Porto de Rio Grande celebra 110 anos com aumento das operações e da competitividade

No mês em que completa mais de um século de operação, o porto contabilizou seus melhores indicadores recentes. (Foto: Divulgação)

O Porto de Rio Grande comemorou 110 anos da construção de seu Porto Novo no dia 15 de novembro. A data, que celebra um marco histórico da modernização da atividade portuária no extremo sul do Brasil, transformou-se em um momento de balanço, projeção de futuro e reafirmação do porto para a economia gaúcha.

No mês em que completa mais de um século de operação, o porto contabilizou seus melhores indicadores recentes. Entre janeiro e outubro de 2025, a movimentação total atingiu 36,8 milhões de toneladas, um crescimento de 4,43% em relação a 2024 e de 3,02% frente a 2023. Os números confirmam a recuperação e o ganho de competitividade da infraestrutura rio-grandina após uma série de investimentos estruturais conduzidos pela Portos RS.

O grande eixo de modernização está na obra de revitalização dos 1.125 metros do cais do Porto Novo, investimento de aproximadamente R$ 50 milhões, que prepara o porto para as próximas cinco décadas. Paralelamente, a dragagem de manutenção garante condições de navegabilidade e segurança no canal de acesso, preservando a capacidade de escoamento da produção agrícola e industrial do Estado.

Outros avanços recentes envolvem a digitalização dos processos, com a chegada do Vessel Traffic Service (VTS), a adoção de plataformas como a Rightship e a automação das áreas de monitoramento ambiental e sinalização náutica. No cenário internacional, o Porto do Rio Grande amplia seu protagonismo com o Green Ports Partnership, programa voltado à adoção de energias renováveis que embasa o Projeto Porto Verde, previsto para 2026.

Para o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, a data simboliza um ciclo de transformações profundas. “Vivemos um momento de muito crescimento, evolução e tecnologia. Desde que viramos empresa pública, implementamos vários investimentos, modernizamos infraestrutura e fortalecemos parcerias estratégicas que posicionam nosso porto como referência em inovação e sustentabilidade”, afirmou.

Movimentação de cargas

Os indicadores reforçam a percepção de Klinger. A movimentação de contêineres cresceu 28,87% no ano, somando 841 mil TEUs entre cargas cheias e vazia.

Em produtos, destacam-se os embarques de soja em grão (9,06 milhões de toneladas) e o desempenho da celulose, que ultrapassou 3,5 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, a diversidade de cargas segue sendo um atributo competitivo: grãos, fertilizantes, produtos químicos, carnes, madeira, polímeros e combustíveis compõem um portfólio relevante de comércio exterior.

A cidade e o porto

Além dos resultados operacionais, pesa na celebração da data, a relação histórica entre o porto e a cidade do Rio Grande. A prefeita Darlene Pereira (PT) ressalta que o desenvolvimento local sempre esteve conectado a área portuária.

“O Porto do Rio Grande é nossa grande referência quando falamos no desenvolvimento do município. O porto mantém a economia local, graças à sua capacidade de operação de cargas variadas e à disponibilidade quase única no Brasil de juntar essas características: diversos berços de atracação, porto público e terminais privados e uma grande retroárea, que nos permite receber empresas exportadoras e importadoras para se instalarem muito próximas ao local de embarque e desembarque”, comentou.

Rio Grande x Arroio do Sal

O aniversário de 110 anos ocorre em meio ao debate sobre o projeto de um novo porto marítimo em Arroio do Sal, no Litoral Norte. A prefeita questiona a viabilidade e o impacto ambiental da nova proposta. “Não acredito que haverá investimento bilionário em uma estrutura inexistente e que trará inúmeros impactos ambientais ao Rio Grande do Sul, ao invés de ser mantida e incentivada aquela que já mostrou sua capacidade de crescimento”, afirmou.

Assim, enquanto enfrenta desafios climáticos, demandas tecnológicas e discussões sobre a expansão da estrutura portuária gaúcha, o Porto do Rio Grande inicia seu segundo século reafirmando seu protagonismo na economia do RS.