Zona Sul tem 98% da área semeada com arroz e lidera ranking no Estado

No Estado, 89,14% da área, ou 820.196 hectares, estão semeadas em todas as regiões arrozeiras, resultado considerável visto a falta de umidade do solo. (Foto: Divulgação/Irga)

Os produtores de arroz da Zona Sul lideram o ranking da semeadura do cereal no Rio Grande do Sul, com 97,59% da área estimada pronta, ou seja, 152.779 hectares de lavouras.

O coordenador da Regional Zona Sul, engenheiro agrônomo Igor Kohls, explica que nesta safra o plantio teve início em 12 de setembro, o que não ocorria há duas safras.

“Os produtores não conseguiam realizar a semeadura dentro deste mês e neste ano, devido às chuvas bem abaixo da média, quase 30% da área foi plantada no mês de setembro, o que é um recorde”, afirma.

Segundo ele, a semeadura na região está praticamente concluída, restando ainda poucas unidades produtivas. “Vamos ter uma pequena redução em relação à intenção, obviamente estamos finalizando estes números. Mas as lavouras de setembro – embora com temperaturas relativamente baixas – obtiveram boas condições de umidade que possibilitaram uma emergência muito boa”, diz.

Até o início de outubro, estas condições se mantiveram, mas a partir do dia 10, surgiram algumas dificuldades na germinação e estabelecimento da lavoura em algumas regiões. “O principal fator foi a falta de umidade no solo e em algumas propriedades foi preciso banhar para nascer”, explica. Ele ressalta ainda, que nas lavouras plantadas em setembro, quase na totalidade, o produtor já conseguiu realizar os tratos culturais, com colocação de herbicida, ureia e água, e apresentam um bom desenvolvimento.

O produtor já começou também a semeadura da soja em rotação, ainda em ritmo lento, com uma pequena área semeada em outubro e se intensificando no mês de novembro. “Este é o principal período para a semeadura da soja e estima-se em torno de 30% da área pretendida já semeada”, avalia. A falta de umidade no solo levou grande parte das propriedades a pararem o cultivo da oleaginosa. “Com a falta de chuvas, o produtor não está arriscando a plantar no solo com baixa umidade, já que ainda estamos dentro da época”, ressalta. Conforme vão ocorrendo as chuvas, os produtores dão continuidade à cultura da soja, finaliza.

Números adiantados

No Estado, 89,14% da área ou 820.196 hectares estão semeados em todas as regiões arrozeiras. O menor índice é visto na Região Central, que tem 69% de áreas plantadas, – cerca de 83,3 mil hectares – e a expectativa é que nas próximas semanas, em ritmo já crescente, os índices avancem e registrem, também, um percentual significativo.

Depois da Zona Sul, a Planície Costeira Externa (PCE) está bem adiantada com 93,7%, aproximadamente 88.906 hectares. A Planície Costeira Interna (PCI) registra 129.924 hectares (92,49%), e a Fronteira Oeste tem 88,42% da intenção, o que representa 240.351 hectares. Na Campanha, os índices são de 124.936 hectares semeados, 82,11% do total. A perspectiva é que a semeadura de arroz no estado seja concluída com bons índices. Os números constam no relatório da Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

O gerente da Dater Irga, Luiz Fernando Siqueira, explica que o objetivo do acompanhamento da semeadura é auxiliar com um panorama geral da safra. “Seguimos acompanhando em todas as regiões arrozeiras visando informar os produtores e toda a cadeia orizícola sobre o desenvolvimento da semeadura no estado, o que impacta diretamente o sucesso da colheita e do fornecimento do arroz gaúcho”, afirma.

Mercado

Os arrozeiros seguem atentos e com grande preocupação com as novas reduções nos preços pagos ao produtor de arroz, que não cobrem o custo de produção. Eles alertam que estes preços de comercialização impactam negativamente em toda cadeia produtiva, com reflexos futuros na sustentabilidade do negócio arroz irrigado. A tendência é de redução da área semeada quando comparado com a área na safra 2024/2025.

Na praça de Pelotas, os preços do arroz em casca operam com variações nas cotações e valores de R$ 57,23 por saco de 50 quilos, preço do grão posto nas beneficiadoras e sem o desconto do INSS. Também acontecem variações nos preços praticados nos municípios em razão da qualidade do produto, rendimento de engenho e do frete. Em Santa Vitória do Palmar, o saco é vendido a R$ 55,26; Jaguarão a R$ 54,00; Arroio Grande e São Lourenço do Sul a R$ 60,00 e Rio Grande a R$ 58,00. As informações são da Emater.