Gigante logístico, novas instalações no Porto de Rio Grande preveem aumento de geração de renda

Novo terminal deve empregar cerca de 450 trabalhadores diretos após a conclusão e mais de 2 mil indiretos. (Foto: Reprodução)

Apresentando-se como marca entremeada à história da Noiva do Mar, o terminal portuário de Rio Grande é o maior e principal complexo de exportações e importações de mercadorias do Rio Grande do Sul. De janeiro a setembro de 2025, o local registrou crescimento de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando movimentou 30.471.141 toneladas. Junto de suas instalações, os números seguem avançando.

A partir de uma parceria entre a CMPC Celulose e a chilena Neltume Ports, o Porto de Rio Grande irá iniciar em 2026 as obras de um terminal portuário dedicado à movimentação de carga geral, voltando-se principalmente para a celulose. O investimento, estimado em 1,5 bilhão, prevê a geração de mais de 1,2 mil empregos diretos apenas na fase de implantação. Já concluído, a previsão é de que o terminal empregue cerca de 450 trabalhadores diretos e mais de 2,1 mil indiretos, incluindo trabalhadores avulsos e caminhoneiros.

Maior porto do estado, Rio Grande deve viver intensa movimentação econômica nos próximos meses. (Foto: Divulgação)

Para o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, a aplicação que irá movimentar, em sua totalidade, mais de 25 bilhões de reais, é significativa para a economia como um todo: “Quando a gente olha para esse projeto, ele tem o seu desenho voltado muito na logística para o modal aquaviário, tanto para o recebimento da matéria-prima lá na fábrica, quanto para exportação da celulose toda produzida. Então essa utilização dos nossos portos também é importante, porque vai fortalecendo cada vez mais esse modal, tanto no porto de Pelotas, para a saída da matéria-prima, que é a tora de madeira, quanto em Rio Grande da celulose”, destaca.

Representando um papel central na economia não somente do município, mas também da região por conta de suas conexões com Pelotas e Porto Alegre, as operações do Porto já envolvem o translado constante de grãos, frango congelado, celulose, resinas, tabaco, fertilizantes e móveis, além de peças e equipamentos industriais.

Cristiano Klinger, presidente
da Portos RS. (Foto: Divulgação)

“Esse novo terminal vai dar a capacidade desse crescimento da carga, nós estamos falando que praticamente dobra o volume da celulose hoje movimentada”, pontua o presidente.

Em 2025, o número de movimentação de celulose no Porto de Rio Grande, entre os meses de janeiro e setembro, aumentou exponencialmente em 8,18%, representando mais de 3 milhões de toneladas de carga do polímero em deslocamento em comparação ao mesmo período em 2024.

Aprofundamento do cais público

Atualmente, o Porto de Rio Grande é um gigante logístico e conta com o cais público Porto Novo, com cerca de 2 km de extensão e 9,45 metros de calado operacional — limite máximo seguro de profundidade que um navio pode ter submerso para navegar com segurança —, possuindo terminais de granéis e de contêineres superior ao correspondente nos portos argentinos.

Conforme Klinger, com os novos recursos, o cais público estará sujeito a um aprofundamento que pode chegar a 12,5 metros de calado.

“Isso é um ganho de eficiência, de competitividade para todas as cargas. Todo mundo que se utiliza do cais público poderá passar a contar com esse fundo com uma profundidade maior”, explica.

Batizado de “Terminal Rio Grande do Sul S/A”, o projeto da CMPC Celulose e da Neltume Ports está em fase de realização dos estudos ambientais necessários com o Ibama para sua instalação, o que mantém seu funcionamento previsto para 2028.

No início do último mês, o projeto avançou com a assinatura do Contrato de Adesão entre a Secretaria Nacional de Portos, o Ministério de Portos e Aeroportos, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Portos RS. O instrumento concede à joint venture — termo utilizado para designar a parceria entre a CMPC Celulose e a Neltume Ports —, o direito de implantar e explorar um Terminal de Uso Privado (TUP) no município de Rio Grande.

Segundo o projeto apresentado, o terminal contará com dois berços de atracação para navios, dois berços para barcaças e um armazém com capacidade estática de 194 mil toneladas de celulose.

O novo empreendimento também prevê um repasse de R$ 142,7 milhões à Portos RS, com destino à dragagem de aprofundamento do canal de acesso e da bacia de evolução do Porto Novo. Os próximos passados do projeto contam com a cessão de uso do terreno, atualmente em análise pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU), a realização de audiência pública e a obtenção da Licença Prévia e da Licença de Instalação junto à Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) do Rio Grande do Sul.

Sonho antigo, a visão do comércio sobre os avanços no Porto

Com a implantação do novo terminal gerando investimentos, empregos e renda de forma direta, e permitindo ainda que navios com uma maior carga atraquem no local por conta do aprofundamento do cais, as expectativas para o comércio se mantêm altas, em celebração à inovação no município.

“A chegada de um investimento deste porte é vista com muito otimismo pela sociedade riograndina. Um investimento, ao que tudo indica, bem robusto, com solidez em seu plano de negócios, partindo de um grupo econômico conhecido e respeitado. É um passo importante para a recuperação econômica da cidade e um ativo que trará impactos positivos em diversos setores”, destaca Rafael Ferreira, presidente da Câmara de Comércio de Rio Grande e coordenador do movimento Aliança Rio Grande.

Rafael Ferreira, presidente da Câmara
de Comércio e coordenador do movimento Aliança Rio Grande. (Foto: Divulgação)

Definido como um “sonho antigo”, segundo Ferreira, a ideia da expansão vem sendo construída desde os primeiros embarques de celulose em Rio Grande: “A chegada desse empreendimento é a consolidação da estratégia. Para o município e para o Porto, toda carga nova, que começa operando pelo Porto Novo, vai ganhando escala e precisa de um terminal próprio. Portanto, quando a gente fala que uma empresa que opera no cais comercial consolida um terminal de uso privativo, estamos mostrando que a estratégia venceu”, pontua.

Considerando a situação um case de sucesso dos serviços oferecidos pela modelagem logística da cidade, do Estado e do Porto, Ferreira avalia a possibilidade de novas empresas apostarem no potencial da região visto sua viabilidade comercial e ressalta que com a instalação, entra em uma nova etapa: consolidar sistemistas locais para atender o Terminal Rio Grande do Sul S/A.