda mentalidade. Quem aprende deixa de ser só espectador e vira autor. O território começa a produzir sua própria narrativa. A cultura deixa de ser algo que vem de fora e passa a nascer ali mesmo. Porque quando alguém entende que pode contar a própria história, não é só o audiovisual que muda. Muda a autoestima. Muda a forma de se posicionar no mundo. Muda o jeito de olhar para a própria comunidade. No fim das contas, não é só uma oficina. É um ponto de virada”, explica Gabriela.

As inscrições devem ser feitas pelo direct nas redes sociais da produtora @nacaoprodutora, e são limitadas a 15 vagas. Os alunos que comparecerem às 20 horas de curso irão receber certificado. Os interessados não precisarão levar equipamentos pois a produção disponibiliza toda a estrutura. A Casa do Trabalhador, onde será realizada a oficina, fica na Rua Santa Cruz, 2464A.
A seleção dos inscritos observará critérios de legalidade, transparência, equidade e diversidade, conforme a Política Nacional Aldir Blanc (Lei nº 14.399/2022) e regulamentações complementares. “Vivemos esse tempo de tentativa de reparação e concordamos que é absolutamente necessário ter critérios de diversidade na seleção. Nosso projeto vem de financiamento público e não poderia ser diferente” relata a produtora.
O processo será realizado por classificação objetiva, com priorização de pessoas negras (pretas e pardas), indígenas, pessoas com deficiência, quilombolas, pessoas trans e travestis, além de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica e residentes em territórios periféricos, rurais ou comunidades tradicionais, sem prejuízo da ampla concorrência.
A falta de oportunidade é uma das maiores dificuldades para quem quer ingressar na área do audiovisual segundo Gabriela. “Nosso mercado é restrito e exigente. Exigente não só de técnica, mas principalmente do entendimento de trabalho conjunto, comprometimento e gosto pelo o que faz. Minha dica para quem quer começar nessa área é estude, mesmo como autodidata, assista a obras originais, encontre seu diferencial, não se torne uma pessoa profissional apenas técnica e burocrática, você precisa somar, o audiovisual é arte”, diz.



