Dos fios à pele: especialistas alertam para cuidados essenciais no verão

Alice Paixão é dermatologista com experiência em cosmiatria, cirurgia dermatológica, dermatologia pediátrica e dermatologia estética; Bruna Marques é fisioterapeuta, tricologista e terapeuta capilar. (Foto: Divulgação)

Marcado por altas temperaturas e maior exposição ao sol, o verão pode agravar problemas tanto nos cabelos quanto na pele. Especialistas alertam que hábitos comuns, como prender os fios com frequência e a exposição prolongada ao sol sem a utilização correta de protetor solar, estimulam danos capilares e dermatológicos, como o aumento de inflamações, exigindo cuidados específicos e atenção redobrada.

De acordo com a dermatologista Alice Paixão, o verão costuma agravar problemas de pele, como alergias e sensibilidades: “Existe a questão do sol e do cloro que ressecam a pele favorecendo o agravamento de alergias. Também há maior chance de micoses e questões diretamente relacionadas ao sol como urticária e miliária”.

Segundo ela, as queixas mais comuns nesta época são queimaduras, manchas e micoses – infecções causadas por fungos, que se propagam com mais facilidade em ambientes quentes e úmidos. Assim, pessoas com pele sensível necessitam de cuidados especiais, como maior hidratação e uso de produtos específicos.

Em relação aos fios, a fisioterapeuta, tricologista e terapeuta capilar Bruna Marques explica que o dano mais comum no verão é a porosidade excessiva, pelo excesso de tração gerado pelo costume de prender o cabelo. Da mesma forma, alterações como caspas e dermatites se fazem presentes pelas altas temperaturas. Os cabelos que mais sofrem, no entanto, são aqueles que passam por químicas agressivas em tratamentos e procedimentos. Nestas situações, se faz necessária uma constância de cuidados em espaços de beleza.

Atenção às decisões da rotina é fundamental
Durante o verão, cuidados básicos ajudam a prevenir as irritações e alergias conforme Alice, como aumento da ingestão de água, uso de hidratantes tópicos e de água termal. A estação também agrava casos de urticária e miliária, as conhecidas brotoejas que, ao reter o suor da pele, provocam o surgimento de bolhas, ardor e coceira.

Em relação ao protetor solar, produto importante para prevenir queimaduras, manchas e envelhecimento da pele, é preciso escolher um Fator de Proteção Solar (FPS) adequado, já que, de acordo com Alice, o uso inadequado pode causar reações. “O FPS está relacionado ao tempo de duração do produto na pele, depende do fototipo (tom de pele) do paciente para a escolha adequada. De uma forma geral, os infantis têm uma duração superior. E um fator seguro, geralmente, é um FPS maior ou igual a 50”, destacou.

Segundo Bruna, quanto às mechas, mesmo com a dificuldade existente de encontrar protetor solar para cabelos, é fundamental possuir outros produtos, como protetores térmicos e cremes que contenham aminoácidos, proteínas e óleos vegetais em suas fórmulas – os quais têm o papel de bloquear efeitos nocivos do sol nos fios capilares. Ademais, chapéus, bonés e acessórios deste tipo também podem ser utilizados para colaborar no cuidado com as mechas.

Para ela, lavar os cabelos diariamente no verão, assim como em outros períodos do ano, além de ser adequado, é indicado como parte da higiene básica diária. “Lavar o cabelo todos os dias é adequado não somente no verão, como em qualquer outra estação, assim como nós temos o hábito de escovar os dentes todos os dias, higienizar o couro cabeludo diariamente é de extrema importância”, garantiu.

A terapeuta capilar ainda explicou que a alimentação pode ser uma aliada para fortalecer o couro cabeludo: “A alimentação influencia na saúde, quanto mais nutridos nós estivermos e quanto mais alimentos antioxidantes, frutas e verduras consumirmos, melhor para o nosso nível nutricional e para a produção de pelos, então conseguimos ter um cabelo bem mais forte. Quem tem algum tipo de intolerância, como à lactose ou ao glúten deve ficar atento, pois quando ela inflama o seu organismo, atinge o couro cabeludo também”.

Para identificar se a pele é alérgica ao sol, a produtos ou ao calor, exames clínicos e anamnese – entrevista inicial para a construção do histórico do paciente – podem ser realizados, sendo que se torna essencial procurar um médico quando alterações são percebidas, conforme a médica Alice. “É fundamental consultar quando perceber alteração de pintas existentes ou surgimento de novas, bem como manchas vermelhas ou escuras e sintomas como prurido e descamação”, ressaltou.