Por Luciara Schneid e Lylian Santos
A incursão pelo pomar do produtor Adriano Bosenbecker, localizado na Colônia Santa Helena, 8º Distrito de Pelotas, foi uma pequena mostra do que deve ser a safra de pêssego 2025/2026 e abriu oficialmente, na tarde de quarta-feira (19), a colheita deste ano. O clima se mostrou generoso com a cultura e o resultado se apresenta em forma de uma boa produção por planta e frutas uniformes e saborosas. A produção esperada gira em torno de 45 milhões de quilos da fruta.
No entanto, o preço apresentado pela indústria de R$ 2,10 o quilo do pêssego tipo 1 e R$ 1,85 o tipo 2 desagrada os produtores, que relatam uma desvalorização em torno de 20% em relação à remuneração da safra passada. “São R$ 0,40 a menos por quilo, um preço que foi pago há três safras atrás, mas é o que a indústria nos impõe, ou entregamos ou colocamos a produção fora”, afirma Bosenbecker, que preside a Associação dos Produtores de Pêssego de Pelotas e Região.
Além disso, outro fato que penaliza o produtor e compete com o produto local é a importação de fruta beneficiada da Argentina a custos menores. Segundo o produtor, somente no mês de setembro entraram no Estado três milhões de latas do produto argentino, que compete com o produto regional e puxa os preços para baixo. “Esta é uma das justificativas da indústria para baixar os nossos preços”, ressalta. Prefeitos, deputados e associação buscam soluções de mercado junto ao governo federal.

Pelotas e região são responsáveis por mais de 95% da fruta industrializada e consumida no país. Somente em Pelotas, são cultivados 3.077 hectares de pomares, 163 hectares com irrigação. O número de famílias envolvidas com a atividade chega a 615. Em 465 hectares, são cultivadas variedades destinadas ao consumo in natura. Para esta fruta, a comercialização é aberta oficialmente nesta sexta-feira (21), com a inauguração da 12ª Quinzena do Pêssego e Feira Municipal do Pêssego, que se estendem até o dia 5 de dezembro, com bancas no Largo do Mercado Público e bairros para a venda direta do produtor ao consumidor.
A região produtora, que abrange ainda os municípios de Capão do Leão e Morro Redondo, possui em torno de mil produtores e nove indústrias que, juntas, processam por safra em média 40 milhões de latas. Somente estes dois setores são responsáveis diretos pelo acréscimo de R$ 400 milhões ao Produto Interno Bruto (PIB) de Pelotas, lembrou o prefeito Fernando Marroni (PT) durante a solenidade de abertura. A colheita, que teve início, na primeira quinzena de novembro, com as variedades mais precoces, Bonão e Citrino, deve se estender até meados de janeiro de 2026 e a produção abastece as nove indústrias de Pelotas, Morro Redondo e Capão do Leão.
Pesquisa e assistência técnica
O chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar em Pelotas, o engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes, destaca que o produtor vem de duas safras ruins. “No ano passado, tivemos um quantitativo de 40% menor da safra normal e, neste ano, até o momento vemos uma safra excelente”, diz. Conforme Prestes, o principal fator são as condições climáticas, que ao contrário do ano passado, se mostrou benéfico para a cultura. “Tivemos frio no momento certo e na quantidade correta, sem grandes variações de temperatura, baixa umidade nos momentos críticos, entre outros, que nos indicam uma boa safra”, pontua. O agrônomo afirma que a Emater estima uma safra de 36 mil toneladas, o que seria normal. No entanto, neste momento, em que a colheita atinge cerca de 5%, e com condições excelentes, Prestes acredita ser possível superar estes números.
O agrônomo garante que o frio fora de época não é uma preocupação, ao contrário, deve beneficiar a fruta, sobretudo no sabor, deixando-a mais doce. “Com dias quentes e noites frias, a planta gasta menos energia e forma mais açúcar”, salienta. Segundo Prestes, isto é evidente nesta safra e até mesmo os frutos mais precoces estão saborosos.

