Conab projeta safra de 354,4 milhões de toneladas no Brasil e de 40,7 milhões de toneladas no RS

Estimativas apontam um novo recorde nacional e recuperação no Rio Grande do Sul após as perdas da safra passada. (Foto: Paulo Kurtz/Embrapa)

O Brasil deve colher 354,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, conforme o 3º levantamento divulgado na quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa alta de 0,6% em relação ao ciclo anterior, impulsionado principalmente pela expansão de 3% na área plantada, que deve alcançar 84,1 milhões de hectares, e pela expectativa de maior demanda internacional.

O avanço é liderado por culturas como soja, milho e sorgo. Apesar do cenário positivo, oscilações nos preços das commodities seguem entre os principais fatores de pressão, exigindo maior planejamento dos produtores. Por outro lado, a perspectiva de aumento da demanda externa e o avanço de políticas públicas voltadas ao setor contribuem para o desempenho projetado no país.

“Mesmo com as adversidades climáticas e variações de preços, o produtor brasileiro continua firme. E a Conab está aqui para apoiar, trazendo informações confiáveis que ajudam no planejamento e dão mais segurança a quem está no campo”, afirma o presidente da estatal, Edegar Pretto.

No Rio Grande do Sul, a Conab estima uma produção de 40,7 milhões de toneladas, alta de 13,3% frente à safra anterior. O estado mantém-se como o terceiro maior produtor do país, atrás de Mato Grosso e Paraná, apesar de deter a segunda maior área plantada, com 10,53 milhões de hectares (+1,3%). O desempenho reflete uma produtividade ainda limitada por instabilidades climáticas recorrentes e outros fatores que afetam o potencial das lavouras.

“A Conab vem acompanhando os impactos da falta de chuva nas últimas semanas e, agora, os efeitos do ciclone que está trazendo fortes precipitações. Ainda assim, as perspectivas apontam para uma recuperação importante no estado, puxada principalmente pela soja, que é o carro-
chefe da produção gaúcha de grãos”, destaca Pretto.

Outros números da safra gaúcha – comparações com a safra 2024/2025

A área destinada à soja é de 7,2 milhões de hectares (+1,0%), com produção estimada em 22,4 milhões de toneladas (+34,9%) e produtividade projetada de 3.129 kg/ha (+33,6%), refletindo a recuperação após uma safra anterior severamente afetada pela estiagem. A semeadura avançou rapidamente, passando de 9% no final de outubro para 65% no final de novembro, apesar do atraso inicial provocado pela baixa umidade do solo. Das áreas já implantadas, 28% estão em germinação e emergência e 78% em desenvolvimento vegetativo.

No arroz, a área prevista é de 919,7 mil hectares (-5,0%), com redução concentrada na Planície Costeira Externa (-10,77%), Sul (-6,86%) e Fronteira Oeste (-5,16%). A produção está estimada em 7,7 milhões de toneladas (-12,2%). A semeadura alcança 98% da área, com avanço favorecido pela redução das chuvas, e, na região Central, houve aceleração após dificuldades iniciais de acesso às áreas mais úmidas. Com produtividade esperada de 8.334 kg/ha (-7,6%), as lavouras seguem em desenvolvimento vegetativo.

No milho de primeira safra, a área cultivada soma 817,1 mil hectares (+14,2%), representando o maior incremento em 20 anos, impulsionado pela segunda maior produtividade da série histórica estadual. A produção deve alcançar 5,4 milhões de toneladas (-0,1%). O plantio avançou de forma expressiva desde agosto, atingindo 79% da área no fim de setembro e 87% no fim de novembro. As lavouras apresentam boas condições, com 55% em fase reprodutiva e 45% em desenvolvimento vegetativo. A irregularidade das chuvas no final de novembro gerou preocupação, mas já estava contemplada na produtividade projetada de 6.641 kg/ha (-12,5%).

Para o feijão (cores e preto), a área total da primeira e segunda safra deve alcançar 45,5 mil hectares (+7,1%), com produção prevista de 76,6 mil toneladas (+4,2%). Na primeira safra, o feijão cores ainda não teve início de semeadura, uma vez que o cultivo no Planalto Superior ocorre após a colheita das culturas de inverno. O feijão-
preto já alcança 80% da área prevista, com parte das lavouras destinada ao autoconsumo, especialmente em regiões menos tradicionais e em sucessão ao tabaco e às pastagens. As condições climáticas têm sido favoráveis e as lavouras apresentam bom potencial produtivo, enquanto a segunda safra terá início apenas em 2026.

Culturas de inverno

Entre as culturas de inverno, o trigo (safra 2025) tem produção estimada pela Conab em 3,7 milhões de toneladas (-6,3%) e área de 1,2 milhão de hectares (-13,7%). O clima seco favoreceu o cultivo, especialmente na segunda metade de novembro, e a colheita avançou sem grandes dificuldades, atingindo 99% das áreas, restando apenas lavouras em maturação. A conclusão está prevista para a primeira quinzena de dezembro, com produtividade mantida em 3.172 kg/ha.

A aveia branca apresenta área estimada em 384,6 mil hectares (+7,8%), a maior já registrada pela Conab, e produção de 965 mil toneladas (+14,6%). O crescimento decorre da redução da área de trigo e da expectativa de melhores preços e usos alternativos. A colheita avançou de 41% para 97% em novembro, restando apenas áreas em maturação, com grande variação de produtividade entre regiões, influenciada pelo pacote tecnológico, condições de solo e clima e perdas pontuais por geadas e chuvas.

Na canola, a área cultivada alcança 209,9 mil hectares (+43,7%), com produção estimada em 320,7 mil toneladas (+66,2%). Em novembro, o maior intervalo entre chuvas favoreceu a conclusão da colheita, sobretudo no Sul e no Planalto Superior. A produtividade prevista é de 1.528 kg/ha, com grãos de boa qualidade, bom tamanho, uniformidade e elevado teor oleico, em torno de 40%.

Já a cevada ocupa área de 30,4 mil hectares (-11,4%), com produção estimada em 103,1 mil toneladas (-10,3%). Predominante no Planalto Superior, região mais fria do estado, a cultura foi beneficiada por boas condições de semeadura. A colheita atingiu 87% ao final de novembro, restando áreas em maturação nessa região, onde a cevada é destinada à produção de malte, com valorização superior ao trigo e melhor rentabilidade. No Planalto Médio, Alto Uruguai e Missões, a colheita já foi concluída, com destinação para alimentação animal, e, diante do bom desempenho, a produtividade foi revisada para 3.393 kg/ha (+2%).