Ação que vitimou produtor rural no interior de Pelotas foi motivada por informações de suspeitos de outro crime na região

Marcos Noremberg tinha 48 anos e era produtor de morangos na zona rural de Pelotas. (Foto: Reprodução/RBS TV)

Segundo o Comandante-Geral da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, coronel Cláudio dos Santos Feoli, a informação que motivou a ação que levou a morte do produtor rural, Marcos Nornberg no interior de Pelotas, na madrugada desta quinta-feira (15), partiu de uma denúncia feita no Paraná, quando dois suspeitos de uma quadrilha foram presos após tomarem um caseiro como refém na zona rural da Princesa do Sul.

A ocorrência do roubo em questão foi registrada na terça-feira (13). Segundo relato, o homem foi colocado em cárcere privado por cerca de 36h, enquanto os criminosos encheram três veículos da propriedade com bens do proprietário da terra. Na quarta-feira (14), em Guaíra, no Paraná, dois dos pelotenses suspeitos do crime, com 20 e 21 anos, foram detidos pela Polícia Militar local. Ambos possuindo antecedentes por tráfico de drogas, roubo e adulteração de veículo.

Conforme o comandante-geral, a localização dos demais membros da quadrilha teria sido feita pelos criminosos que foram detidos, e correspondia com o local em que Nornberg residia com a família. Com as informações obtidas, a Brigada Militar de Pelotas planejou a operação, esperando encontrar na propriedade rural os veículos roubados, uma grande quantidade de droga e outros cinco indivíduos da facção em questão fortemente armados.

“Nós tivemos o entendimento do proprietário de que estava sendo roubado e do outro lado, por parte dos policiais, de que havia então uma agressão oriunda de criminosos que faziam a guarda dessa localidade”, pontuou Feoli.

Segundo relatos de testemunhas – vizinhos da vítima e familiares –, ao menos seis viaturas cercaram a residência durante a madrugada. Por residir na zona rural, ao despertar com os barulhos, o produtor e a esposa Raquel Nornberg, acreditaram estarem sendo vítimas de um assalto, o que motivou a defesa do morador – que já havia passado por situação semelhante e por isso, tinha porte legal da arma.

“A gente viu o movimento dos cachorros latindo, e de repente a casa com vários homens na janela. A gente achou que eram bandidos e foram segundos assim. Eles derrubaram a porta e começaram a atirar. Eu me deitei no chão e o meu marido falou que foi atingido e caiu”, relata Raquel.

Durante a ação, que contou com disparos armados vindos de todas as direções, além de violação de bens materiais dentro da propriedade, a esposa da vítima conta ter sido obrigada a ficar de joelhos sobre vidro quebrado e ter medo de erguer a cabeça para encarar os autores da situação. Durante o momento, ela descreve ter sido humilhada e alvo de deboche por parte dos policiais: “Eu não levantei a cabeça porque eu não queria olhar, eu tinha medo de morrer”, detalha.

Raquel diz ter sido capaz de erguer a cabeça apenas quando foi levada até a casa do sogro – localizada no mesmo terreno.

“Nós abrimos um procedimento investigativo, para que possamos averiguar todas as circunstâncias que levaram à abordagem e depois o desfecho da ocorrência. A nossa parte visa a verificação de eventuais erros de procedimento, transgressões da disciplina e, eventualmente, acometimento de crimes militares, enquanto a polícia civil averigua efetivamente a questão da morte diante da letalidade ocorrida”, conclui o coronel Faoli.

Confira na integra a nota da Brigada Militar do Rio Grande do Sul:

“A respeito da intervenção policial ocorrida na cidade de Pelotas, a Brigada Militar esclarece que, na madrugada desta quarta-feira (15/01), ao realizar buscas na área rural de Pelotas, após uma ocorrência de roubo a residência registrada na terça-feira (13/01), onde um caseiro foi feito refém por 36 horas, tendo três veículos e um reboque roubados, advém da seguinte dinâmica:

Na quarta-feira (14/01), na cidade de Guaíra no estado do Paraná, a polícia militar local, prendeu dois suspeitos do roubo, residentes em Pelotas, com idades de 20 e 21 anos, ambos com antecedentes por tráfico de drogas, roubo e adulteração de veículo, os quais estariam envolvidos no grave crime e na posse dos veículos roubados em Pelotas.

Em posse de informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, a Brigada Militar planejou uma operação no local onde haveria outros indivíduos envolvidos, com armas e veículos roubados. Durante a averiguação ao endereço os policiais militares se depararam com um homem portando uma arma de fogo, o qual não acolheu as ordens policiais, efetuando disparos contra a guarnição, estabelecendo confronto em que resultou na vitimada fatalmente.

O local foi imediatamente isolado e preservado para os trabalhos da perícia técnica. Com o indivíduo, foi apreendida uma arma de fogo, do tipo carabina semiautomática, além de aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro e uma pequena quantia em dólar.

A Brigada Militar informa que a Corregedoria-Geral da Corporação instaurou inquérito policial militar para apurar e esclarecer as circunstâncias do fato.”