O chefe do escritório municipal da Emater destaca que 100% das variedades colhidas na região de Pelotas foram desenvolvidas pelo Programa de Melhoramento Genético da empresa. Entre as variedades mais plantadas destacase a Esmeralda, com 30% da área de pomares da região, seguidas por Granada, Jade e Maciel, que também ocupam área significativa. “Temos outras que ocupam percentual relevante como a BRS Citrino, cultivar mais nova e que está sendo colhida hoje”. Prestes também cita o BRS Jaspion, lançada em 2019 e que nos últimos anos vem ocupando área considerável. “Este foi o lançamento de variedade de pêssego tipo indústria mais recente da Embrapa”, diz.
Em 2023, foi lançada a cultivar de tipo mesa, a BRS Sarau, de maturação tardia, mais próximo ao Natal, de polpa branca e excelente sabor, diz. “Lançamos em 2024, na Serra Gaúcha, três cultivares de nectarina, e agora, no dia 27, estaremos em Pinto Bandeira, fazendo o lançamento da nova cultivar de nectarina, a BRS Karina, muito bem avaliada na região, excelente qualidade de fruta, bom aspecto visual e grande apelo comercial”, finaliza.
Abertura da colheita
Na propriedade que Adriano administra ao lado do pai, Dari Bosenbecker, são cultivados 30 hectares com pêssego, aproximadamente 20 mil plantas nas variedades Esmeralda, Maciel, Santa Áurea, Eldorado, entre outras, com trabalho escalonado por idade de plantio.
“O pêssego é uma planta perene, que dura de 15 a 20 anos, conforme a condução do pomar, então nós fazemos esta troca a fim de não precisar repor muitas plantas numa mesma safra”, afirma. Segundo o produtor, a planta demora de três a quatro safras para atingir uma boa produção e, por isso, a propriedade tem de 13 a 14 mil plantas produzindo por safra para atender a necessidade de colheita de 350 a 400 toneladas. “Faz duas safras que temos colhido abaixo disso, por causa de problemas climáticos, mas se espera para esta safra atingir este volume”, afirma.
A família cultiva apenas pêssego na propriedade e Adriano garante que a produção é profissional. “Temos toda a área com cobertura verde em todo o pomar, e após terminada a colheita, que vai até dezembro, no máximo fim de janeiro, ocorre a poda verde”, explica. A produtividade da propriedade é praticamente o dobro em relação à da região, que é de seis a sete toneladas por hectare. Os pomares são distribuídos em diferentes locais e 100% irrigados, com adubação por fertirrigação.
Festa do Pêssego celebra aumento da safra e promete programação diversificada
A safra 2025 do pêssego em Pelotas será celebrada neste domingo (23), durante a Festa Municipal do Pêssego. Neste ano, o evento ocorre na Comunidade Santa Helena, na Colônia Maciel, 8º Distrito, Rincão da Cruz, integrando a 12ª Quinzena do Pêssego.
A Festa faz parte de uma série de ações promovidas pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), em parceria com instituições como Embrapa, Emater, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), sindicatos e associações da cadeia produtiva. A programação inclui shows musicais, atrações culturais, concurso do pêssego, Feira da Agricultura Familiar e o tradicional desfile da Corte do Pêssego 2025. O ingresso custa R$ 10, e o estacionamento será gratuito. Terá praça de alimentação com lanches, doces, salgados, churrasquinho e bebidas.

Safra maior, desafios renovados
Segundo a SDR, o evento marca um período otimista para os produtores. Para a chefe do setor de Apoio à Agricultura Familiar da pasta, Rejane Jorge, a previsão de crescimento da safra, embora positiva, também traz atenção ao mercado.
“Sempre que se tem uma safra boa, o preço cai”, explicou Rejane, reforçando que o objetivo é garantir condições para que os produtores consigam cumprir seus compromissos financeiros.
Além disso, ela relata que reuniões técnicas e ações de capacitação são promovidas pelas instituições parceiras para apoiar os produtores na condução dos pomares e no aprimoramento da safra.
Confira a programação completa:
10h30: Missa;
11h30: Almoço;
13h: Abertura oficial;
14h: Banda Diplomata;
15h: Interação do Grupo Tholl;
Apresentação da banda da Escola João da Silva Silveira;
16h: Concurso do Pêssego;
18h: Desfile das candidatas à Corte do Pêssego 2025;
18h45: Centro Cultural Nativista Raízes da Tradição;
19h: Resultado da escolha da Corte;
19h30: Banda Hawai.




